As lesões cartilaginosas são hoje o grande desafio da medicina esportiva moderna e, infelizmente afastam provisória ou definitivamente indivíduos da prática esportiva.

lesão cartilaginosa

A lesão da cartilagem (ou lesão condral) pode ocorrer por um trauma como contusão, queda de altura ou entorse. Uma vez lesada, há deterioração deste tecido, que perde a sua regularidade e plasticidade em variados gradientes. Estes estágios de alteração da integridade da cartilagem, vão desde o simples amolecimento, passando pela fissuração e fibrilação, até ao seu descolamento completo do osso subjacente, com desenvolvimento de verdadeiras crateras de dimensões variáveis, por vezes com alguns centímetros quadrados de superfície. E o resultado disso é a dor, que pode ser desencadeada durante o esporte ou pode progredir para atividades da vida diária. Além da dor, as lesões cartilaginosas cursam também com episódios de inchaço.

Uma característica importante da cartilagem é que, ao contrário de tecidos bem vascularizados, tem baixíssimo poder de cicatrização (baixo turn over) por ser um tecido avascular (sem vasos sanguíneos) e, uma vez lesado, degenera e causa sintomas, muitas vezes afastando definitivamente o indivíduo do esporte.

Historicamente, inúmeros procedimentos cirúrgicos foram desenvolvidos visando a regeneração da área lesada, sendo a micro-fratura a mais popular, realizada por vídeo-artroscopia.

Apesar da maioria dos procedimentos estarem ligados a taxas razoavelmente boas de sucesso, os resultados insatisfatórios levaram ao aumento de estudos sobre a lesão cartilaginosa, levando-se à conclusão de que, muitas vezes, a dor vem nao somente da lesão cartilaginosa em si, mas também do osso logo abaixo dela, denominado “osso subcondral”. Ou seja, o tecido ósseo torna-se sobrecarregado e incha, resultando no que nós ortopedistas chamamos de edema ósseo, ou bone bruise na língua inglesa. Esta lesão é facilmente vista em imagens de ressonância magnética (figura 1) e é mais frequente em mulheres devido à baixa massa óssea, se comparado ao sexo masculino.

edema osseo

Tendo este conceito em mente, o procedimento denominado subcondroplastia foi recentemente desenvolvido visando o preenchimento desta lesão óssea, para que haja cicatrização do leito ósseo logo abaixo do defeito cartilaginoso. O procedimento é realizado com o paciente anestesiado com instrumental próprio e sob auxilio de radioscopia dinâmica (figuras 2 e 3).

Figura 2- O desenho mostra o preenchimento do defeito ósseo pelo cimento biológico.

Figura 2- O desenho mostra o preenchimento do defeito ósseo pelo cimento biológico.

 

figura 3- guia próprio para se ter acesso ao defeito ósseo.

figura 3- guia próprio para se ter acesso ao defeito ósseo.

 

Segundo a Academia americana de cirurgiões ortopédicos (AAOS), indicações para o procedimento incluem:

  • Ausência de artrose
  • Lesão focal de 1 a 4 cm2.
  • Falha de procedimentos prévios como as micro-fraturas
  • Pacientes que evoluíram com algum grau de edema ósseo apos procedimentos ortopédicos.

 

Apesar de ser relativamente nova, resultados de estudos são encorajadores entrando no arsenal do tratamento das lesões cartilaginosas, facilitando o retorno ao esporte.

 

 

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