Dr. Adriano Leonardi

Artigos

A osteocondrite dissecante

A osteocondrite dissecante (OCD) do joelho é uma causa relativamente comum de dor e limitação funcional em criança e adolescente.

Tipicamente, a doença ocorre no joelho de atletas mirins envolvidos em esportes competitivos, submetidos a treinamentos intensos.

Trata-se de uma doença adquirida em que o osso subcondral (osso abaixo da cartilagem)torna- se avascular, ou seja, perde o suprimento sanguíneo, desestabilizando a cobertura cartilaginosa e,

se não ocorrer a reversão do processo (consolidação), o complexo osso-cartilagem, sujeito a forças de impacto

e de cisalhamento do esporte, pode separar-se completamente do

seu leito ósseo, determinando irregularidade articular e até a formação de corpos livres.

 

Classificação:

 

A OCD do joelho pode ser subdividida em duas formas:

 

1. Osteocondrite dissecante juvenil (OCDJ) – ocorre em atletas mirins com a cartilagem de crescimento aberta

2.  osteocondritedissecante do adulto (OCDA)- ocorre em atletas mirins com a cartilagem de crescimento fechada.

 

Quando não respondem satisfatoriamente

ao tratamento, ambas as formas apresentam tendência a sequelas tardias, inclusive a osteoartrose (OA).

 

 

Como a doença se apresenta?

 

A queixa básica é a dor e o inchaço do joelho afetado que pode ser exacerbada pela atividade física. Sensações de  estalidos e até bloqueios articulares podem ocorrer em casos de corpos livres articulares.

O processo apresenta-se entre 13 e 21 anos e os sinais físicos podem estar relacionados com o

local da lesão. A atrofia do músculo quadríceps (anterior da coxa) pode estar presente em casos

sintomáticos de longa duração.

O local mais comumente afetado é a face

posterolateral do côndilo femoral medial (75%) (figura 1), zona de carga (onde há transmissão de peso) dos côndilos femoral medial e lateral (20%) e

superfície patelar (5%).

Figura 1- área da lesão tipica da osteocondrite dissecante

A OCD da patela é rara (5%) e predomina no sexo masculino. Os sintomas são indefinidos com dor difusa, agravada pelo apoio e flexão. O inchaço durante ou após atividades excessivas e atrofia muscular precoce são sinais

que podem ocorrer associados à crepitação retropatelar. A tomografia computadorizada

e a ressonância magnética são importantes

para definir o local, a extensão e a viabilidade da lesão.

 

Diagnóstico

 

Os exames radiográficos simples, tomografia computadorizada (TC) e ressonância magnética (RM) são os mais importantes. A cintilografia com tecnécio 99 pode ser utilizada, inclusive para avaliar a tendência à resolução do processo; entretanto, esta técnica é

questionada pelo tempo de obtenção das imagens e pelo risco da administração do contraste.

 

B

C

Exame radiográfico da localização clássica da OCD na face posterolateral do côndilo femoral medial. (A) Incidência anteroposterior. (B)

Incidência de perfil. (C) Incidência posteroanterior (túnel).

 

Tratamento

 

1. Repouso e muletas

 

O sucesso  ocorre mais frequentemente antes do fechamento da cartilagem de crescimento. As lesões estáveis têm prognóstico

melhor.

As orientações incluem a medicação analgésica e

anti-inflamatória, a redução da carga (muletas) e a utilização de imobilizador .

A restrição total das atividades físicas pode determinar a resolução do processo em pacientes mais jovens.

A duração do tratamento conservador não está claramente estabelecida, mas provavelmente não deve ser prolongada além de seis meses, se não houver evidência de resolução clínica e por exames de imagem.

 

2. Tratamento cirúrgico

 

A cirurgia estará indicada nos casos em que o tratamento conservador falhar e para os casos de lesões instáveis ou deslocadas, em especial para a OCDA.

As opções cirúrgicas incluem: remoção simples do fragmento ou eventual corpo livre, perfurações simples do osso subcondral (drilling)- figura A, fixação do fragmento,

autoenxerto osteocondral (mosaicoplastia)- LINK PARA MOISAICOPLASTIA- figura C, e implante autólogo de condrócitos- figura B.

   A 

C

Referências bibliográficas

 

1. Magnussen RA, Carey JL, Spindler KP. Does operative fixation of an osteochondritis

dissecans loose body result in healing and long-term maintenance

of knee function? Am J Sports Med. 2009;37(4):754-9.

2. Cahill BR. Osteochondritis dissecans of the knee: treatment of juvenile and

adult forms. J Am Acad Orthop Surg. 1995;3(4):237-247.

3. Williams JS Jr, Bush-Joseph CA, Bach BR Jr. Osteochondritis dissecans of

the knee. Am J Knee Surg. 1998;11(4):221-32.

4. Crawford DC, Safran MR. Osteochondritis dissecans of the knee. J Am Acad

Orthop Surg. 4(3):123-33.

5. Fairbanks HAT. Osteochondritis dissecans. Br J Surg. 1933;21:67-82.

 

Importante: O conteúdo deste artigo é meramente informative e nao substitui uma consulta médica.Diagnósticos de lesões e opções de tratamento variam de pessoa para pessoa e dependem de fatores como sexo, idade, ocupação, etc, e portanto não devem ser generalizados. Consulte sempre seu médico. As informações deste site não devem ser utilizadas para auto-diagnóstico ou auto-tratamento.

 

Comente

2 comentários

  1. Andrea

    Olá. Meu filho tem 14 anos e está com osteocondrite no quadril.

    Responder
    • Dr. Adriano Leonardi

      Ola, Andrea.

      Se quiser traze-lo para avaliação, será um prazer poder ajuda-los.

      Responder