Dr. Adriano Leonardi

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Osteotomia da tibia - dr Adriano Leonardi - Especialista do Joelho

Cirurgia de osteotomia da tíbia: uma opção segura para a artrose em pacientes jovens

Com o envelhecimento da população mundial, doenças degenerativas como a artrose do joelho tem se tornado cada vez mais comum. Muitos fatores estão relacionados com o seu aparecimento e seu desenvolvimento, dentre eles o envelhecimento, excesso de peso ou de trabalho na articulação acometida, exercícios que exijam impacto repetitivos sobre a articulação (como saltos), história familiar e tabagismo. Seu impacto econômico é enorme, graças à incapacidade que provoca nos pacientes. Encontram-se evidências de artrose em alguma articulação na maioria das pessoas acima dos 65 anos. Mais de 80% daqueles acima dos 75 anos são acometidos pela artrose, ou seja, a prevalência da doença aumenta com a idade. Mulheres atletas têm aproximadamente o dobro de propensão em comparação com os homens, e tratando-se de mulheres negras, essas têm o dobro de propensão à artrose no joelho em comparação com mulheres brancas.

 

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Conforme já descrito em outros artigos neste site, existe uma ampla variedade de tratamentos para a doença. Pessoalmente, considero como “gold standart” qualquer procedimento em que a articulação seja preservada, incluindo a fisioterapia, com ênfase no fortalecimento muscular, infiltrações articulares com ácido hialurônico (viscossuplementação), artroscopia e indico sempre como último recurso a prótese total de joelho.

Nos casos em que a artrose acomete o paciente jovem, ativo, que deseja manter sua prática esportiva com artrose isolada do compartimento medial (de dentro do joelho) associada à deformidade em varo do joelho (“joelho de cowboy”), no qual os tratamentos tradicionais foram ineficazes, sem dúvidas, a cirurgia de osteotomia tibial pode ser uma saída eficaz.

 

Afinal, o que é o Geno Varo (Genum Varum)

Exemplo de um geno varo

Exemplo de um geno varo

O GENO VARO é uma deformidade resultante de diminuição do espaço articular medial (de dentro), desviando medialmente (para dentro) o eixo mecânico do membro inferior. A tensão anormal sobre o compartimento de dentro da articulação resulta em perda progressiva de cartilagem e osso, que por sua vez aumenta a deformidade.A artrose da do joelho com deforrnidade em varo, é uma condição comum, afetando um grande número de pacientes, que freqüentemente estão entre 45 e 74 anos de idade.

 

 

 

As indicações para esta cirurgia inclui indivíduos com deformidade em varo associada a:

  1. Instabilidade crônica do joelho
  2. Lesões cartilaginosas focais ou osteocondrais do na parte de dentro do joelho (onde se recebe maior parte do peso), quando existe indicação de proce- dimentos para reparação da cartilagem do tipo mosaicoplastia ou implante de condrócitos;
  3. Lesão do ligamento cruzado anterior crônica;
  4. Lesão meniscal com ou sem indicação de transplante de menisco.

 

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As contra- indicações incluem:

  • Idade avançada (acima de 60 anos)
  • Artrose sintomática em outro compartimento além do medial
  • Lesão do menisco lateral com indicação cirúrgica
  • Infecção articular prévia
  • Artrite reumatóide e outras artrites inflamatórias
  • Deformidade acentuada (acima de 20 graus)
  • Rigidez articular (extensão menor que 10 graus ou flexão menor que 90 graus)
  • Doenças como a obesidade mórbida, Diabetes, Tabagismo e Alcoolismo.

 

Como é feita?

exemplo de planejamento pré-operatório para a osteotomia

exemplo de planejamento pré-operatório para a osteotomia

O sucesso da osteotomia depende de três fatores: seleção adequada do paciente, planejamento meticuloso e técnica cirúrgica correta. O planejamento é realizado por meio da medida de onde se passa a maior parte do peso do paciente no joelho, calculado através de radiografias dos membros inferiores, incluindo desde o quadril até o tornozelo. Geralmente, calcula-se uma hipercorreção a fim de evitar recidiva da deformidade em varo.

