Dr. Adriano Leonardi

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O PRP no tratamento da lesão muscular

A contusão muscular (figura 1) ocorre quando um músculo é submetido a uma força súbita  de compressão como um golpe direto, por exemplo. Já nos estiramentos, o músculo é submetido a uma tração excessiva levando à sobrecarga das miofibras e, consequentemente, a sua ruptura perto da junção miotendínea.

Figura 1. Hematoma da coxa após contusão muscular durante atividade esportiva.

O que distingue a cura da lesão  múscular de um osso fraturado é que o músculo esquelético cicatriza através de um processo chamado “reparação”,  na qual há formação de tecido fibroso de cicatriz entre as duas partes de músculo lesionado, enquanto uma fratura cicatriza por “regeneração”, ou seja o osso fraturado  cura através da produção de calo ósseo que, posteriormente se remodela em tecido ósseo.

 

 

Todas as lesões musculares passam por 3 fases no processo de cura:

 

1) Fase de Destruição: Caracterizado pela ruptura e conseqüente formação de um hematoma entre os cotos do músculo rompido, e uma reação inflamatória.
2) Fase de Reparação: Composto da produção de uma cicatriz de tecido conectivo assim como revascularização por crescimento de capilares na área lesada.

3) Fase de Remodelação: um período de retração e reorganização do tecido cicatricial e recuperação do funcional capacidade do músculo.

 

Podemos classificar os estiramentos de acordo com as dimensões da lesão em:

  • Grau I – é o estiramento de uma pequena quantidade de fibras musculares (lesão < 5% do músculo).
  • Grau II – O número de fibras lesionadas e a gravidade da lesão são maiores (lesão > 5% e < 50% do músculo). A resolução é mais lenta.
  • Grau III – Esta lesão geralmente ocorre desencadeando uma ruptura completa do músculo ou de grande parte dele (lesão > 50% do músculo), resultando em uma importante perda da função com a presença de um defeito palpável. O defeito muscular pode ser palpável e visível.

 

FATORES DE RISCO

Tais fatores são: as deficiências de flexibilidade, os desequilíbrios de força entre músculos de ações opostas (agonistas e antagonistas), as lesões musculares pregressas (reabilitação incompleta), os distúrbios nutricionais, os distúrbios hormonais, as alterações anatômicas e biomecânicas,

as infecções e os fatores relacionados ao treinamento (o aquecimento inadequado, a incoordenação de movimentos, a técnica incorreta, a sobrecarga e a fadiga muscular).

 

O que se sente?

A história clínica é marcada por dor súbita localizada, de intensidade variável, algumas vezes acompanhada de um estalido audível ou de uma sensaçao de pedrada. Ocorre geralmente durante a explosao muscular na corrida, salto ou arremesso e culmina com a interrupção do mesmo. A intensidade dos sinais e sintomas pode variar de acordo com a sua gravidade.

 

TRATAMENTO

Os princípios do tratamento das lesões musculares na fase aguda seguem o método PRICE (proteção, repouso, gelo, compressão local e elevação do membro acometido).

O repouso do membro afetado mediante a utilização de órteses (tipóias, muletas, estabilizadores articulares) está indicado nos estiramentos degrande magnitude (lesões graus 2 e 3).

O retorno ao esporte após uma lesão muscular deve sempre ser individualizado e, levando-se em conta que o tecido cicatriza através da formação de cicatriz fibrosa entre os cotos do músculo, o foco principal da equipe reabilitadora é a da prevenção da recorrência da lesão, pois, muitas vezes, o indivíduo encontra-se completamente livre da dor e APARENTEMENTE esta apto ao esporte e, em um movimento “banal”, ocorre a relesão. Portanto, quanto maior for o grau de sua lesão muscular, maior será o tempo de seu retorno ao esporte.

 

NOVOS CONCEITOS: A TERAPIA CELULAR

As plaquetas ajudam o processo de reparo do corpo , pois contêm fatores de crescimento , como o fator de crescimento derivado de plaquetas (PDGF) , fator transformador de crescimento (TGF ) -ß , fator de crescimento semelhante à insulina (IGF ) eo fator de crescimento de fibroblastos (FGF) , para citar alguns . Após a ativação , esses fatores são liberados e enviados para ajudar o site feridas em cicatrização. Nesta abordagem terapêutica , uma centrífuga é usada para aumentar a concentração da concentração de plaquetas . PRP tem até 8x a concentração de plaquetas de sangue total que faz.

