Dr. Adriano Leonardi

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Tendinite Patelar do Joelho

shutterstock_104081243A Tendinite Patelar, conhecida na língua inglesa como Jumpers knee (joelho do saltador) é uma condição que, apesar de aparentemente inofensiva, pode levar à grande incapacitação à prática esportiva. Blazina foi o primeiro autor a estudar a doença em 1973, descrevendo uma tendinopatia (doença do tendão) insercional visto em atletas esqueleticamente maduros que praticavam salto a distância.

 

O joelho do saltador normalmente afeta a fixação do tendão patelar do pólo inferior da patela devido ao mecanismo de cizalhamento que ocorre durante a desaceleração no esporte.

 

A incidência é maior nos homens!
A tendinite patelar é certamente uma das donças do joelho mais comuns que afetam os atletas esqueleticamente maduros, ocorrendo em até 20% dos atletas de salto.

Quanto ao lado acometido, homens e mulheres são igualmente afetados quando ocorre bilateralmente. Quando a tendinopatia é unilateral, a relação masculino-feminino é de 2:1.

 

Por que a doença se desenvolve?
Acredita-se que a patologia seja causada por esforço repetitivo sobre o tendão patelar e do quadríceps, durante o salto. É uma lesão específica para atletas, principalmente aqueles que participam de esportes envolvidos na desaceleração como basquete, vôlei, handebol e corrida de rua. É ocasionalmente encontrada em jogadores de futebol, e em casos raros, pode ser visto em esportes como musculação e ciclismo.

Fatores predisponentes incluem maior peso corporal, genu varo e geno valgo, um ângulo Q do joelho aumentado, patela alta, diferença no comprimento do membro, encurtamento das cadeias musculares, principalmente da posterior (isquiotibiais)

Fatores ligados ao treino incluem falta de preparo físico direcionado ao esporte, técnica inadequada e aumento súbito da intensidade e freqüência do esporte (Overtraining).

No esporte, Joelho é uma articulação, cujas funções são a de absorver a energia cinética gerada pelo contato dos membros inferiores ao solo e transmitir o movimento aos demais seguimentos do corpo. Isto se deve a dois mecanismos básicos: a chamada contração muscular excêntrica, onde a fibra muscular contrai e alonga-se resistindo ao movimento e aos graus de flexão.x Em uma corrida, por exemplo, a força de reação ao solo, que chega a ser duas vezes ao peso do indivíduo é absorvida pela flexão do Joelho entre 50 e 60 graus e pela resistência do quadríceps, ou músculo anterior da coxa. O restante é dissipado pelo quadril e coluna vertebral. A doença ocorreria da perda deste equilíbrio. De uma certa maneira, o quadríceps deixaria de absorver toda a energia cinética e o tendão patelar, sobrecarregado, sofreria micro-ruptura e degeneração.

 

O que se sente?
Os pacientes relatam dor anterior do joelho, muitas vezes contínua. início dos sintomas é insidioso. Normalmente, o envolvimento é infrapatelar ou perto do pólo inferior da patela.

Dependendo da duração dos sintomas, o joelho do saltador podem ser classificados em 1 de 4 fases, segundo Blazina:
* Fase 1 – dor apenas após a atividade, sem prejuízo funcional
* Fase 2 – dor durante e após a atividade, embora o paciente ainda é capaz de executar satisfatoriamente em seu esporte
* Fase 3 – prolongada durante e após a atividade, com a dificuldade crescente na realização de um nível satisfatório
* Fase 4 – Ruptura completa do tendão exigindo reparação cirúrgica.

O exame físico pode revelar aos seguintes achados:
* Ponto de dor no pólo inferior da patela, o pólo superior da patela, ou tuberosidade tibial
* Encurtamento dos Isquiotibiais e quadríceps.
* estabilidade ligamentar normal do joelho.
* Derrame intra-articular do joelho (raro)

 

Estudos de imagemtendinite patelar adriano leonardi
A Ultra-sonografia e ressonância magnética são altamente sensíveis para a detecção de anomalias do
tendão em ambos os atletas sintomáticos e assintomáticos. Portanto, um número significativo de resultados falso-positivos pode ocorrer se o médico não realizar a correlação clínico-radiográfica.

