Dr. Adriano Leonardi

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Bursite trocantérica do quadril

A Bursite trocantérica é uma lesão muito frequente em esportistas, principalmente entre mulheres entre 35 a 60 anos de idade. O esporte mais ligado à lesão é, disparadamente a corrida de rua. Segundo alguns autores, a chance de uma mulher corredora desenvolve-la, esta entre 4 a 9x em relação ao homem para o mesmo volume e intensidade de treino.

 

Anatomia

A lesão ocorre em uma proeminência óssea do Fêmur denominada grande trocanter. Nela se insere o músculo glúteo médio, responsável por evitar a queda da Bacia quando o membro contra-lateral está elevado no ar, dando um passo para frente (figura 1).

 

Para auxiliar o Glúteo médio, uma forte estrutura fibrosa localizada na porção lateral do quadril, denominada fáscia lata passa rente ao Grande trocanter. Entre estas estruturas, uma bolsa contendo um líquido viscoso chamado “bursa trocantérica” evita a fricção e o atrito excessivo entre elas.

 

 

 

Logo abaixo do grande trocanter, insere-se o tendão do músculo glúteo máximo, um potente extensor do quadril. Durante a marcha, este tendão joga a bursa contra o grande trocanter, aumentando sua pressão, predispondo a irritação e inflamação (figura 2)

 

 

 

Por que desenvolvi este problema?

A bursite trocantérica é uma reação inflamatória da bursa trocantérica que atinge mais frequentemente mulheres dos 35 aos 60 anos e os sintomas ocorrem quando a fáscia lata a comprime contra o grande trocanter. Geralmente, isso ocorre quando a coxa se encontra flexionada, quando a pessoa está andando ou correndo. No início, dói apenas durante a prática esportiva, mas, pode haver progressão, doendo também ao repouso e irradiando para o terço médio da coxa (figura 3).

 

Fatores de risco:

– Encurtamento de fascia lata
– Encurtamento do tendão do músculo glúteo máximo
– Fraqueza do músculo glúteo médio
– Diferença de comprimento entre os membros inferiores
– Doença pré-existente da coluna vertebral : artrose, escoliose, hiperlordose

Atividades físicas que podem desenvolver a doença são: a corrida, o ciclismo, triatlon e, eventualmente, alguns exercícios na musculação, pois são atividades de esforço repetitivo e podem desencadear os micro-traumas de repetição, ou lesões por overuse. Esportes de contato podem causar a bursite de maneira súbita após queda sobre o grande trocanter. Isso se dá devido à hemorragia na bursa, aumento de volume e, consequentemente, aumento da fricção local.

 

Diagnóstico

A investigação de bursite trocantérica começa com uma história detalhada dos sintomas e da prática esportiva do indivíduo. Fatores importantes a serem relatados ao médico incluem deformidades e cirurgias prévias no quadril tratadas na infância. Qualquer doença pré-existe do quadril poderá comprometer a biomecânica do quadril e, obviamente, desenvolver atrito anormal na bursa. No consultório, serão mensurados os comprimentos dos membros e a flexibilidade da musculatura ao redor do quadril.
A radiografia simples auxilia na investigação de doenças pré-existentes do quadril e o exame gold standart para avaliar a bursite e as possíveis tendinites associadas de quadril é a ressonância nuclear magnética.

 

Tratamento

A grande maioria das pessoas se beneficiam com o tratamento fisioterápico, onde o trabalho de melhoria de força, flexibilidade de rotadores de quadril, treino de coordenação motora e reeducação da postura global aliviam sintomas e previnem a recidiva.
Em alguns casos, onde a dor persiste durante o treino, uma infiltração de cortisona de depósito diretamente na bursa é um instrumento valioso para o alívio de sintomas.
A cirurgia para o tratamento da bursite trocantérica é extremamente rara. Quando indicada, é realizada a retirada de bursa, ou qualquer abaulamento e espícula óssea que pode ter causado a doença.
Após melhoria de sintomas e retorno gradual ao esporte, é imprescindível que a prática esportiva seja acompanhado por um treinador, pois a técnica inadequada de treino é, de longe, a grande responsável pela fricção anormal da bursa e desenvolvimento de sintomas.

 

Importante: O conteúdo deste artigo é meramente informativo e não substitui uma consulta médica. Diagnósticos de lesões e opções de tratamento variam de pessoa para pessoa e dependem de fatores como sexo, idade, ocupação, etc, e portanto não devem ser generalizados. Consulte sempre seu médico. As informações deste site não devem ser utilizadas para auto-diagnóstico ou auto-tratamento.

