Dr. Adriano Leonardi

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Foto 1) Plasma Rico em Plaquetas. Arte Webrun

O PRP (Plasma Rico em Plaquetas) faz parte do conceito da terapia biológica e foi desenvolvido pela ideia de se injetar nas lesões dos atletas e pacientes em geral uma concentração de células reparadoras do seu próprio sangue extraídos das plaquetas.

As plaquetas possuem os “fatores de regeneração tecidual”, nossos fatores de cicatrização e crescimento celular e são o “gatilho” inicial da cicatrização de qualquer dano tecidual como, por exemplo, após um corte na pele.

O PRP foi, incialmente difundido entre odontologistas, principalmente na reconstrução de lesões extensas em mandíbulas e, há 10 anos vem sendo usado em centros ortopédicos de excelência europeus e se tornou popular no Brasil nos últimos 5 anos.

O preparo do PRP envolve coleta de sangue, centrifugação, isolamento da porção do concentrado (foto 1), ativação e infusão.

Foto 2 : Aplicação do PRP após a sutura do músculo reto femoral. O paciente, jogador de futebol profissional havia tido a ruptura aguda há 02 dias.

As injeções podem ter efeitos variáveis sobre as diferentes lesões no corpo, sobre as diferentes características físicas e clínicas de cada ser humano, não podendo assim ser banalizada e indicada sem critério. Além disso, existem várias técnicas que fazem as aplicações serem mais ou menos eficazes dependendo do kit e da empresa utilizada, dependendo da concentração adquirida das plaquetas e com resultados diversos em diferentes tecidos. O preparo do concentrado deve ser feito por um biólogo treinado e a aplicação, por um ortopedista durante procedimento cirúrgico (foto 2) ou guiado por ultrassom.

O procedimento, assim como qualquer outro, encontra-se em estudo e seu uso em determinadas lesões tem indicações e resultados duvidosos. Estudos publicados no “American Journal of Sports Medicine e The Journal of American Medical Association”, concluem que as aplicações podem ajudar nas cicatrizações de determinadas lesões como epicondilites, rupturas musculares e tendíneas, mas podem ser menos eficazes em Tendões de Aquiles degenerados, por exemplo. O resultados destas pesquisas nos levam a crer que o PRP teria indicação como adjuvante do tratamento de lesões quando associado à algum estímulo biológico, como por exemplo, após a realização do procedimento de micro-fraturas no tratamento de lesão cartilaginosa. O PRP estaria ligado à um melhor recrutamento de células-tronco provenientes da medula óssea, aumentando as chances de uma melhor cobertura fibro-cartilaginosa da lesão.

O comitê de traumatologia esportiva (www.abtd.org.br) está há muito tempo lutando pela implementação séria deste procedimento, com evidências, colocando todos os pontos positivos e negativos. Esperamos que esta aplicação seja realmente comprovada e devidamente autorizada como estamos vendo nos resultados e nas discussões em congressos como sendo mais um fator adjuvante no tratamento de lesões.

Aplicabilidade na traumatologia do esporte
A) Eficácia comprovada por estudos:
• Lesões musculares agudas
• Ruptura aguda do tendão de Aquiles
• Epicondilites do cotovelo

B) Eficácia em estudo, com resultados excelentes relatados por alguns cirurgiões experientes
• Lesão osteocondral
• Tendinite patelar
• Reconstrução do ligamento cruzado anterior

O uso do PRP nas lesões ortopédicas, assim como qualquer procedimento ou técnica cirúrgica deve ser feita com cautela. A decisão em se usar ou não deve ser de forma coerente e individual o que é melhor para cada lesão e cada indivíduo.

Dr. Adriano Leonardi realizou treinamento no tratamento de lesões ortopédicas pelo PRP com Dr. Ramon Cugat na Mutualidade futebolística catalã e do serviço de traumatologia do Hospital Quirón de Barcelona, Espanha em 2007.

Referências Bibliográficas
1. Anitua M, Sanchez E, Nurden A, Nurden P, Orive G, Andia I. New insights into and novel applications for platelet-rich fibrin therapies. Trends Biotechnol 2006; 24: 227-34.
2. Pietrzak W, Eppley B. Scientific foundations platelet rich plasma: biology and new technology. J Craniofac Surg 2005; 16: 1043-54.
3. Marx RE. Platelet-rich plasma (PRP): what is PRP and what is not PRP? Implant Dent. 2001; 10: 225-8.
4. Silva A, Sampaio R. Anatomic ACL reconstruction: does the platelet-rich plasma accelerate tendon healing? Knee Surg Sports Traumatol Arthrosc. 2009; 17: 676-82.
5. Nin JR, Gasque GM, Azcárate AV, Beola JD, Gonzalez MH. Has platelet-rich plasma any role in anterior cruciate ligament allograft healing? Arthroscopy. 2009; 25: 1206-13.

Médico e fisiologista do Esporte pela UNIFESP/SBME | Médico ortopedista especialista em joelho pela SBOT/SBCJ/SBRATE | Mestre em ortopedia e traumatologia pela Santa casa de São Paulo

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4 comentários

  1. Edivaldo

    Olá ! Boa tarde ! A tecnica de PRP tem

    OLá ! Boa tarde, por falor, a tecnica de PRP tem sucesso na lesão cronica de fascite plantar? Estou interessado na recuperação rápidda!
    Grato

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  2. Alexandre

    Lesão do ligamento cruzado e medial podem ser melhor tratadas com o complemento de PRP?

    Responder