 

Na imagem ao lado, a visão lateral do joelho (sagital) de uma ressonância nuclear magnética. A seta vermelha mostra a área esbranquiçada correspondendo à área de degeneração e micro-ruptura do tendão patelar.

 

Tratamento
Na fase Aguda, impreterivelmente, institui-se os programas de reabilitação, incluindo:
* Modificação Atividade: Diminuir as atividades que aumentam a pressão femoropatelar (por exemplo, pular, agachar). Possivelmente início suave atividades de carregamento excêntrico.
* Crioterapia: Aplicar gelo por 20-30 minutos, 4-6 vezes por dia, especialmente após a atividade.
* Melhoria do alongamento: incluindo (1) os flexores do quadril e joelho (isquiotibiais, gastrocnêmio, iliopsoas, reto femoral, adutores), (2), extensores de quadril e joelho (quadríceps, glúteos), (3) da banda iliotibial, e ( 4) o retináculo patelar.
* Reforço muscular: Fortalecer usando cadeia cinética fechada e exercício excêntrico (ou seja, a perna única descidas agachamento).
* Avaliação isocinética: Detecção de possíveis desequilíbrios musculares através da analise do dinamômetro isocinético e tratamento dos mesmos.
* Treinamento proprioceptivo específico, pliometria e retorno programado e assistido ao esporte.

 

Quando se opera?
Em geral, após falha do tratamento conservador, indica-se o tratamento cirúrgico. Os dois principais procedimentos cirúrgicos incluem a perfuração do pólo envolvido e a excisão da área acometida do tendão.

O objetivo da perfuração é aumentar o suprimento vascular para a área afetada. Recentemente, com o advento da artroscopia do joelho, é possível que seja realizada sem a incisão anterior clássica. O segundo procedimento envolve a excisão longitudinal do tendão envolvido. Conforme relatado por Blazina et al, em 1973, o principal benefício deste procedimento é que ele permitiria retirada de todo o tendão doente, com posterior cicatrização da lesão.

 

Além da cirurgia, existem outros tratamentos?
Embora ainda em estudo, autores relatam sucesso no tratamento da doença com:
* A terapia por ondas de choque (TOC): prevê um resultado comparável funcional em comparação com a cirurgia, de acordo com os pares e colegas. Nesta técnica, uma máquina emite pulsos semelhantes aos usados nas quebras de cálculos renais sobre o tendão doente. A partir daí, ocorreriam estímulos à cicatrização da lesão.
* Aplicação de plasma rico em plaquetas: O PRP é um novo procedimento, baseado numa ideia revolucionária: Injetar nas lesões dos atletas e pacientes em geral, uma concentração de células reparadoras do seu próprio sangue. Este concentrado que é principalmente de plaquetas (daí o nome: plasma rico em plaquetas) contém as substâncias que ajudam a reparar tecidos, os “fatores de regeneração tecidual”, nossos fatores de cicatrização e crescimento celular. Logo, o tratamento, que era chamado “fator de crescimento” (hoje renomeado por levar a entender e confundir com GH- hormônio de crescimento que é dopping e proibido para utilização na melhora do desempenho em atletas) foi difundido para tantos usos e tratamentos como se fosse a saída para todas as lesões.

 

Retorno ao esporte
Retornar para o esporte deve ser baseada na capacidade de um atleta com segurança e habilidade executar atividades esportivas específicas.Quando os sintomas persistem apesar do tratamento conservador ou até mesmo tratamento cirúrgico, o atleta deve pesar os benefícios e as conseqüências de jogar com dor.

