Dr. Adriano Leonardi

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Retorno ao esporte após lesão: o desafio é possível!

condromalaciaJoão era um esportista entusiasta. Fazia musculação duas vezes por semana , corrida 15 minutos na esteira e aos finais de semana jogava futebol com os amigos.

Certo dia, João sofreu um entorse de joelho em uma queda na sua própria casa e acabou lesionando o menisco de seu joelho. Após consulta no ortopedista, foi operado, realizou 10 sessões de fisioterapia e, sentindo melhora dos sintomas resolveu voltar às atividades que praticava.

Em seu primeiro trote na esteira, João sentiu uma fisgada na parte posterior da perna que, segundo seu médico, tratava-se de uma distenção muscular. Fez repouso por duas semanas  sentiu melhora do incômodo e foi bater bola com os amigos. À noite, ao chegar em casa, notou muito incômodo e dor no joelho operado. No dia seguinte percebeu que o mesmo estava inchado.

Nas semanas e meses seguintes João tentou voltar o máximo possível ao seus niveis pré-lesionais, mas não conseguiu. Sempre com uma dorzinha aqui e outra lesão ali que o deixava em casa de duas a quatro semanas. Até que, inconformado, João trocou suas atividades por uma vida sedentária.

 

+ O que é um edema ósseo? 

 

Mas porque a história de nosso personagem fictício é tão frequente no dia dia?

A primeira vista, parece banal o retorno ao esporte de uma pessoa que parou de correr, jogar futebol, lutar ou malhar. Afinal, se eu fiquei parado e melhorei, posso retornar sem problemas. Certo?

Errado. Infelizmente, quando você para de treinar, ocorrem alterações estruturais e metabólicas em seu corpo que incluem:

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  • Catabolismo (perda protéica) nas células musculares e tendíneas.
  • Redução da concentração de cálcio nos ossos.
  • Redução do volume sistólico (quantidade de sangue ejetado pelo coração durante a contração) com consequente redução da capacidade de transporte de oxigenio para os tecidos.
  • Redução da capacidade respiratória.
  • Perda da agilidade neuro-motora do sistema nervoso central e periférico.
  • Inibição de determinados grupos musculares: hoje sabe-se que determinadas lesões inibem a ação de músculos adjacentes. O exemplo clássico são os músculos da coxa em lesões no joelho. Vale a pena lembrar que esta inibição pode sim se agravar em um pós-operatório não bem reabilitado.
  • Desequilibrio muscular: sabe-se hoje que determinados grupos musculares possuem padrão de equilibrio. Por exemplo: o grupo muscular anterior da coxa (quadríceps) deve ser de 50 a 70% mais forte que os posteriores. Alterações deste padrão, estatisticamente, podem levar a lesões.

 

Mas, afinal, qual seria a melhor forma de se retornar ao esporte após uma lesão? Existiria algum protocolo pronto?

Ao recolocar o indivíduo nos gramados, pistas de corrida, quadras e trilhas, antes de se pensar em um protocolo, o médico do esporte tem que ter sempre 2 conceitos básicos em mente:

 

1) O bom senso deve sempre prevalecer. Quanto pior a lesão e maior o tempo do afastamento, maior cuidado deve-se ter.

2) As pessoas sao diferentes umas das outras: existe uma gama de variedades, incluindo sexo,  força, equilíbrio, biotipos, índice de massa corpórea, doenças concomitantes, medicações em uso e udo isso deve ser levado em conta.

 

Pessoalmente e de maneira didática, costumo dividir o retorno ao esporte em 4 fases:

 

  1. ortopedista esportivoRegenerativa: É a fase inicial da reabilitação. Envolve os recursos de cicatrização e controle da dor da fisioterapia como a aplicação de laser e ultrassom. Neste período, também se inicia a ativação muscular. Imprescindível, nesta fase a manutenção do arco de movimento das articulações e controle de edema. Importantissima a manutenção da performance cardio-respiratória através da natação, deep-running, spinning ou cliclo-ergometro de membros superiores para que a perda da capacidade aeróbica seja minimizada.

 

  1. Preventiva: Nesta fase, fatores que predispuseram o indivíduo a lesão são avaliados e corrigidos. Envolve teste de força e equilibrio muscular, teste de avaliação de pisada (Baropodometria) e testes funcionais biomecânicos. O fortalecimento muscular é intensificado e, se possível, acompanhado por um treinador, evitando-se sobrecargas. Inicia-se também o treino de agilidade motora, também chamado de pliometria baseado no gesto esportivo da atividade que o indivíduo pratica.

 

tratamento do joelho

  1. Retorno inicial ao esporte: Aqui, todo cuidado é pouco. Existe sempre uma grande ansiedade em ganho rápido de performance, mas, como dito acima, as alterações estruturais e metabólicas devem LENTAMENTE serem trabalhadas para que não haja sobrecarga.

ergoespirometria

 

 

Para avaliar a função cardio-respiratorio, realiza-se o teste ergométrico ou ergo-espirométrico , realiza-se triagem metábolica e hormonal por testes laboratoriais, orientações nutricionias e a planilha de retorno ao treino é feita entre a equipe multidisciplinar e o treinador.

 

+ 7 passos para um retorno seguro ao esporte após cirurgia no joelho

 

  1. Ganho de performance:

tratamento do joelhoAumento de volume e intensidade do treino são controlados e graduais. Idealmente, um profissional da equipe acompanha o treinamento e, com o passar do tempo, vai ocorrendo adequação nutricional ao gasto energético. Exames laboratoriais e cardiológicos regulares são realizados para se avaliar ganhos fisiológicos com o esporte na prevenção do overtraining.

 

 

manual que entrego aos pacientes orientando o retorno ao esporte.

Manual que entrego aos pacientes orientando o retorno ao esporte.

 

dr-adriano-leonardi-especialista-do-joelhoDR. ADRIANO LEONARDI

Médico ortopedista especialista em traumatologia do esporte e cirurgia do joelho. Médico e fisiologista do esporte. Presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Ambientes Remotos e Esportes de Aventura. + Conheça o Profissional

1 comentário

  1. EUGENIO CARDOSO DE LEMOS - 7 de setembro de 2016 20:04

    achei ótimo o tema e muito informativo e esclarece bem e gostaria de receber se possível mais informação sobre o assunto obrigado

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