 

Inserção da placa de Puddu aos a confecção da osteotomia

Inserção da placa de Puddu aos a confecção da osteotomia

 

 

 

 

 

 

 

Inicio sempre o procedimento realização de artroscopia para toalete da cavidade articular e tratamento de lesões do menisco medial. A seguir é realizada a osteotomia (corte ósseo) da parte de dentro com serra sagital. A fixação da correção pode ser realizada com placa-calço tipo Puddu ou outros implantes desenvolvidos para essa finalidade. O controle radiográfico intra-operatório é realizado no final do procedimento cirúrgico. Nas correções maiores que 12,5 mm necessita-se do uso de enxerto ósseo que pode ser retirado da bacia do próprio paciente ou, preferencialmente pelo artificial.

 

 

Período pós-operatorio

Em geral, solicito que o paciente utilize de muletas por pelo menos 6 semanas,que vai sendo retirada de maneira progressiva à medida que a dor desaparece, sendo que a capacidade de deambulação com carga total, sem o auxílio de muletas, é a melhor indicação da consolidação da osteotomia, que geralmente ocorre totalmente e após 8 a 12 semanas.

 

É possível retornar aos esportes ?

osteotomia tibial

Estudos recentes tem indicado que sim. Porém, todos os autores são unanimes em dizer que é muito gradual e algum desconforto ou dor pode persistir e comprometer a performance. Pessoalmente, acredito que os fatores responsáveis pelo retorno ao esporte incluem:

  • Fisioterapia de excelência pré e pós-operatoria
  • Fortalecimento e reequilíbrio muscular
  • Ganho sensório-motor adequado (pliometria)
  • Utilização de recursos biológicos associados como a infiltração com ácido hialurônico (viscossuplementação).

+ 10 perguntas frequentes sobre a infiltração com ácido hialurônico

 

Referências bibliográficas

  1. Hernigou P, Medevill D, Debeyre J, et al.“Proximal tibial osteotomy with varus deformity: a ten to thirteen year follow-up study”. J Bone Joint Surg (Am). 1987;69:332-40. 

  2. Staubli AE, Simoni CD, Babst R, Lobenhoffer P. “TomoFix: a new LCP-concept for open wedge osteotomy of the medial proximal tíbia – early results in 92 cases”. Injury. 2003;34:SB55-SB62. 

  3. Zorzi AR, da Silva HG, Muszkat C, Marques LC, Cliquet A Jr, de Miranda JB.”Opening-wedge high tibial osteotomy with and without bone grafts”. Artif Organs. 2011;35(3):301-7. 

  4. Giannoudis PV, Einhorn TA, Marsh D. “Fracture healing: the diamond concept”. Injury. 2007; 38S4:S3-S6. 

  5. Amendola A, Panarella L. “High tibial osteotomy for the treatment of unicompartimental arthritis of the knee”. Orthop. Clin. N. Am. 2005;36:497-504. 

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  7. Noyes FR, Goebel SX, West J. “Opening Wedge Tibial Osteotomy. The 3-Tringle Method to Correct Axial Alignment and Tibial Slope”. Am J Sport Med. 2005;33(3):378-87. 

  8. Franco V, Cerullo G, Cipolla M, Gianni E, Puddu G. “Osteotomy for osteoarthritis of the knee”. Current Orthop. 2005;19:415-27. 

  9. Joslin CC, Waring SE, Hardy JR, Cunnningham JL. “Weight bearing after tibial fracture as a guide to healing”. J Bone Joint Surg. 2003; 85-B SuppI/5. 


 

dr-adriano-leonardi-especialista-do-joelhoDR. ADRIANO LEONARDI

Médico ortopedista especialista em traumatologia do esporte e cirurgia do joelho. Médico e fisiologista do esporte. Presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Ambientes Remotos e Esportes de Aventura. + Conheça o Profissional

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