Dr. Adriano Leonardi

Artigos

Artroscopia do Joelho

História
A história das sucessivas tentativas, de olhar através de um tubo iluminado, para dentro de uma cavidade natural, reporta-nos a Viena, a 1806 e a Phillip Bozzini. A esta atitude, que desde essa altura se tem vindo a desenvolver para atingir o interior das várias cavidades naturais e melhor as poder estudar, chamou-se em 1853, e possivelmente com Desormeaux, endoscopia.

Em 1934, M.S. Burman, médico em Nova Iorque, publicou um artigo em que se descrevia pela primeira vez e claramente definida, a técnica da artroscopia. A descrição sistemática da inspeção do joelho era apresentada com muita clareza, bem como, as principais complicações possíveis, resultantes da técnica. Burman propunha ainda, a utilização da solução de Ringer,uma espécie de soro para fazer a distensão articular, solução que apesar de ultrapassada, ainda hoje é usada por alguns cirurgiões. Como indicações de utilização prática, realçava o uso da artroscopia, nas artrites do joelho e avaliação de lesões meniscais.

Depois de 1950 e tal como no inicio, o maior ímpeto e desenvolvimento, surgiu no Japão e precisamente com um seguidor de Tagaki, o Prof. M. Watanabe. A publicação do seu primeiro atlas de artroscopia, foi um marco importante, bem assim como o aparecimento do seu artroscópio nº 21, em 1960, instrumento que pelas suas características se espalhou pelo mundo e veio a motivar inúmeros cirurgiões, a tal ponto que em 1973, surgiu o primeiro curso de instrução artroscópica. Este teve lugar na Universidade de Pensilvânia e o seu sucesso foi tão significativo, que logo no ano seguinte se realizou o segundo.

Assim chegou-se a 1978 e com O’Connor surgiram os primeiros cursos de cirúrgica artroscópica, que pela sua inovação renovaram o entusiasmo geral, já que apesar de vir a ser praticada há algum tempo, nomeadamente por Robert Metcalf, Lanny Johnson e J. Dandy, era desconhecida na sua quase totalidade, bem como o seu próprio armamentário ( instrumental cirúrgico miniaturizado ). Com estes cursos, estava definitivamente implantada a artroscopia, como técnica de diagnóstico e cirúrgica, fundamentalmente. Desde então, a cirurgia artroscópica tem-se desenvolvido tão consistentemente, quer nas suas utilizações cirúrgicas, quer no aperfeiçoamento do seu instrumental, que cremos ser razoável afirmar, não ser possível a qualquer clínica ortopédica, deixar de a incluir na sua rotina diária de trabalho.

 

O artroscópio
Fundamentalmente e apesar de pequenas variações existentes de marca para marca, o artroscópio é um simples cilindro, com uma lente de ampliação em cada extremidade. A lente colocada na extremidade articular é a objetiva e a da extremidade contrária, é a ocular. Estas duas lentes, entre si, são separadas uma da outra, por séries de lentes, que estão preparadas de forma a transmitir a imagem vinda da articulação para o olho.
Todo este sistema de lentes por sua vez e que ocupa a totalidade da extensão do artroscópio, é rodeado por finas fibras ópticas, meio de transmissão da luz, proveniente da uma fonte luminosa e fundamentalmente para a visualização do interior da articulação. A sua ocular, está estruturada e preparada para permitir a adaptação, a sistemas de registro de imagem. Os mais utilizados, são o vídeo e a fotografia. Aquele apresenta hoje pequeníssimas câmaras digitais, que fazem prever em futuro próximo a solidarização definitiva dos dois instrumentos.

 

Indicações
As indicações para a prática da cirurgia artroscópica, estão hoje bem estabelecidas e são por isso bem conhecidas de todo o cirurgião ortopédico com adequada prática da técnica. De qualquer modo é importante salientar que a artroscopia, apesar de contribuir para o diagnóstico, não dispensa nunca a mais aturada avaliação clínica.

 

As principais indicações incluem:
• Rupturas de menisco,
• lesão dos ligamentos cruzados anterior e posterior
• lesão cartilaginosa e osteocondral (osso e cartilagem)
• corpos livres intra-articulares
• osteocondrite dissecante
• osteocondromatose
• Artrite reumatóide
• Sinovite vilonodular pigmentada
• Hemangioma
• Cirurgia da condromalacia patelar
• Tratamento da artrose

 

Imagem observada durante uma artroscopia do joelho. Na ponta do gancho, observa-se uma lesão longitudinal do menisco.

 

 

Vantagens
A artroscopia é, sem dúvidas um procedimento mais simples, menos invasivo e provoca menos transtornos do que a chamada “cirurgia aberta, na qual pele, subcutâneo, cápsula articular são abertos. A maioria dos pacientes que é submetida à este procedimento recebe alta hospitalar horas após (day hospital), reduzindo os custos hospitalares e o período de afastamento das atividades profissionais e esportivas.

 

Complicações
São muito raras, se comparadas aos outros procedimentos ortopédicos e perfazem menos de 1% das cirurgias. Incluem trombose venosa profunda, sangramento articular, conhecida como hemartrose, infecção articular e artrofibrose, uma espécie de contratura articular com perda de movimento. Assim como qualquer outro procedimento cirúrgico podem ser evitados pelo treinamento do cirurgião e equipe e afastando-se fatores individuais predisponentes.

Imagem mostrando os portais da artroscopia do joelho, popularmente conhecidos como “furinhos”.

 

Na imagem, a equipe médica realiza o procedimento.

 

 

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DR. ADRIANO LEONARDI

Médico ortopedista especialista em traumatologia do esporte e cirurgia do joelho. Médico e fisiologista do esporte. Presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Ambientes Remotos e Esportes de Aventura. + Conheça o Profissional

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