 

Referências Bibliográficas
1. Foley, Brenda A., and Theodore A. Christopher. “Chapter 52: Injection Therapy of Bursitis and Tendinitis.” Clinical Procedures in Emergency Medicine. Eds. James R. Roberts, et al. 5th ed. Saunders Elsevier, 2009. MD Consult. Elsevier, Inc. 20 Nov. 2009
2. Foye, Patrick M., and Todd Stitik. “Trochanteric Bursitis.” eMedicine. Eds. Rajesh R. Yadav, et al. 1 Oct. 2009. Medscape. 18 Nov. 2009
3. Fredericson, Michael, and Kelvin Chew. “Chapter 54: Trochanteric Bursitis.” Frontera: Essentials of Physical Medicine and Rehabilitation. Eds. Walter R. Frontera, et al. 2nd ed. Philadelphia: Saunders Elsevier, 2008. MD Consult. Elsevier, Inc. 20 Nov. 2009
4. Garry, Joseph P., and Walter L. Jenkins. “Snapping Hip Syndrome.” eMedicine. Eds. Andrew D. Perron, et al. 15 Jun. 2006. Medscape. 19 Nov. 2009

 

dr-adriano-leonardi-especialista-do-joelhoDR. ADRIANO LEONARDI

Médico ortopedista especialista em traumatologia do esporte e cirurgia do joelho. Médico e fisiologista do esporte. Presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Ambientes Remotos e Esportes de Aventura. + Conheça o Profissional

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12 comentários

  1. Cassio

    Olá,
    Tenho um dúvida.
    Não tenho certeza se tenho bursite trocantérica, mas sempre que eu jogo futebol – como sou goleiro – acabo batendo muito essa região, e ao final do jogo ela fica muito inchada e dolorida.

    Gostaria de saber se com o tratamento é possível voltar a jogar normalmente ou se devo cuidar os traumas nesse região?

    Desde já agradeço a ajuda.
    Obrigado!

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    • Dr. Adriano Leonardi

      Oi, Cassio!
      A bursite trocanterica traumatica é uma lesao comum entre goleiros e tem uma genese bem diferente da doença na mulher.
      Se voce esta tendo muito esta lesao, o ideal primeiro tratar a lesao por recursos de fisioterapia (ultrassom e leser) ou pela terapia de ondas de choque (TOC) e, posteriormente, protejer melhor a area.
      Algumas importadoras trazer a proteçao de quadril para goleiros e, infelizmente, o produto é escasso no Brasil.
      Grande abraço!

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  2. Laise

    Ola Dr, tive uma bursite trocanterica ha 2 meses atras e agora voltou novamente ainda mais dolorida. So melhoro com repouso e medicação mas demora no minimo 7 dias para que eu consiga trabalhar e nos primeiros dias a dor é muito forte que quase chego a desmaiar. Estou preocupada em continuar sempre a ter essas dores horriveis e a ficar sem trabalhar, sou empresaria e meu sustento depende do meu trabalho. Notei que nas 2 crises foi logo apos carregar muito peso. Não sou esportista e tenho 54 anos. O que o Sr. me aconselha, a procurar um especialista mas qual? um reumato ou um orto? não quero fazer fisioterapia pois conheço varias pessoas que fizeram e não adiantou nada. Quero curar a causa e evitar que ela se torne cronica. O Sr. trata disso? posso procura-lo? muito agradecida e abraços

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    • Dr. Adriano Leonardi

      Ola, sra. Laise.
      Trato desta doença tambem.
      se a sra quiser passar em meu consultorio, o telefone é (11) 2507 9021.

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  3. Cristiane

    Tenho uma irmã que sente muitas dores no quadril, como fazer para se consultar com o dr, somos de Sergipe.

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  4. Rafael

    Olá Dr,
    A bursite trocantérica é uma doença permanente? ou, depois de tratada, as lesões somem como se nunca tivesse existido.

    Obrigado.

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  5. Nilza Martin Molina Barbosa

    Prazer conhecê-lo, via Internet. Li este seu artigo –Bursite Trocant. do Quadril, e encontrei nele respostas p/ dores, iguais, semelhantes, às que venho sentindo, e que me deixam extremamente angustiada, pelas dores e irritabilidade que elas provocam, limitacão do meu andar, e mais terrível ao dormir, pois, o problema é bilateral. Só que tenho arritmia atrial e tomo anticoagulante, 2x/Dia. Nào me atrai, de jeito nenhum, fazer fisioterapia. Tenho 70 anos e 11 meses!
    Para sua consulta, gostaria de saber se posso ser atendida pelo Convenio Cassi, e assim poderei agendar. Parabens pelo texto acima, elucidativo e de compreensível leitura.
    Obrigada pela atencão, no aguardo de uma resposta, Nilza

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    • Dr. Adriano Leonardi

      Boa noite.
      Para melhor atendimento e seguimento dos meus pacientes, não atendo planos de saúde em minha clinica.

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  6. Marcelo Kuriyama

    Ola Dr gostaria de saber se existe relacao entre hernia de disco na regiao lombar e bursite trocanterica. Devido a hernia comecei a andar meio de lado, mancando as vezes e forcando muito o lado esquerdo. Todos os sintomas que eu sinto no quadril sao semelhantes aos descritos no seu site. Mas especialmente na hora de dormir a dor e terrivel bem na regiao do trocanter. Sera que so a hernia causa dor nessa area?

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    • Dr. Adriano Leonardi

      Ola, Marcelo.
      Pode ser que vc esteja com a síndrome do piriforme, que simula muito a bursite e cursa com ciática.
      Se puder passar em consulta comigo, será um prazer poder te ajudar.

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