Dr. Adriano Leonardi

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Lesao ligamentar do tornozelo - Dr Adriano Leonardi - Especialista do Joelho

Lesão Ligamentar do Tornozelo

Como ocorre ?

O entorse de tornozelo é uma lesão extremamente comum na prática esportiva e ocorre, principalmente em esportes envolvidos em giro, corte, drible e desaceleração brusca, como, por exemplo, o futebol, vôlei, basquete, tênis e algumas lutas. O mecanismo ocorre com o pé preso ao solo, tornozelo em flexão, extensão e o corpo girando para a direita, ou esquerda. A lesão pode resultar tanto em fraturas acometendo, principalmente a Fíbula e a base do 5.o metatarso, lesões ligamentares e de tendões. A estrutura envolvida e o grau da lesão dependerão, obviamente, da posição do pé e tornozelo e a energia cinética envolvida

 

Tratamento na fase inicial

Ocorrido o entorse, seguem-se os sinais cardinais da reação inflamatória: dor, inchaço e perda da capacidade de suporte de peso. Por este motivo, independente da severidade do entorse, deve proteger, elevar o tornozelo e realizar gelo.Orienta-se 20 minutos, sem contato direto com a  pele. Uso de bolsas cryocuff é recomendável. Imobilização com órteses tipo robofoot facilitam a higiene. Em todos os casos, o uso de um par de muletas e a retirada total do peso no membro afetado é imprescindível.

 

O dignóstico

Suspeita-se da lesão ligamentar do tornozelo e de sua gravidade pelo quadro clínico. Em geral, grandes inchaços, hematomas extensos e incapacidade fazem pensar não só em rupturas ligamentares graves, mas também em lesões associadas, como a luxação (deslocamento) de tendões, lesão cartilaginosa e ruptura da cápsula (membrana) articular. O exame considerado gold standart  para avaliar a lesão é a Ressonância Nuclear Magnética. Sendo bem feita, mostra o ligamento lesado e o grau de ruptura.

Em geral, o ligamento denominado talofibular anterior é o mais acometido. Em ordem de frequência, segue-se o calcaneofibular e o talofibular posterior. (figura 2) O grau de ruptura é também importante ser avaliado. Denomina-se grau I quando ocorre lesão apenas na matriz celular, com perda e desorganização das fibras colágenas. O grau II é caracterizado por ruptura parcial. As fibras alongam-se, mas não se rompem. No grau III, ocorre ruptura de todo o ligamento e, geralmente, há lesão de outras estruturas, pois é causada por entorses de alta energia cinética.

Na parte interna do tornozelo, o ligamento denominado deltóide é o mais acometido. Esta estrutura possui duas porções: uma mais superficial e outra mais profunda. Esta última, quando acometida, evolui com instabilidade.

Casos crônicos, em geral na população feminina, cursando com dor, entorses de repetição e falta de confiança no tornozelo durante a deambulação, corrida, subida de escadas, de maneira geral, possuem desequilíbrio muscular entre a musculatura inversora, eversora, flexores e extensores do tornozelo. Quando possível, estes casos necessitam de avaliação isocinética.

 

O prognóstico

Independente do grau da lesão ligamentar, invariavelmente há enfraquecimento da musculatura do tornozelo, em especial dos extensores e eversores, responsáveis pela extensão e rotação lateral do tornozelo, movimento denominado pronação. Havendo perda de força muscular, haverá também desequilíbrio, predispondo o indivíduo a novos entorses.

Embora os ligamentos do tornozelo tenham excelente potencial de cicatrização, a persistência da dor é um fator limitante, em especial em mulheres habituadas a usar salto alto. É comum haver crises intermitentes de dor, muitas vezes obrigando o indivíduo a restringir atividades da vida diária.

Um outro problema comum nos entorses é a perda do tato profundo, com comprometimento da coordenação motora, também chamada propriocepção. Em outras palavras, existe dificuldade dos receptores tendíneos e capsulares informarem o centro de coordenação motora do sistema nervoso central. Isto pode não afetar atividades da vida diárias, mas para esportes de drible, giro e desaceleração, poderá haver comprometimento da performance, com perda da confiança do atleta em seu tornozelo e com a possibilidade de novos entorses.

 

O tratamento

Felizmente, a grande maioria das lesões ligamentares, se corretamente diagnosticadas e tratadas evolui bem. A regra é tratar a dor e a inflamação, em seguida restabelecer propriocepção, força e equilíbrios musculares e, por fim, realizar treino de pliometria (explosão muscular), que pode ser feito por treinadores experientes com amplo conhecimento da lesão. Esta última fase é de crucial importância para quem pratica atividades de mudança brusca de direção como a capoeira, futebol, vôlei, basquete,entre outros. Casos crônicos, de maneira geral, beneficiam-se com o fortalecimento isocinético.

