Dr. Adriano Leonardi

Artigos

Sequelas da Sindrome de Osgood-Schlatter na vida adulta

A Síndrome Osgood-Schlatter  (também conhecida como Síndrome da tração do tubérculo tibial apofisárias ou apofisite da tuberosidade tibial anterior) é uma irritação da cartilagem de crescimento pelo tracionamento excessivo do tendão patelar na sobre a tuberosidade tibial anterior (TAT) do joelho que, tipicamente ocorre em meninos e meninas em idade ativa 9-16  coincidindo com períodos de estirao de crescimento. Ocorre mais freqüentemente em meninos do que em meninas, com relatos de uma relação masculino-feminino variando entre 3:1 e tão alta como 7:1. E  diferença pode estar relacionada tanto por  uma maior participação dos meninos no esporte e quanto por maior força na execução.

osgood-schlatter

O  stress repetitivo da contração do quadríceps é transmitida através do tendão patelar para a tuberosidade da tíbia imaturo. Isso pode causar micro-fraturas por avulsão (arrancamento) associado a um processo inflamatório do tendão, levando ao crescimento ósseo em excesso na tuberosidade e produzindo uma protuberância visível que pode ser muito doloroso quando tocado e atividades, tais como ajoelhar, correr, jogar futebol, handball, volley, basquete, lutar e dançar. Tipicamente, a síndrome desenvolve-se lentamente com períodos de melhoria e piora alternantes e sem trauma ou outra causa aparente, no entanto, em alguns casos, até 50% dos pacientes dos pacientes relatam uma história trauma (contusão) desencadeando os sintomas.

A condição é geralmente auto-limitante e é causada pelo stress no tendão patelar que liga o músculo quadríceps na parte da frente da coxa para a tuberosidade tibial anterior, que ocorre na fase de “estirão de crescimento” do adolescente. Por isso, é muito comum ortopedistas orientarem os pais que a condição vai melhorar com o final do crescimento. Apesar de muitos orientarem o afastamento de atividades esportivas, particularmente, costumo detectar e corrigir distúrbios biomecânicos como encurtamento muscular de isquiotibiais (posteriores de coxa), fraqueza e perda da capacidade de dissipação de energia cinética de quadríceps (anteriores de coxa) e de glúteos médio e mínimo na quadril e orientar quanto a possíveis erros de treino, sendo mais comum exageros de volume e frequência de treinos.

Na vida adulta, a sequela mais comumente vista, é o aumento do volume da TAT, causando uma protuberância no terço inferior do joelho que, raramente causa algum incomodo, exceto quando o individuo executa alguma atividade ajoelhado.

Osgood-Schlatter

a seta mostra o local da fragmentação da TAT, causando sintomas na vida adulta

Em alguns casos, no entanto, pode haver fragmentação e destacamento da TAT, que podem ficar abaixo ou dentro do tendão patelar. Durante a pratica esportiva ou até mesmo em atuvidades do dia a dia, estes fragmentos instáveis se chocam com a tíbia, causando reação inflamatória cônica com queixas de dor e atrofia muscular, limitando a performance esportiva.

Apesar de alguns pacientes referirem melhoria de sintomas com o tratamento conservador, incluindo a fisioterapia e o fortalecimento muscular, na maioria dos casos, há perda de performance esportiva, na tentativa, mesmo que inconsciente de se evitar dor.

Assim como a maior parte dos autores, acredito que, nestes casos, está indicada a remoção cirúrgica do fragmento. Segundo a literatura, havendo uma boa reabilitação pos-operatoria focada no fortalecimento e reequilíbrio muscular, em 85 a 90% dos casos, houve retorno pleno a atividades esportivas pré-lesionais.

 

O desenho demonstra a via de acesso para a retirada do fragmento de osgood-schlatter através do tendão patelar

O desenho demonstra a via de acesso para a retirada do fragmento de osgood-schlatter através do tendão patelar

 

 

 

Referencias

  • Trail IA. Tibial sequestrectomy in the management of Osgood-Schlatter disease. J Pediatr Orthop. 1988; 8(5):554-557.
  • Mital MA, Matza RA, Cohen J. The so-called unresolved Osgood-Schlatter lesion: a concept based on fifteen surgically treated lesions. J Bone Joint Surg Am. 1980; 62(5):732-739.
  • Flowers MJ, Bhadreshwar DR. Tibial tuberosity excision for symptomatic Osgood-Schlatter disease. J Pediatr Orthop. 1995; 15(3):292-297.
  • Binazzi R, Felli L, Vaccari V, Borelli P. Surgical treatment of unresolved Osgood-Schlatter lesion. Clin Orthop Relat Res. 1993; (289):202-204.
  • Orava S, Malinen L, Karpakka J, et al. Results of surgical treatment of unresolved Osgood-Schlatter lesion. Ann Chir Gynaecol. 2000; 89(4):298-302.
  • Robertsen K, Kristensen O, Sommer J. Pseudoarthrosis between a patellar tendon ossicle and the tibial tuberosity in Osgood-Schlatter’s disease. Scand J Med Sci Sports. 1996; 6(1):57-59.
  • Lynch MC, Walsh HP. Tibia recurvatum as a complication of Osgood-Schlatter’s disease: a report of two cases. J Pediatr Orthop. 1991; 11(4):543-544.
  • Ferciot CF. Surgical management of anterior tibial epiphysis. Clin Orthop Relat Res. 1955; (5):204-206.

Thomson JE. Operative treatment of osteochondritis of the tibial tubercle. J Bone Joint Surg Am. 1956; 38(1):142-148.

Comente