 

Existem complicações?
A complicação mais comum é a dor persistente durante o esporte. A mais temida é a ruptura espontânea do tendão, que em geral ocorre após uma contração abrupta do músculo quadríceps, levando a ascenção súbita da patela e incapacitação imediata à deambulação. Esta condição leva à necessidade imediata de reparo cirúrgico.

 

tendinite patelar - dr adriano leonardi

Ronaldo foi um dos atletas que sofreu a ruptura espontânea do tendão patelar durante uma partida de futebol.

 

A prevenção é possível?
A prevenção de sua ocorrência envolve fatores como:
* Avaliação do aparelho locomotor voltada à biomecânica do esporte.
* Preparação física para a prática esportiva desejada.
* Prática esportiva supervisionada por um profissional do esporte e, se possível também por um fisioterapeuta para que se evite erros no gesto esportivo ou overtraining.

 

Referências bibliográficas
1. Andrade MAP, Nogueira SR, Heluy GD. Tendinite patelar: resultado do tratamento cirúrgico. Rev Bras Ortop 2003; 38:186-92.
2. Fritschy D, Wallensten R. Surgical Treatment of patellar tendinitis. Knee Surg Sports Traumatol Arthrosc 1993; 1:131-3.
3. Griffiths GP, Selesnick FH. Operative Treatment and arthroscoic findings in chronic patellar tendinitis. Arthroscopy 1998;14:836-9.
4. Ferretti A, Ippolito E, Mariani P, Puddu G. Jumper’s Knee. Am J Sports Med 1983; 11:58-62.
5. Blazina ME, Kerlan RK, Jobe FW, Carter VS, Carlson GJ. Jumper’s Knee. Orthop Clin North Am 1973; 4:665-78.
6. Kettunen JA, Kvist M, Alanen E, Kujala UM. Long-term prognosis for jumper ´s knee in male athletes: a prospective follow-up study. Am J Sports Med 2002; 30:689-92.
7. Pierets K, Verdonk R, De Muynck M, Lagast J. Jumper´s knee: postoperative assesment. Knee Surg Sports Traumatol Arthrosc 1999; 7:239-42.
8. Popp JE, Yu JS, Kaeding CC. Recalcitrant patellar tendinitis: magnetic resonance imaging, histologic evaluation and surgical treatment. Am J Sports Med 1997; 25:218-22.
9. Karlsson J, Lundin O, Lossing WI, Peterson L. Partial rupture of the patellar ligament. Am J Sports Med 1991;19:403-8.
10. Romeo AA, Larson RV. Arthroscopic treatment of infrapatelar tendonitis. Arthroscopic 1999; 15:341-5.
11. Dejour H. Cotation ARPEGE. 5ème Journees Lyonnaisses de Chirurgie du Genou : 1-7, 1984.
12. Martens M, Wouters P, Burssens A, Muller JC. Patellar tendinitis: pathology and results of treatment. Acta Orthop Scand1982; 53: 445-50.
13. Coleman BD, Karim MK, Kiss ZS, Bartlet J, Young DA, Wark JD. Open and arthroscopic patellar tenotomy for chronic patellar tendinopathy: a retrospective outcome study Am J Sports Med 2000; 28:183-90.

 

dr-adriano-leonardi-especialista-do-joelhoDR. ADRIANO LEONARDI

Médico ortopedista especialista em traumatologia do esporte e cirurgia do joelho. Médico e fisiologista do esporte. Presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Ambientes Remotos e Esportes de Aventura. + Conheça o Profissional

