Dr. Adriano Leonardi

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7 principais lesões do ciclismo e como prevenir!

O ciclismo é um esporte com um número cada vez maior de adeptos. Atualmente, divide-se em quatro categorias: provas em estradas, provas em pistas, Mountain Bike (do qual, particularmente, sou praticante) e BMX.

Em termos fisiológicos, o ciclismo é uma atividade aeróbica cíclica e desenvolve o status cardiovascular dos praticantes, sendo ainda na medicina esportiva como ótimo exercício para queima de gordura corporal e desenvolvimento de resistência de força muscular de pernas, em treinamentos.

Assim como qualquer modalidade esportiva, uma bicicleta mal regulada para a altura e peso, e a prática acima dos limites fisiológicos podem trazer lesões.

Ninguém gosta de ser forçado a deixar a bicicleta por alguma lesão! Como atleta de mountain bike, sei como é gratificante estar na natureza, admirar belas paisagens e sentir a endorfina do vento no rosto! Mas infelizmente, nem sempre um dia de pedal é perfeito! Um dia você pode se encontrar na melhor performance da sua vida, no próximo encontra-se lutando para girar os pedais sem dor.

Algumas pessoas são mais propensas que outras, mas a maioria dos ciclistas vão ter que desacelerar o ritmo em algum momento. Algumas lesões podem ser tratadas e evitadas facilmente. E aqui, reúno alguns dos problemas mais comuns enfrentadas pelos adeptos ao ciclismo!

E lembre-se: cada corpo tem sua particularidade, e os sintomas podem não representar a causa atual. Se a lesão é persistente sempre procure um profissional, que te auxiliará a identificar e tratar a causa!

 

 

Quedas

“Bicicleta é arte e o tombo faz parte”

O conselho óbvio é sempre procurar atendimento médico. Contusões na cabeça, mesmo sem perda de consciência, denominada de concussão, exige atendimento de urgência devido a complicações que podem ocorrer tardiamente.

Estatisticamente, fraturas da clavícula e punho são as mais frequentes, a maioria é de tratamento não cirúrgico e a boa notícia é que geralmente leva cerca de seis semanas para curar.

Estiramentos musculares devido a queda são menos frequentes, mas uma distensão pode causar perda de performance e esta ligada a ata taxa de recidiva. A tentação de voltar com os treinamentos intensos após levar um tombo é grande, mas jamais faça isso sem a consulta com um traumatologista do esporte.

Quando se trata de prevenção de acidentes, são imprescindíveis o conhecimento adequado da técnica do terreno no qual se pedala e o uso do trio de segurança: capacete, óculos e luvas, mesmo que o pedal seja nas ciclovias urbanas.

 

 

Dor Lombar

De longe é a queixa mais frequente no ciclista. As horas passadas com a coluna encurvada sobre o guidão, principalmente em bicicletas mal ajustadas leva ao estresse de estruturas nobres da coluna vertebral como ligamentos e os discos intervertebrais. Estudos biomecânicos demonstram que a pressão intra-discal chega a até 3x o peso corporal do individuo durante o pedal, predispondo a lesões comuns como protusões, hérnias e fissuras de disco, que, muitas vezes levam meses ou anos para a resolução e, em algumas vezes exigem tratamento cirúrgico. Soma-se a isso, mais sessões de flexão sobre as telas do computador no dia-dia e o problema atinge novos níveis. Muitas vezes os músculos da parte inferior das costas estão sobrecarregados, levando a mudanças de postura que podem afetar outras áreas, em particular, o músculo piriforme que começa na parte inferior das costas e se conecta à superfície superior do fêmur. A irritação aqui pode se apresentar como dor no quadril, ou dor irradiante na perna, pois o nervo ciático que vai da parte inferior das costas aos dedos dos pés pode ficar comprimido quando o piriforme é sobrecarregado.

 

As principais fatores a serem levados em conta são:

– Posição na bicicleta: Como já dito, postura errada pode levar a sobrecarga. Para se prevenir disso, existe o “bike fit” que ajusta a altura ideal do quadro, guidão e selim para a altura e biótipo do ciclista.

– Força no core: se seus músculos estabilizadores da bacia, pélvis e abdome não são suficientemente fortes, sua parte inferior das costas cairá na bicicleta, causando tensão excessiva. Trabalhar o core também tornara seu desempenho mais efetivo, pois suas pernas empurrarão os pedais de uma base mais forte!

 

 

Dor no joelho

A dor no joelho muitas vezes decorre de um problema de ciclagem. A dor anterior do joelho geralmente vem de um selim muito baixo e, portanto, com pressão excessiva na cartilagem da patela. Dor atrás do joelho ocorre normalmente quando o selim é muito alto, esticando e sobrecarregando os músculos posteriores da coxa, os isquiotibiais. Dores laterais e medianas podem ser causadas por se pedalar com os joelhos muito para dentro ou para fora.

 

 

Coluna cervical

 

Assim como na coluna lombar, dores no pescoço são causados por má postura. Idealmente, cerca de 60% do seu peso corporal deve estar posicionado na parte traseira da bicicleta e 40% na frente.  Períneo O fato de permanecer sentado no selim por períodos prolongados pode levar a lesões neurológicas do nervo, podendo acarretar desde perda de sensibilidade na área perineal até impotência sexual. Isso, é claro, relacionado ao tempo de exposição, tipo de banco, postura ao pedalar e predisposição própria do atleta.

 

 

Ombro

O conjunto músculo-tendíneo conhecido como manguito rotador “abraça” a cabeça do Úmero como uma mão agarrando uma bola de tênis. Tem a função de estabilizar o Úmero em seu íntimo contato com a glenóide e promover rotacionais. Durante seu funcionamento, em indivíduos com predisposição, pode haver o choque, ou“impacto” desta estrutura contra o prolongamento mais lateral da Escápula (Omoplata), o Acrômio, levando à Síndrome do Impacto. Esta doença, popularmente conhecida como “Bursite”, nada mais é que a tradução de uma tendinopatia degenerativa que, em estágios mais avançados, pode levar à ruptura dos tendões componentes do manguito rotador e, conseqüente perda de função.  A prevenção é o melhor remédio para as lesões do ombro. A correção de vícios de postura, fortalecimento muscular prévio e o acompanhamento de um instrutor da modalidade são imprescindíveis para um bom desempenho, livre de lesões.

 

 

Mãos

Ao pedalar, devido ao tempo excessivo do firme contato das mãos ao guidão da bike, poderão ser desencadeadas as Síndrome do Tunel do Carpo e Síndrome do Canal de Guyon, desencadeando o “formigamento” clássico de acordo com o nervo acometido.

Pessoalmente, considero o fortalecimento do CORE como uma atividade essencial na prevenção de lesões, particularmente através do pilates de solo.

 

 

Pedalar exige o tamanho adequado à sua altura, as pernas devem estar bem posicionadas para que ocorra um giro ideal e não provoque lesões a curto, médio e longo prazo; assim também como o selim, guidão e taquinho da sapatilha. Por isso, recomendo a avaliação “Bike Fit”, que além de prevenir lesões ainda aumenta em 30% a 35% a performance.

 

 

dr-adriano-leonardi-especialista-do-joelhoDR. ADRIANO LEONARDI

Médico ortopedista especialista em traumatologia do esporte e cirurgia do joelho. Médico e fisiologista do esporte. Presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Ambientes Remotos e Esportes de Aventura. + Conheça o Profissional

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