Dr. Adriano Leonardi

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Lesão parcial do ligamento cruzado anterior: operar ou não?

ligamento cruzado anteriorAssim como já discutido em outros artigos, a lesão do ligamento cruzado anterior (LCA) é muito frequente nos esportes, principalmente nos de contato físico e nas de mudança brusca de direção, pivoteamento e desaceleração.

Uma das funções do ligamento é a de estabilizar o joelho no sentido antero-posterior, evitando a anteriorização e rotação interna da tíbia em relação ao femur, principalmente estando o joelho entre 30 a 40 graus de flexão.

Evidências científicas indicam que há forte relação entre a falta de condicionamento físico e prepare neuro-motor com especificidade para determinado esporte em que se pratica e a lesão desta estrutura. Isto explica o índice maior desta lesão em atletas amadores em relação aos profissionais.

Estatisticamente, mulheres tem maior chance de sofrer a lesão em relação aos homens e a isso, estariam ligados fatores hormonais, anatômicos e neuro-musculares.

As lesões completes do LCA em pacientes jovens e ativos são, por consenso, de tratamento cirúrgico, pois, uma vez rompido, o ligamento tem potencial pobre de cicatrização. A cirurgia de escolha clássica é a reconstrução do LCA, cuja técnica vem sofrendo alterações ao longo dos anos.

 

+ 10 dicas para quem sofreu a lesão do ligamento cruzado anterior

 

A lesões parciais do LCA, no entanto, vem gerando dúvidas e, muitas vezes, acaba sendo tratado de maneira inadequada.

 

Por que lesões parciais do LCA ocorrem?

O LCA é uma estrutura composta por 2 bandas: a antero-medial e a postero-lateral. Lesões de baixa energia cinética com entorses leves ou quando o joelho é esticado alem de seus limites fisiológicos, como, por exemplo, quando um lutador cai sobre o joelho esticado do adversário, uma das bandas pode ser comprometida ou ambas, mas sem a ruptura completa. Em outras palavras: o LCA estica, mas não chega a se romper completamente.

 

Diagnóstico

Assim como em outras lesões, o diagnóstico depende muito da qualidade do examinador.

Durante o exame físico, é importante que as manobras ligamentares sejam realizadas e sempre comparadas com o lado contra-lateral, pois algumas pessoas podem ter a hiperfrouxidão ligamentar, condição na qual as articulações são mais flexíveis que a maioria da polulação, especialmente em mulheres, levando a possíveis falsos positivos. Tipicamente, uma manobra com o “end-point” abrupto traduz uma possível lesão parcial do LCA.

Os exames de imagem, principalmente a ressonância magnética devem ser analisados com cuidado. Imagens de qualidade ruim podem trazer um falso positivo. Por isso, assim como para qualquer lesão ortopédica, a correlação clínico-radiografica é de suma importância.

 

Tratamento: operar ou não?

Depende do paciente e dos sintomas!!

Hoje, o consenso mundial é de se indicar a cirurgia de reconstrução para as seguintes situações:

  1. Atletas: estudos demonstram que o tempo de reabilitação e retorno ao esporte pode se prolongar e, ao retornar, o atleta pode ter queixas de instabilidade com consequente comprometimento no rendimento. Um tempo prolongado de afastemento ao esporte pode comprometer ou encerrar sua carreira no esporte.
  2. Pessoas ativas sintomáticas: esportistas que sentem falseio ou que perderam a confiança na estabilidade do joelho durante o esporte ou atividades rotineiras do dia a dia.
  3. Outras lesões associadas: uma lesão completa do mesnico medial, cujas queixas cursam com dor e travamento do joelho, ao ser tratada, pode aumentar a instabildiade de uma lesão parcial do LCA. Portanto, Segundo alguns autores, para este grupo de pacientes, assim como pacientes que sofreram lesões de outros ligamentos, o tratamento cirúrgico estaria indicado.

 

Como é feita a cirurgia?

artroscopia do joelho dr adriano leonardi

Uma vez indicada a cirurgia de reconstrução do ligamento cruzado anterior, o cirurgião de joelho vai optar pela melhor escolha do enxerto a ser usada. Sua escolha envolve fatores como suas propriedades biomecânicas, resposta à cicatrização, morbidade da área doadora, resistência de sua fixação inicial e incorporação biológica. Fatores como o grau de deslocamento instabilidade, lesões ligamentares associadas e prática esportiva com saltos ou agachamento devem ser levados em conta, porém, é a experiência do cirurgião o fator decisivo e de maior segurança ao paciente.

Para que haja cicatrização do enxerto nos túneis confeccionados, o enxerto necessita ser fixado de uma maneira mais rígida possível. Estudos demonstram que o afrouxamento e perda do enxerto têm, entre outras causas, uma fixação insuficiente. Para haja fixação forte o suficiente, utilizamos uma ampla variedade de dispositivos, popularmente conhecidos como “pinos”, dentre os quais os parafusos metálicos e absorvíveis, amplamente utilizados.A técnica optada pela fixação, assim como a escolha do enxerto, dependerá principalmente da experiência do cirurgião.

De maneira diferente da rupture completa do LCA, na lesão parcial, pode-se optar pela reconstrução de apenas uma banda do ligamento. A grande vantagem em se fazer isso é o fato de se preserver a inervação nativa desta estrutura. Estas são responsáveis pelo feedback neuro-sensorial durante a prática esportiva, considerado hoje como um dos fatores primordiais na prevenção da recidiva da lesão.

 

dr-adriano-leonardi-especialista-do-joelhoDR. ADRIANO LEONARDI

Médico ortopedista especialista em traumatologia do esporte e cirurgia do joelho. Médico e fisiologista do esporte. Presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Ambientes Remotos e Esportes de Aventura. + Conheça o Profissional

5 comentários

  1. Bruna Carvalho - 8 de novembro de 2016 04:09

    Boa noite Dr. Adriano,
    no caso de reconstrução do LCA, utilizando os isquiotibiais, os tendões são totalmente removidos? Como a musculatura (gr/st) é fixada, já que os tendões serão utilizados? Como ocorrerá a flexão do membro? O paciente poderá caminhar, correr normalmente?
    Desde já agradeço os esclarecimentos…

    Responder
    • Dr. Adriano Leonardi - 8 de novembro de 2016 10:32

      Oi, Bruna .
      A cirurgia de reconstrução do ligamento cruzado anterior , retiramos os tendões grácil e semi-tendineo.
      Os primeiros seis meses existe um certo déficit de força de flexão de joelho, mas também nesse período os tendões vão sendo, de certa forma ,regenerados E voltam a ter função normal isso é observado na curva de pico de Torque que solicito para todos meus pós-operatório após seis meses.
      Apesar desta certa regeneração anatomica mente os tendões não voltou a ser como eram antes e não podem ser reutilizados no caso de uma nova cirurgia como fonte de enxerto.
      Muito boa pergunta.
      parabéns !!

      Responder
      • Bruna Carvalho - 10 de novembro de 2016 06:29

        Aaaa entendi, Dr. Adriano, muito obrigada pela atenção. Que Deus lhe abençoe!!!

        Responder
  2. Acácio luis - 13 de novembro de 2016 12:21

    Dr. Adriano,
    No caso de uma cirurgia do LCA mal sucedida, o que pode acontecer de mal pro paciente?

    Responder
    • Dr. Adriano Leonardi - 16 de novembro de 2016 10:17

      Oi, Acacio.
      O paciente pode nao conseguir esticar ou flexionar o joelho ou pode manter certo grau de instabilidade.
      Depende do erro.
      Abs

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