Dr. Adriano Leonardi

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Pubalgia

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A pubalgia, também conhecida como pubeíte ou osteíte pubica, é em uma condição dolorosa da sínfise púbica ou na origem adutora que se agrava gradativamente com o esforço físico e melhora com realização de repouso e exercícios fisioterápicos.

 

Infelizmente, sua ocorrência nos esportes tem aumentado, especialmente em adolescentes e adultos jovens praticantes de esportes nos quais se faz necessária a realização de chutes repetitivos e mudanças abruptas de direção, como, rúgbi, hóquei, tênis e, em especial no futebol, acometendo com maior frequência os jogadores de meio de campo por conta do toque de bola aos atacantes, mecanismo composto de adução e rotação externa do quadril.

A pubalgia pode ter ser do tipo aguda (pubalgia traumática) ou crônica (pubalgia crônica), causa por repetições. O mecanismo de lesão engloba movimentos de hiperextensão repetitiva do tronco em associação com hiperabdução da coxa, com tração do periósteo na inserção do músculo reto abdominal ou na origem do músculo adutor longo da pelve (figura 1). Acredita-se que o excesso de tração muscular com vetores multidirecionais leve a degeneração da sínfise púbica.

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Figura 1. Anatomia normal da sínfise púbica.

O esquema mostra as relações e os pontos de fixação dos músculos-o músculo reto abdominal e adutor longo  e do ligamento inguinal até a sínfise púbica. Setas amarelas indicam as direções dos principais vetores de força no qual osso púbico é comumente submetidos durante as atividades esportivas.

 

 

 

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Figura 2

O diagnóstico da publagia é realizado através de uma avaliação dos sintomas, juntamente com uma avaliação biomecânica. No exame clínico, observa-se a presença de uma exacerbação de sensibilidade no tubérculo púbico anterior. A dor também pode ser mimetizada pela flexão do quadril, rotação interna e contração da musculatura abdominal. O importante no diagnóstico é estabelecer uma relação entre o histórico e o exame físico.

Pelos exames de imagem, a radiografia simples pode mostrar a degeneração da sínfise púbica e a ressonância magnética, mostra edema ósseo característico da lesão (figura2).

 

Deve-se realizar o diagnóstico diferencial de outras patologias, como a síndrome do músculo piriforme, tendinose do iliopsoas, osteíte púbica, dentre outras.

 

Nota-se que a lesão ocorre:

  • – 12% dos casos bilateralmente;
  • – Em 40% dos casos, inicia-se na região são os adutores;
  • – Apenas em 6% dos casos, ocorre na área perineal;
  • – Em 70% dos casos, ha um aumento gradual da dor;
  • – Apenas em 30% dos casos, tem início traumatico e doloroso.

 

O tratamento conservador da pubalgia traumática, caso não haja perda de mobilidade, pode ser o repouso, associado ao uso de antiinflamatório, gelo, bandagens funcionais e acupuntura. Visa, basicamente o fortalecimento, alongamento e reequilíbrio dos grupos musculares envolvidos na lesão. Deve ser sempre instituído para o atleta amador.

Assim como em outras lesões, o bom senso deve prevalecer no tratamento da pubalgia. Em atletas profissionais ou adolescentes que pretendem se profissionalizar nos esportes, o afastamento prolongado ao esporte pode comprometer o rendimento e, consequentemente, a carreira. Por este motivo, havendo falha no tratamento conservador, deve-se optar pelo tratamento cirúrgico.

 

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A cirurgia para a pubalgia envolve, basicamente a tenotomia (liberação tendinea) dos tendões adutores e do reto abdominal em sua inserção comum na púbis, com o paciente posicionado em mesa de tração, seguida da curetagem (“raspagem”) e perfuração do tubérculo púbico a fim de se estimular a migração de células-tronco para a revitalização da área da lesão. Tudo isso através da incisão clássica de Pfannenstiel e, preferencialmente, auxiliada por um medico urologista a fim de se evitar a lesão da uretra, bexiga e demais estruturas do aparelho genito-urinario.

No período pos-operatorio, a reabilitação deve ser iniciada o mais rápido possível, inicialmente focando o tratamento do hematoma que pode descer a bolsa escrotal e mantendo o alongamento cirúrgico dos adutores que, se nao mantido, pode recidivar rapidamente e, posteriormente, focado no fortalecimento, propriocepção e treino de pliometria direcionado ao esporte sob a supervisão de equipe multidisciplinar.

 

Importante: O conteúdo deste artigo é meramente informative e nao substitui uma consulta médica.Diagnósticos de lesões e opções de tratamento variam de pessoa para pessoa e dependem de fatores como sexo, idade, ocupação, etc, e portanto não devem ser generalizados. Consulte sempre seu médico. As informações deste site não devem ser utilizadas para auto-diagnóstico ou auto-tratamento.

 

dr-adriano-leonardi-especialista-do-joelhoDR. ADRIANO LEONARDI

Médico ortopedista especialista em traumatologia do esporte e cirurgia do joelho. Médico e fisiologista do esporte. Presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Ambientes Remotos e Esportes de Aventura. + Conheça o Profissional

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3 comentários

  1. Andrei Segatto

    Muito boas as colocações, quanto aos pontos referentes a lesão de pubalgia, as vezes nos deparamos com algumas informações que talvez não condizem corretamente e posteriormente acabamos por ter uma demorar na recuperação. Obrigado.

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  2. Roberto Carlos Rojo

    Boa Noite Dr. Adriano

    Meu filho Brian é Atleta de Futebol 17 anos, jogou no Palmeiras e Guarani
    Teve uma lesão no tornozelo que demorou muito pra ser descobrir o problema.
    Enfim levei ele nas Clínicas (Medicina Esportiva d USP) e no diagnóstico encontraram um problema de postura no quadril e movimento dos braços desbalancendo a carga muscular, ocasionando lesões.
    Por fim ficou bom do tornozelo, mas em seguida veio a pubalgia.
    já tem faz quase um ano e ele ainda não melhorou…sempre sente dores quando retorno aos treinos

    Pensando assim, gostaria de saber quanto ficaria uma cirurgia de Pubeíte e quais os procedimentos

    Grato
    Roberto Carlos (11) 9 95246631 whatsapp

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    • Dr. Adriano Leonardi

      Ola sr Roberto.
      Minha secretaria vai entrar em ctt com o sr para orientar procedimentos de agendamento de consulta.

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