O PRP é preparado coletando-se o sangue do paciente, realizando-se centrifugaçao e extraindo-se os fatores de crescimento das plaquetas. Em lesoes musculares agudas (que acabaram de acontecer), o hematoma é drenado e, a seguir, o PRP é infundido sob auxilio de ultrassom realizado por um radiologista experiente.

Em um estudo recente,  pesquisadores americanos  induziram uma lesão muscular em ratos e observaram efeitos significativamente positivos nos dia 7 e 14 e notaram a uma recuperação mais rápida em geral em relaçao ao grupo controle (animais com lesao muscular que nao receberam o PRP).

Espera-se, portanto que o PRP atue na lesão muscular acelerando seu tempo de cicatrização e que haja maior recrutamento de células tronco para que mais músculo  (e menos cicatriz) seja formado.

Os estudos sao encorajadores e o PRP se torna uma arma no tratamento de lesões musculares.

Coleta do sangue do paciente.

 

Centrifugação do sangue

 

 

Infusão do concentrado de plaquetas sob assepssia e auxílio de ultrassonografia.

 

 

Referências bibliográficas
1. Aagaard P, Simonsen EB, Magnusson SP et al. A new concept for isokinetic hamstring: quadriceps muscle strength ratio. Am J Sports Med 1998;26:231-237.
2. Agre JC. Hamstring injuries. Proposed aetiological factors, prevention, and treatment. Sports Med 1985;2:21-33.
3. Askling C, Karlsson J, Thorstensswon A. Hamstring injury occurrence in elite soccer players after preseason strength training with eccentric load. Scand J Med Sci Sports 2003;13(4):244-50.
4. Beaulieu JE. Developing a stretching program. Physician Sports Med 1981;9(11):59-65.
5. Best TM, Garrett WE Jr. In: DeLee and Drez. Orthopedic sports medicine. Basic science of soft tissue (muscle and tendon).Philadelphia: W. B. Saunders; 1994. p. 1-45.
6. Bennell K, Wajswelner H, Lew P et al. Isokinetic strength testing does not predict hamstring injury in Australian Rule footballers. Br J Sports Med 1998;32:309-314.
7. Buckwalter J. Current concepts review pharmacological treatment for soft tissue injuries. J Bone Joint Surg 1995;77-A:1902-1914.
8. Carlsson BM, Faunkner JA. The regeneration of skeletal muscle fibers following injury: a review. Med Sci Sports Exerc 1983;15(3):187-196.
9. Chan YS, Li Y, Foster W, Horaguchi T, Somogyi G, Fu FH et al. Antifibrotic effects of suranin in injured skeletal muscle after laceration. J Appl Physiol 2003;95:771

 

dr-adriano-leonardi-especialista-do-joelhoDR. ADRIANO LEONARDI

Médico ortopedista especialista em traumatologia do esporte e cirurgia do joelho. Médico e fisiologista do esporte. Presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Ambientes Remotos e Esportes de Aventura. + Conheça o Profissional

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3 comentários

  1. fabio flauzino da silva

    tenho condromalacia grau 2 sou atleta amador e ja fui em varios especialistas e tem muita divergencia do meu caso e nao falam sobre o prp mais ja ouvi muitos comentarios e depoimentos sobre o prp e sua ajuda nesse caso de lesoes tenho muitas duvidas sobre isso estou um pouco perdido e não sei como proceder nesse caso se o prp ajuda por que os medicos que me analizaram nao indicam obrigado aguardo a resposta.

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    • Dr. Adriano Leonardi

      Fabio,
      a causa dessa divergencia é que, quem nao usa e nao tem experiencia com o PRP, especialmente aqueles que nao se atualizam nao indicam mesmo.é uma questao de ignorancia pura.
      Os ultimos estudos mostram que os resultados da infusao de PRP em pacientes jovens e com estagios iniciais da condromalacia tem resulatods melhores.

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  2. Renato Bevilacqua de Castro

    Caro Adriano , parabéns pelo artigo , leve um do seus casos para discussão na Mesa Redonda que faremos no 3º Curso Teórico Pratico de Ortopedia Regenerativa dia 23 de outubro em Campinas.
    um abraço

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