Dr. Adriano Leonardi

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Avanços no uso de células-tronco na artrose do joelho

A artrose do joelho é uma doença articular comum e progressiva caracterizada por deterioração gradual da cartilagem articular e inflamação dos tecidos adjacentes. No Brasil, estima-se que 9 milhões de pessoas sofram da doença cujo tratamento varia de tratamento conservador à intervenção cirúrgica, incluindo prótese total do joelho. Nos últimos anos, o número e o custo desta cirurgia aumentaram dramaticamente no Brasil e no mundo.

Apesar de, quando bem indicada e realizada, a prótese total de joelho esta associada altas taxas de suecesso com satistisfaçao plena dos pacientes, esta associada também associada a complicações significativas, incluindo trombose venosa profunda e infecção, bem como rigidez articular pós-cirúrgica e atrofia muscular. Tudo isso levou a grande maioria dos cirurgiões de joelho no mundo a serem unanimes em dizer que a prótese total de joelho deve ser sempre a última alternativa”. Pessoalmente, sou favorável a este pensamento.

Procedimentos alternativos tem surgido no passar dos anos sempre no intuito de se amenizar sintomas e, de certa forma agir alterando a evolução natural da doença.

Estudos recentes tem focado no ácido hialurônico, cuja molécula tem sido alterada e associada a diversos sais como o sorbitol e manitol. Alguns autores sugerem fortemente o seu uso na prevenção da artrose em pacientes jovens que ja sofreram algum tipo de lesão no joelho.

O plasma rico em plaquetas (PRP) também tem sido estudado. Acredita-se que esteja ligado a processos regenerativos pelo poder biológico de atrair células-tronco ao local da lesão. Apesar de largamente utilizado na Europa, tem uso limitado no Brasil por ser considerado experimental.

Nos últimos 5 anos, com o avanço das pesquisas em terapia celular (ou terapia regenerativa), o uso das células-tronco no tratamento de lesões degenerativas como a artrose tem sido melhor compreendido e utilizado.

Nos seres humanos, as células-tronco são isoladas do aspirado da medula óssea que normalmente é colhida da crista ilíaca superior da pelve através de um instrumento denominado trocarte. A composição destas células nucleadas é diversa, incluindo células estaminais mesenquimais (MSCs), Células-tronco hematopoéticas (HSCs), células precursoras de monócitos, Macrófagos, células T, células B, etc. Acredita-se que a ação dessas células, atuando de forma isolada e simbiótica, uma vez introduzidas em articulações artríticas pode ajudar a melhorar a dor e a função, reabastecendo as estruturas articulares danificadas e proporcionando uma redução da resposta inflamatória que destrói a articulação, aliviando os sintomas e progressão da doença.

Modelo esquemático do local da coleta do aspirado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As células-tronco tem a capacidade de se diferenciar em vários tipos de células, incluindo cartilagem, ligamento, tendão, osso e gordura . Estudos veterinários prévios demonstraram cicatrização de cartilagem após o tratamento da osteoartrite articular com células-tronco expandidos de alta dose.

numerosas questões, incluindo em que medida as outras células nucleadas na medula óssea afetam a cicatrização do tecido e se existe uma dose ótima de células BMC para o tratamento mais eficaz da osteoartrite articular.

 

Sobre o procedimento

 

Duas semanas antes da injeção do aspirado contendo células-tronco, os pacientes devem evitar o uso de corticosteróides e antiinflamatórios não esteróides (AINEs), pois isso reduz a cicatrização. No dia do procedimento, aproximadamente 10-15 cc de aspiração total de medula óssea é coletada da Crista Iliaca do paciente. Sob condições estéreis, todo o aspirado da medula óssea é centrifugado sequencialmente, e as células nucleadas resultantes contidas são isoladas para a injeção pelo biomédico.

A seguir, é realizada uma infiltração simples do joelho, assegurando-se que o material esteja intra-articular.

 

A imagem mostra o aspirado inicial da medula óssea rica em células-tronco mosenquimais.

 

Conclusões

 

Protocolos recentes de coleta, centrifugação e preparo do aspirado da medula óssea tem sido lançados e modificados, tornando o procedimento, de certa forma, “artesanal”, exigindo treinamento e atualizações frequentes da equipe que se predispõe a realizar este tratamento, sempre muito atentos a possíveis falhas e efeitos colaterais.

Estudos recentemente publicados são extremamente animadores quanto diferenciação das células-tronco em tecido cartilaginoso sadio, tornando a técnica promissora nos casos de artrose de joelho em estágio inicial e intermediário.

 

dr-adriano-leonardi-especialista-do-joelhoDR. ADRIANO LEONARDI

Médico ortopedista especialista em traumatologia do esporte e cirurgia do joelho. Médico e fisiologista do esporte. Presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Ambientes Remotos e Esportes de Aventura. + Conheça o Profissional

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6 comentários

  1. Roseli

    Dr. Adriano, sou de Sinop/MT e tenho artrose bilateral. Venho há tempos acompanhando seus trabalhos e gostei desse procedimento de células tronco. Gostaria de experimentar. O senhor faz? Gostaria de saber quanto custa o procedimento, pois tenho os dos joelhos para fazer. Obrigada.

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    • Dr. Adriano Leonardi

      oi, Roseli.
      Minha secretaria vai entrar em contato com a senhora.

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  2. José Wagner

    Dr. Adriano,
    muito obrigado por tudo! O sr é muito competente!
    meu joelho ficou excelente!
    ja estou de volta a minha cidade e mes que vem, estou aí de volta

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    • Dr. Adriano Leonardi

      obrigado, José!!

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  3. Iara

    Boa tarde
    Gostaria de saber se esse procedimento é indicado p/ um senhor de 94 anos e com joelho em estado avançado de artrose. Grata

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    • Dr. Adriano Leonardi

      oi, Iara.
      Mesmo com a doença em estagio avançado, pode ser muito efetivo no alivio de sintomas.

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