Dr. Adriano Leonardi

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Condicionamento ou lesão?

A quatidade de pessoas que ingressam nos esportes nos dias atuais tem aumentado de maneira crescente. O que se tem visto hoje é uma verdadeira “enxurrada” de pessoas correndo em parques, orlas de prais, jogando futebol, volley e, atualmente, nota-se o aumento vertiginoso de praticantes de esportes de endurance extrema como a ultramaratona, trail running, triathlon, corrida de aventura, etc.

Concomitante a isso, a quantidade de pessoas que tem procurado clinicas de medicina esportiva com o mais diverso tipo de lesões como tendinites crônicas, doenças cartilaginosas, musculares, canelites, fraturas de estresse, hérnias e protusoes discais tem também aumentado. O numero que ocorrências médicas, incluindo emergências como arritmias, paradas cardíacas, desidratações graves e distúrbios hidroeletrolíticos tem sido cada vez mais frequentes no atendimento médicos em campos, quadras e durante as provas.

Mas, por que isso acontece?

Seria apenas pelo aumento do numero de praticantes de esportes na população? A resposta é sim e nao.

Sim, porque com o aumento crescente de praticantes de esportes, aumenta-se quantitativamente o numero que ocorrências médicas e nao, porque a maioria das lesões  sao previsíveis e, portanto, evitáveis. Ou seja, a grande maioria dos esportistas, seduzidos pela paixão ao esporte ou “empurrados” pelos alertas veiculados pela mídia da necessitadade de exercitar-se para ganho de saúde, pulam tres estágios básicos e extremamente importantes da prática esportiva: o auto-conhecimento, a preparação física e a preparação técnica ao esporte.

1. O auto-conhecimento

Popularmente conhecido como check up, envolve a avaliação cardio-respiratoria com exames laboratoriais a fim de se determinar o funcionamento dos mais diversos órgãos, hormônios e níveis de colesterol. Os testes cardiológicos, de suma importância, além de servirem para detectar uma possível doença cardíaca também servem como base na evolução do individuo no esporte, como por exemplo, na determinação do VO2 maximo.

O exame do aparelho locomotor envolve a avaliação dinâmica da pisada, também conhecida como baropodometria com a prescrição de palmilha se necessário, alinhamento dos membros e desvios posturais, discrepância do tamanho dos membros, conhecida no meio medico como dismetria.

De uns anos para cá, tem se dado muita importância para o equilíbrio muscular dos grupos musculares que executam o movimento (agonistas) e os que resistem (antagonistas). Para isso, utilizamos da chamada avaliação isocinetica . O teste pode ser realizado em uma máquina, acoplada a um computador  com alavanca própria ou em um dispositivo móvel que pode ser usado em maquinas convencionais de academia como a cadeira extensora por exemplo.

O teste serve para mensurar a força, potência e resistência muscular e seus eventuais desequilíbrios.

Pode ser utilizado para monitorar ou direcionar o progresso de treinos e reabilitação ou avaliar o atleta antes ou após um período de treinos. Em atletas profissionais, costuma ser usado na pre-temporada a fim de se corrigir qualquer desequilíbrio muscular que possa predispor um entorse ou uma distençao muscular, estatisticamente comprovados por estudos científicos.

 

 

 

Foto 1: avaliação isocinetica do joelho em auxilio da maquina.

Foto 2: gráficos mostrando os picos de torque da cada grupo muscular

Ultimamente, também, tem sido dada muita atenção aos músculos estabilizadores do quadril, pois sua fraqueza ou  atraso no disparo muscular durante o movimento afetaria a dinâmica de diversas articulações, principalmente do joelho. De maneira mais didatica, isso significa que, em uma aterrisagem do vôlei, por exemplo, “comando” vindo do cérebro para que a musculatura se contraia de maneira adequada, chegaria “atrasado” em alguns musculos, principalmente nos gluteos medio e mínimo no quadril (músculos estabilizadores da Pelve) e no vasto medial (músculo interno da coxa) fazendo com que as o fémur “rode para dentro” e deixe a patela mais lateralizada e em contato reduzido das superfícies articulares. A isso, chamamos de valgo dinâmico. Quanto menor a área de contato, maior a pressão e, consequentemente, maior a chance de lesão crónica de tecidos, em especial a cartilagem patelar. Nos últimos 5 anos, alguns autores provaram existir o valgo dinâmico através do exame chamado eletromiografia e da ressonância magnética dinâmica (em movimento) e postulam que o problema atinge principalmente mulheres e  é, na verdade, funcional e nao só anatómico, como se pensava ha 30 anos atrás.

Isso significa que a cada passo da corrida de rua, por exemplo, a mulher estaria sujeita ao valgo dinâmico? Sim. A fase inicial da corrida é chamada de absorção de impacto, no qual a energia cinética do contato do pé ao solo é absorvida através da contração muscular e da flexão do joelho. Havendo o valgo dinâmico, existiria um micro-trauma de repetição que, a medio e longo prazo desenvolveriam sintomas como a dor, desconforto e inchaço no joelho.

A figura  mostra a diferença de uma aterrissagem de uma mulher (à esquerda) e de um homem (à direita). Note que os joelhos da mulher caem “para dentro” (valgizado) e em rotação interna e que isso não acontece com o homem.

 

 

 

Figura 1: Fotografia de um estudo neuromuscular simulando um aterrissagem. A foto da esquerda mostra uma mulher aterrisando e a da direita, um homem. Note a valgizaçao típica da aterrissagem feminina.

 

2. A preparação física

É o condicionamento físico para determinado esporte, realizado por um preparador físico experiente e, se possível, observado por um fisioterapeuta.

Para esportes de envolvem desacelaraçao repetitiva  dos membros inferiores como a corrida de rua, o trekking, e o tênis, por exemplo o treinador focará no fortalecimento excentrico do quadríceps, ou seja na capacidade do musculo anterior da coxa contrair contra a resistência a fim de se absorver energia cinética, poupando as articulações.

Para esportes como o futebol de campo, futsal, rugby, que envolvem mudanças bruscas de direção, o treinamento também envolve na melhoria da resposta neuro-muscular, chamada pliometria. Exercícios pliométricos ajudam a desenvolver ritmo, velocidade, força e até resistência muscular. A pliometria, usada corretamente para um propósito específico, pode ser um atributo valioso para seu atleta, bem como para o condicionamento geral e específico de todo seu programa esportivo.

 

3. Preparaçao técnica ao esporte

Realizada, imprecindivelmente sob a tutela de um preparador fisico especializado em determinado esporte,trata-se do conhecimento técnico do esprte que se deseja praticar e envolvem as planilhas de treinamento, postura e progressao do individuo no esporte para ganho de Resistencia fisica ou para a competiçao.

Esta fase serve, basicamente, para que o treinador dose o desempenho do atleta no esporte a fim de se evitar sobrecargas de volume ou intensidade no treino. É muito comum que um corridor de rua que treina sem supervisao, por exemplo corra 10 a 20 km em dias seguidos e ao final de determinado tempo, desenvolva lesoes.

Enfim, a conscientizaçao do esportista de que a equipe multidisciplinar deve  havalia-lo e acompanha-lo durante o period de

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