Dr. Adriano Leonardi

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Sindrome de deficiencia energetica

Síndrome da deficiência energética

O número cada vez maior de pessoas praticando atividades físicas das mais diversas modalidades em busca de saúde, tratamento e prevenção de doenças e de um corpo ideal é um fato inegável.

O incremento da internet e o surgimento das redes sociais do início dos anos 2000 tem auxiliado cada vez mais a trazer informações com dicas de treinamento, nutrição e princípios de Medicina do esporte. Infelizmente, nem todas as fontes de informação são confiáveis e algumas informações são passadas ou interpretadas de maneira equivocada, levando a erros de treinamento e sobrecargas fisiológicas.

A busca de um rendimento esportivo cada vez mais alto, aliado um corpo perfeito tem levado muitos atletas esportistas a uma síndrome recentemente descrita no último consenso mundial do comite Olímpico em 2016, denominada síndrome RED-S (Relative Energy Deficiency in Sport) ou síndrome de deficiência energética relativa no esporte.

No ano de 2005 o mesmo comitê publicou em consenso denominado tríade. da mulher atleta,que classicamente abrangia em distúrbios menstruais osteopenia e distúrbios alimentares. De lá para cá, com melhor entendimento do funcionamento do corpo humano aos altos volumes de treinamento e adequação alimentar para o fornecimento de substrato energético para o esporte fez com que a síndrome outrora relativa exclusiva a mulheres se estendesse também aos homens.

 

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A síndrome baseia-se na inadequação do balanço energético para a modalidade que se pratica, em geral abaixo de 45 Kcal/kg quilo por dia, especialmente nas modalidades de endurance como a maratona, iron man

Pesquisas mostram que desordens alimentares que incluem anorexia, distorção da imagem corporal e bulimia tem prevalência de 13 a 20% de adolescentes atletas de elite e em 5 a 8% de atletas adultos.

 

A baixa ingestão calórico-proteica levaria a alterações hormonais, principalmente do hormônio luteinizante (LH), secretado pela hipófise, levando alterações menstruais, denominadas ‘oligomenorreia” que muitas vezes é considerado normal entre as atletas. Acredita-se também que a quantidade aumentada de endofina levaria uma redução do hormônio regulatório do LH e FSH secretado pelo hipotálamo denominado GNRH. Por esse motivo os distúrbios menstruais desta síndrome estão sendo descritos como “amenorreia hipotalâmica”. Alem do LH, outros hormônios como o hormonio do crescimento (GH), IGF1, Grelina e Leptina também se mostram alerados.

Portadores da síndrome, aos poucos vão desenvolvendo outras alterações incluindo anemia, fadiga crônica e aumento do risco de infecções, além de alterações no perfil lipídicos e alteração da função vascular com aumento do risco cardiovascular de infarto e derrame cerebrais.

A perda da massa óssea total, cujo pico ocorre aos 19 anos em mulheres e aos 21 anos em homens sofre feito catabolico (enfraquecimento), muitas vezes de difícil reversibilidade . Isso leva ao aumento do risco de fraturas de estresse, algumas delas denominadas de alto risco de tratamento cirúrgico em sua grande maioria e podem ter consequências graves a longo prazo, muitas vezes comprometendo definitivamente a carreira promissora em adolescentes.

 

E nos homens?

Apesar de ter prevalência no sexo feminino, nos homens a categoria esportiva predomina no ciclismo, seguido do atletismo e salto.

Assim como nas mulheres a baixa ingestão calórico-proteica reduz a taxa de testosterona causando perda muscular e redução da massa ossea.

 

Diagnóstico

O diagnóstico é difícil e deve ser sempre de exclusão. Outras patologias clínicas devem ser sempre investigadas em primeiro lugar e alterações menstruais devem sempre ser avaliados por um ginecologista de confiança.

A síndrome começa com alterações de humor e sono, queda de rendimento, aumento do numero de lesões osteo-articulares, redução da taxa de crescimento em adolescentes, perda exagerada de peso e alterações menstruais que coincidem com pico de aumento de volume de treino.

 

Alterações nos exames laboratoriais e na densitometria óssea (DXA) auxiliam no diagnostico. Recentemente o questionário hábitos alimentares denominado “Questionário rápido de desordens alimentares de atletas” (BEDA-Q) foi validado e tem sido utilizado como importante ferramenta, não só no diagnostico, mas também no seguimento de atletas.

 

Tratamento

O tratamento envolve adequação da taxa proteico-calórica e das consequências causadas pela síndrome como infecções crônicas e fraturas estresse .

Idealmente o atleta deve ser acompanhado por equipe multidisciplinar envolvendo nutricionista,s psicólogos, fisioterapeutas, médico do esporte, endocrinologista e ginecologista.

 

Uma vez tratados, espera se regularização menstrual e normalização das taxas de massa óssea dentro de 2 a 6 meses. Muitas vezes a redução ou afastamento do esporte são necessários por determinado período.

O retorno ao esporte deve ser gradual e acompanhado de perto pelo médico do esporte, dosando se o volume de treino, prevenindo a recidiva.

 

Posso ter isso?

 

A síndrome pode ocorrer em qualquer pessoas que que pratique esportes em alto volume.

Para os atletas amadores que praticam esportes em alto rendimento aqui vai algumas dicas:

 

  • Consulte sempre um médico do esporte para que a prescrição do exercício atenda as suas necessidades.
  • Realize sempre adequação energética por um nutrologo ou nutricionista que estejam atuando de maneira harmônica ao médico do esporte e ao treinador.
  • Nunca faça sua própria periodização de treino. Apesar de planilhas serem facilmente baixadas na internet, elas podem não serem ideias para você.
  • Jamais crie habitos alimentares baseados em dicas de blogueiros. Muitos deles não tem a menor noção do que estou escrevendo e apenas copiam outas pessoas.
  • Não tenha tanta preocupação com sua imagem corporal. Corpos muito bonitos podem não ser necessariamente funcionais para o esporte que você pratica.

 

Referências bibliográficas

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 Drinkwater BL, Nilson K, Ott S, et al. Bone mineral density after resumption of 38 menses in amenorrheic athletes. JAMA 1986;256:380–2. 


Nattiv A, Loucks AB, Manore MM, et al. American College of Sports Medicine 39 position stand. The female athlete triad. Med Sci Sports Exerc 2007;39:1867–82. 


 Loucks AB. Energy balance and body composition in sports and exercise. J Sports 40 Sci 2004;22:1–14. 


 Sundgot-Borgen J, Meyer NL, Lohman TG, et al. How to minimise the health risks 41 to athletes who compete in weight-sensitive sports review and position statement
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 IOC Nutrition Working Group. Nutrition for Athletes: A Practical Guide to Eating 43 for Health and Performance 2012. 


 

dr-adriano-leonardi-especialista-do-joelhoDR. ADRIANO LEONARDI

Médico ortopedista especialista em traumatologia do esporte e cirurgia do joelho. Médico e fisiologista do esporte. Presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Ambientes Remotos e Esportes de Aventura. + Conheça o Profissional 

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