O joelho é uma articulação complexa que sofre flexão, extensão, rotação lateral e permite movimentos em 7 eixos. Os meniscos são essenciais para a biomecânica normal da articulação do joelho, agindo como lubrificadores, estabilizadores, amortecedores e distribuidores de carga dentro da articulação. Eles são cunhas semilunares móveis de fibrocartilagem, convexo na superfície femoral e plana no platô tibial. As fibras de colágeno de tecido dissipam as forças de compressão na articulação, reduzindo assim a força direta sobre a cartilagem articular, que cobre as superfícies articulares tibio-femorais. Lesões meniscais são associadas ao desgaste progressivo da cartilagem articular e do desenvolvimento de osteoartrite.

 

Anatomia 

O menisco medial é semicircular e anexado ao ligamento colateral
medial (LCM) do joelho. É muito pouco móvel se comparado ao menisco lateral, deslocando-se somente 2-5 mm para dentro da articulaçao e, portanto, é mais propenso a lesões. O menisco lateral que é mais ou menos circular em forma e move-se 9-11mm. Chama a atenção o que chamamos de “anatomia vascular do menisco”: estudos demonstraram que sua periferia é bem irrigada; por isso chamada de “zona vermelha” e sua região central nao, recebendo nutrientes por embebição; por isso chamada de “zona branca”.

 

+ Menisco discóide: uma lesão típica de atletas mirins

 

O que se sente?

As lesões meniscais causam sintomas característicos como dor bem localizada com períodos de alivio e agravo a determinados movimentos como agachar e cruzar as pernas, inchaço, e bloqueio (travamento).

 

Área da dor na lesão do menisco medial

Por que dói?

A dor aguda é causada pelo menisco lesionado (“rasgado”) que puxa sobre a cápsula da articulação sinovial bem inervados. Inchaço resulta de inflamação da membrana sinovial e derrame (popular “agua no joelho”)por excesso de produção de líquido sinovial.

Por que ocorrem?

Lesões meniscais são muito comuns e podem ser traumáticas agudas, como, por exemplo, durante uma luta de jiu-jitsu ou degenerativas. Lesões traumáticas ocorrem classicamente durante a forças de torção no joelho em pessoas ativas jovens. A posição clássica é a do joelho flexionado ao extremo como, por exemplo, quando o individuo esta agachado ou ajoelhado que sofre entorse repentino.

 

Lesões degenerativas ocorrem como parte do desgaste progressivo em todo o conjunto, mais frequentemente em pacientes acima de 40 anos. Estas lesões são de clivagem, geralmente horizontais com mínima capacidade de cura.

As lesões podem ser descritas como sendo completas ou incompletas, estáveis ou instável e de vários padrões.

 

Quanto à sua morfologia (figura a esquerda), podem ser verticais, longitudinais (incluindo “alça de balde” onde o fragmento rasgado pode bloquear a extensão total da articulação do joelho), oblíqua / bico de papagaio ou “flap” lesões radiais ou horizontais.

 

A maioria é composta de lesão vertical ou oblíquo (80%). O menisco medial é mais comumente afetado – 75% contra 25% no menisco lateral, 5% dos pacientes terão lesões bilaterais.

 

Alguns tipos de lesões podem provocar uma ação semelhante a válvula dentro da substância do menisco, e isso pode levar à formação de um cisto meniscal, que deve ser tratada da mesma forma, abordando o problema principal que é a lesão do menisco. A chance da formação de um cisto meniscal no menisco lateral é 7x maior que a do menisco medial.

 

Tratamento

O tratamento de uma lesão meniscal dependerá de sua localização, tamanho, tempo de ocorrência, idade e ligação ao esporte do paciente.

O tratamento poderá ser não-cirúrgico (indicado a pacientes idosos), e cirúrgico pela meniscectomia (retirada de parte do menisco- figura abaixo) parcial, total e  ou sutura de menisco. Historicamente, meniscectomia totais (remoção da maior parte do menisco) foram realizada mas, hoje sabe-se que isso levou a doença articular degenerativa progressiva e por isso apenas o mínimo de menisco agora é ressecado (meniscectomia parcial) para deixar uma borda estável. Isso normalmente é realizada por via artroscópica sob anestesia  e, muitas vezes, permitindo que o paciente receba alta no mesmo dia.

 

figura4

Na foto da esquerda, observa-se lesão complexa e radial do menisco. Na foto da direita, aspecto logo após uma meniscectomia. Note que o menisco perde sua espessura, mas mantém o formato.

 

Sutura de menisco

Classicamente, o reparo meniscal ou sutura meniscal (figura 5) é reservado para pacientes jovens, compatível com lesoes longitudinais, periféricas agudas (<8 semanas) que se encontram dentro da zona vascular (a chamada zona vermelha em vez de zona branca interior que não têm um bom fornecimento de sangue ).

Existem muitas técnicas para a sutura de menisco e estas dependerao da localização da lesao. As técnicas incluem um procedimento aberto (após o exame artroscópico da articulação) ou artroscópica ‘dentro para fora’,  os procedimentos “de fora para dentro ‘, e a técnica ‘ all-inside”. A técnica aberta tem sido defendida por alguns autores nas lesoes verticais do corno posterior do menisco lateral e medial dentro de 1-2 mm da junção meniscosinovial, onde a visualização com o artroscópio é difícil.

 

+ A técnica de sutura pode “salvar” o menisco lesionado

 

Ilustração de uma sutura meniscal

Como é o período pós-operatório?

As lesões meniscais suturadas podem curar se houver fornecimento de sangue adequado e estabilidade do tecido. Um joelho estável é importante e, por conseguinte, as taxas de cura maiores têm sido vistas com reparações feitas ao mesmo tempo que a reconstrução do ligamento cruzado anterior (LCA).

Para que a cicatrização ocorra, em geral, o cirurgião orienta que o paciente fique 6 semanas em média sem soltar o peso na perna operada e desambulando com um par de muletas. Alguns colegas costumam solicitar exame de artro-ressonancia para avaliar a cicatrização do tecido.

Protocolos pós-operatórios variam, mas a maioria dos pacientes serão convidados a seguir um regime rigoroso de fisioterapia e evitar esportes de contato por seis meses, ao contrário de meniscectomia parcial, quando os pacientes podem retomar suas atividades normais depois de algumas semanas.

 

Importante: O conteúdo deste artigo é meramente informative e nao substitui uma consulta médica.Diagnósticos de lesões e opções de tratamento variam de pessoa para pessoa e dependem de fatores como sexo, idade, ocupação, etc, e portanto não devem ser generalizados. Consulte sempre seu médico. As informações deste site não devem ser utilizadas para auto-diagnóstico ou auto-tratamento.

 

Referências bibliográficas

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