Dr. Adriano Leonardi

Artigos

A técnica de sutura pode “salvar” o menisco lesionado

Conforme dito em outro artigo, o menisco é uma estrutura fibro-cartilaginosa e tem basicamente a função de amortecer forças aplicadas ao joelho em todo o arco de movimento. Chama a atenção o que chamamos de “anatomia vascular do menisco”: estudos demonstraram que sua periferia é bem irrigada; por isso chamada de “zona vermelha” e sua região central nao, recebendo nutrientes por embebição; por isso chamada de “zona branca”.

 

Anatomia dos meniscos do joelho

 

+ As 10 principais causas de inchaço nos joelhos

 

As lesões meniscais causam sintomas característicos como dor bem localizada com períodos de alívio e agravo a determinados movimentos como agachar e cruzar as pernas, inchaço, e bloqueio (travamento).

As lesões podem ser descritas como sendo completas ou incompletas, estáveis ou instável e de vários padrões.

O tratamento de uma lesão meniscal dependerá de sua localização, tamanho, tempo de ocorrência, idade e ligação ao esporte do paciente.

Classicamente, a lesão meniscal é tratada por artroscopia com a retirada do fragmento lesionado, popularmente conhecida como “limpeza meniscal”.

Na grande maioria dos casos, este procedimento é suficiente para aliviar a dor e queixas de travamento e faz com que atletas profissionais retornem ao esporte em 10 a 15 dias pos-operatórios. No entanto, as pesquisas realizadas nos últimos 20 anos mostram que a grande maioria dos pacientes submetidos a este procedimento apresentam algum grau de artrose do joelho, embora a maioria não sinta nada.

O consenso mundial hoje é que deve-se ao máximo preservar o menisco em pacientes jovens com lesões extensas e nos casos em que há desvio de eixo (pernas tortas), pois estes casos podem evoluir mais rápido para degeneração (desgaste) e se tornarem de difícil tratamento.

Frente a isso, visando preserva-se ao máximo o menisco, técnicas de sutura (costura) vem sendo desenvolvidas.

 

As indicações para a sutura de menisco incluem:

– Lesões longitudinais periféricas < 3 cm

– Lesões da transição vermelho-branca em area de 3-5 mm da periferia

– Lesão traumática aguda em pacientes jovens

+ A lesão meniscal em corredores de rua

 

Contra-indicações:

– A instabilidade ligamentar é uma contra-indicação relativa para suturar o menisco, ou seja, em pacientes que possuem lesão ao ligamento cruzado anterior, o reparo isolado do menisco não deve ser feito, mas sim junto a cirurgia de reconstrução do ligamento.

–  Lesões degenerativas (do envelhecimento)

–  Lesões na zona branca avascular.

Existem diversas  técnicas cirúrgicas e vários dispositivos para o reparo meniscal por artroscopia. A melhor delas é sempre a que o cirurgião esta acostumado.

São elas:

Ilustração de uma sutura meniscal

– Técnica de reparo medial

– Técnica de reparo laterais

– Desbridamento meniscal

– Técnica de fora para dentro

– Técnica de dentro para fora

– Técnica “all inside”

 

 

Durante a sutura meniscal, o cirurgião pode ainda fazer uso do coágulo de fibrina ou de plasma rico em plaquetas (PRP- ainda em estudo) a fim de se criar estímulo biológico maior para que a cicatrização da lesão ocorra.

 

Aspecto pré e pós operatorio de uma sutura de menisco

Como é o período pós-operatório?

Costuma ser uma pouco mais “chatinho” quando comparado `a meniscectomia (limpeza meniscal) pelo fato de se manter o par de muletas pelo período de 6 semanas.

Neste período, o fisioterapeuta realiza a eletro-estimulação do músculo quadríceps, mantém o arco de movimento e analgesia. Apos as 6 semanas, dá-se sequência ao ganho de força e agilidade, direcionados ao esporte e o retorno `as atividades físicas da-se de 4 a 6 meses.

Infelizmente, nos casos em que a cicatrização nao ocorre, uma nova artroscopia é necessária para se retirar o fragmento lesionado, seguido da reabilitação tradicional e retorno ao esporte.

 

Referências bibliográficas

1. Fairbank, T.J. Knee Joint changes after Meniscectomy. J Bone Joint Surg 30B:4 664-671 1948

2. Fauno, P. and Nielsen, M.D. Arthroscopic Partial Meniscectomy: A Long-term Follow-up. Arthroscopy 8:3 345-349 1992

3. Arnoczky, S.P. and Warren, R.F. Microvasculature of the Human Meniscus. Am J Sports Med. 10:2 90-95 1982

4. Henning, C.H.m Lynch, M,A, et al. Arthroscopic Meniscal Repair Using an Exogenous Fibrin Clot. Clin. Orthop 252:65-72 March 1990

5. Dilworth Cannon, W. and Vittori, J.M. The Incidence of Healing in Arthroscopic Meniscal Repairs in Anterior Cruciate Ligament-Reconstructed Knees versus Stable Knees. Am J Sports Med. 20:2 177-181 1992

6. Tenuta, J.J. and Arciero, R.A. Arthroscopic Evaluation of Meniscal Repairs – Factors that effect healing. Am J Sports Med. 22:6 797-802 1994

 

dr-adriano-leonardi-especialista-do-joelhoDR. ADRIANO LEONARDI

Médico ortopedista especialista em traumatologia do esporte e cirurgia do joelho. Médico e fisiologista do esporte. Presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Ambientes Remotos e Esportes de Aventura. + Conheça o Profissional

Comente

1 comentário

  1. Luis Carlos

    Bom dia ,gostei das informaçoes obtidas, agora tenho que procurar tratamento.
    Obrigado.

    Responder