A Bursite trocantérica é uma lesão muito frequente em esportistas, principalmente entre mulheres entre 35 a 60 anos de idade. O esporte mais ligado à lesão é, disparadamente a corrida de rua. Segundo alguns autores, a chance de uma mulher corredora desenvolve-la, esta entre 4 a 9x em relação ao homem para o mesmo volume e intensidade de treino.

 

Anatomia

A lesão ocorre em uma proeminência óssea do Fêmur denominada grande trocanter. Nela se insere o músculo glúteo médio, responsável por evitar a queda da Bacia quando o membro contra-lateral está elevado no ar, dando um passo para frente (figura 1).

 

Para auxiliar o Glúteo médio, uma forte estrutura fibrosa localizada na porção lateral do quadril, denominada fáscia lata passa rente ao Grande trocanter. Entre estas estruturas, uma bolsa contendo um líquido viscoso chamado “bursa trocantérica” evita a fricção e o atrito excessivo entre elas.

 

 

 

Logo abaixo do grande trocanter, insere-se o tendão do músculo glúteo máximo, um potente extensor do quadril. Durante a marcha, este tendão joga a bursa contra o grande trocanter, aumentando sua pressão, predispondo a irritação e inflamação (figura 2)

 

 

 

Por que desenvolvi este problema?

A bursite trocantérica é uma reação inflamatória da bursa trocantérica que atinge mais frequentemente mulheres dos 35 aos 60 anos e os sintomas ocorrem quando a fáscia lata a comprime contra o grande trocanter. Geralmente, isso ocorre quando a coxa se encontra flexionada, quando a pessoa está andando ou correndo. No início, dói apenas durante a prática esportiva, mas, pode haver progressão, doendo também ao repouso e irradiando para o terço médio da coxa (figura 3).

 

Fatores de risco:

– Encurtamento de fascia lata
– Encurtamento do tendão do músculo glúteo máximo
– Fraqueza do músculo glúteo médio
– Diferença de comprimento entre os membros inferiores
– Doença pré-existente da coluna vertebral : artrose, escoliose, hiperlordose

Atividades físicas que podem desenvolver a doença são: a corrida, o ciclismo, triatlon e, eventualmente, alguns exercícios na musculação, pois são atividades de esforço repetitivo e podem desencadear os micro-traumas de repetição, ou lesões por overuse. Esportes de contato podem causar a bursite de maneira súbita após queda sobre o grande trocanter. Isso se dá devido à hemorragia na bursa, aumento de volume e, consequentemente, aumento da fricção local.

 

Diagnóstico

A investigação de bursite trocantérica começa com uma história detalhada dos sintomas e da prática esportiva do indivíduo. Fatores importantes a serem relatados ao médico incluem deformidades e cirurgias prévias no quadril tratadas na infância. Qualquer doença pré-existe do quadril poderá comprometer a biomecânica do quadril e, obviamente, desenvolver atrito anormal na bursa. No consultório, serão mensurados os comprimentos dos membros e a flexibilidade da musculatura ao redor do quadril.
A radiografia simples auxilia na investigação de doenças pré-existentes do quadril e o exame gold standart para avaliar a bursite e as possíveis tendinites associadas de quadril é a ressonância nuclear magnética.

 

Tratamento

A grande maioria das pessoas se beneficiam com o tratamento fisioterápico, onde o trabalho de melhoria de força, flexibilidade de rotadores de quadril, treino de coordenação motora e reeducação da postura global aliviam sintomas e previnem a recidiva.
Em alguns casos, onde a dor persiste durante o treino, uma infiltração de cortisona de depósito diretamente na bursa é um instrumento valioso para o alívio de sintomas.
A cirurgia para o tratamento da bursite trocantérica é extremamente rara. Quando indicada, é realizada a retirada de bursa, ou qualquer abaulamento e espícula óssea que pode ter causado a doença.
Após melhoria de sintomas e retorno gradual ao esporte, é imprescindível que a prática esportiva seja acompanhado por um treinador, pois a técnica inadequada de treino é, de longe, a grande responsável pela fricção anormal da bursa e desenvolvimento de sintomas.

 

Importante: O conteúdo deste artigo é meramente informativo e não substitui uma consulta médica. Diagnósticos de lesões e opções de tratamento variam de pessoa para pessoa e dependem de fatores como sexo, idade, ocupação, etc, e portanto não devem ser generalizados. Consulte sempre seu médico. As informações deste site não devem ser utilizadas para auto-diagnóstico ou auto-tratamento.

 

Referências Bibliográficas
1. Foley, Brenda A., and Theodore A. Christopher. “Chapter 52: Injection Therapy of Bursitis and Tendinitis.” Clinical Procedures in Emergency Medicine. Eds. James R. Roberts, et al. 5th ed. Saunders Elsevier, 2009. MD Consult. Elsevier, Inc. 20 Nov. 2009
2. Foye, Patrick M., and Todd Stitik. “Trochanteric Bursitis.” eMedicine. Eds. Rajesh R. Yadav, et al. 1 Oct. 2009. Medscape. 18 Nov. 2009
3. Fredericson, Michael, and Kelvin Chew. “Chapter 54: Trochanteric Bursitis.” Frontera: Essentials of Physical Medicine and Rehabilitation. Eds. Walter R. Frontera, et al. 2nd ed. Philadelphia: Saunders Elsevier, 2008. MD Consult. Elsevier, Inc. 20 Nov. 2009
4. Garry, Joseph P., and Walter L. Jenkins. “Snapping Hip Syndrome.” eMedicine. Eds. Andrew D. Perron, et al. 15 Jun. 2006. Medscape. 19 Nov. 2009

 

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