 

Indicações cirúrgicas são raras. Em longo prazo, observou-se que as pessoas submetidas à reconstrução ligamentar e as tratadas sem cirurgia tiveram a mesma evolução. As exceções se fazem nos seguintes casos:

 

a)  Atletas de alto desempenho, devido à necessidade da rápida reabilitação e retorno ao esporte.

b)  Casos de dores crônicas, com dificuldade de realização de atividades da vida diária.

c) Falha após tratamento fisioterápico correto.

d) Lesão da porção profunda do ligamento Deltóide

e) Lesões de outras estruturas após entorse, incluindo fraturas, lesão cartilaginosa do tornozelo, rupturas e luxações.

 

Importante: O conteúdo deste artigo é meramente informativo e não substitui uma consulta médica. Diagnósticos de lesões e opções de tratamento variam de pessoa para pessoa e dependem de fatores como sexo, idade, ocupação, etc, e portanto não devem ser generalizados. Consulte sempre seu médico. As informações deste site não devem ser utilizadas para auto-diagnóstico ou auto-tratamento.

 

dr-adriano-leonardi-especialista-do-joelhoDR. ADRIANO LEONARDI

Médico ortopedista especialista em traumatologia do esporte e cirurgia do joelho. Médico e fisiologista do esporte. Presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Ambientes Remotos e Esportes de Aventura. + Conheça o Profissional

18 comentários

  1. Guilherme - 5 de agosto de 2014 22:29

    Ótimo artigo. Foi muito esclarecedor. torci o tornozelo no futebol e este artigo ajudou. Obrigado

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  2. Aide - 16 de agosto de 2014 14:16

    Era do que precisava saber! Bastante esclarecedor o artigo. Muito, muito bom. Parabéns para o autor e muito obrigada por me deixar mais calma e confiante para enfrentar esse desconforto.

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  3. Regina - 8 de setembro de 2014 17:14

    Seu artigo foi bastante esclarecedor e acorda com o diagnostico e prescriçoes do médico.
    A aplicação do PRP Plasma Rico em Plaquetas poderia ser usado nestes casos para adiantar o prazo de recuperação?

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    • Dr. Adriano Leonardi - 10 de setembro de 2014 21:56

      Sim.
      O PRP tem efeito analgesico potente e permite que o atleta evolua rapidamente no trabalho de fortalecimento.

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      • Luciana Lopes - 15 de janeiro de 2015 12:40

        Muito bom o artigo, me esclareceu bastante. Grata . Estou naquela fase de dor intensa e sem muito equilíbrio. Segundo o médico, levará tempo a recuperação.

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        • amarilza duda - 12 de novembro de 2016 18:45

          maravilhoso e compreensivel

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  4. Sádia Satar - 29 de janeiro de 2015 08:22

    Muito bom este artigo exclareceu a minha dúvida. Estou com uma lesão crónica e neste momento ando com muitas dores.

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  5. Felippe - 24 de março de 2015 10:05

    Muito bom! Esclarecedor. Sofri uma torção e apesar de não ter havido fratura foi colocado uma tala com gesso para imobilização, não consigo nem andar pois o peso do gesso é pior do que o contato com o solo, sem contar a dificuldade de higienização. Vou hoje mesmo substitir por uma Robofoot. Parabéns.

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  6. Claudio - 12 de maio de 2015 04:16

    Muito Boa Essas Indicaçoes, Nunca Achei que Poderia Sofrer Algo Assim, Como Ruputura de Ligamento, Mas Estou Procurando Informações e Gostei Muito.
    Obrigado

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    • nanda - 22 de abril de 2016 19:08

      Eu fiz uma rotura ligamentos grau 2 tive que ser operada

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  7. Gislene - 18 de junho de 2015 14:05

    Muito bom esse artigo, más nunca imaginei que lesão no tornozelo era sofrido assim, como demora o tratamento e como dói isso. como nos deixa impossibilitado de andar.
    Só espero me recoperar por completo,pois as vezes acho que não vai curar isso pelas dores que sinto e o pouco que ando, e por já fazer 30 dias.

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  8. Heron Kleber - 2 de março de 2016 22:39

    ótimo artigo consegui esclarecer minhas duvidas sobre este problema que estou enfrentando e achava que era uma coisa simples se tornou um problema

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  9. Volner Dutra - 8 de julho de 2016 04:11

    Acabei de chegar da clínica ortopédica e, ao ler o artigo, fiquei mais tranquilo. Muito didático. Parabéns!

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  10. Lindomar Vieira - 18 de novembro de 2016 15:40

    Gostei muito do artigo. Pois é uma linguagem objetiva e exclarecedora. Obrigado pela ajuda!

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  11. Maura - 20 de novembro de 2016 11:46

    Achei suas Informacões importantes,de certa forma me deixaram aliviada.

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  12. Lindinalva - 3 de janeiro de 2017 22:57

    Otimo explicacao estou com minha ressonancia vou questionar mais meu laudo com o medico.

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  13. Isabela - 27 de janeiro de 2017 19:46

    Mto bom este texto, esclareceu minhas dúvidas. Parabéns

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  14. Cynara - 1 de fevereiro de 2017 00:43

    Parabéns pelo artigo, Dr. Adriano. Muito esclarecedor e pontual. Sem palavras para descrever a tranquilidade que tanto procurei. Informação bem descrita é muito importante. Grata.

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