11 comentários

  1. TANIA MARA DE LOLLO FONSECA - 10 de maio de 2013 02:32

    coincidência! hoje passei pelo ortopedista para retirada de uma tala do dedo do pé que eu havia quebrado e, reclamei de dores no joelho direito tipo, se eu fico com a perna esticada durante um tempo, quando vou dobra´la dói e vice versa.
    ele chegou a me examinar e disse que eu necessito urgente de exercícios físicos, tipo academia (aparelho que fortalece as pernas) natação ou bicicleta. Por que na verdade eu ando muito (horas) a pé, não como exercício, por necessidade dos afazeres diários, mas não faço nenhum exercício que fortaleça os músculos e tendões dos joelhos, pelo contrário, quando meu joelho começou a estalar, deixei de subir escadas, só quando necessário mesmo. Ele disse o nome dessa doença (que vai enfraquecendo os músculos) como nunca tinha ouvido falar ” esqueci” agora li sua matéria e fiquei espantada com os problemas citados.Bom nos prevenir não é mesmo? Muito bom você aparecer no meu face´! já curti sua página. Adorei a matéria. Bem vindo. abraços

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  2. Felipe - 27 de agosto de 2013 01:28

    Boa noite Dr., estava lendo sua materia sobre lesão patelar, há + ou – 25 dias estava jogando bola e meu joelho deu um estralo e não consegui mais colocar o pé no chão, fui no médico, fiz um Raio-X e ultrasom, tive a mesma lesão do Ronaldo, ruptura do tendão patelar, fiz a cirurgia após 10 dias da lesão, não tenho convênio, foi em hospital público, a recomendação passada foi que eu ficasse 30 dias sem apoiar a perna e mantê-la esticada, tive o retorno hoje após 15 dias de cirurgia, só tirou os pontos e recomendou que eu retornasse após 15 dias, gostaria de saber qual o melhor procedimento para o pós operatório para que eu possa movimentar e ter atividades físicas e esportivas sem sequelas. Preciso fazer uma ressonância para ver como está? Posso já fazer fisioterapia?

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    • Dr. Adriano Leonardi - 27 de agosto de 2013 01:37

      Oi, Felipe. A Ressonancia magnetica nao tem indicaçao para acompanhar o pos-operatorio. O mais importante é o medico acompanhar a evoluçao clinica: melhoria de dor e ganho de força muscular.
      Qto `a fisio, depende da tecnica usada por seu médico e se voce só teve a lesao pura do tendao. Converse melhor com ele e oriente-se melhor.
      grande abraço e boa sorte em sua recuperaçao.

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  3. Lucas Dias de Faria - 21 de janeiro de 2014 18:25

    Boa tarde Dr. Adriano !
    Me chamo Lucas e sou da cidade mineira de Unaí, tenho tendinite patelar crônica no meu joelho esquerdo, e a anos venho sofrendo com este problema. Já fiz praticamente todos os recursos disponíveis, desde 2 anos de fisioterapia até a infiltração, e na época mais fria, sempre sinto uma incidência maior de dor no local, sinto dor na frente e atrás do meu joelho. Por esse motivo, gostaria de saber se tem algum tipo de cirurgia já implantado e se os resultados dela são satisfatórios.

    Desde já agradeço, e tenha uma boa tarde !

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    • Dr. Adriano Leonardi - 3 de fevereiro de 2014 12:13

      Lucas, se a sua tendinite for do polo inferior da patela existe sim tratamento cirurgico que pode ser feito por artroscopia simples e, em casos mais severos (tendinite associada a pre-ruptura), pdoe-se tambem associar cirurgia aberta.
      abs

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  4. Paulo Santos - 2 de abril de 2014 06:19

    Obrigado pelo texto didático e esclarecedor. Gostaria de saber se seus estudos indicam relação da TPJ com a Síndrome da Dor Patelo-Femural (Patellofemoral Pain Syndrome), tão comum em corredores.

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    • Dr. Adriano Leonardi - 7 de abril de 2014 13:36

      Paulo, a tendinite patelar faz parte da sindrome da dor patelofemoral. Esta sindrome abrange diversar doenças como a TP, tendinite quadricipital, condromalacia, hoffite, etc.

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  5. Leonardo Trindade - 27 de janeiro de 2015 21:38

    Fiz uso inadequado dos joelhos por 10 anos, 15 a 20 quilos de sobrecarga jogando volei. Hoje colho frutos da falta de cuidado na pratica de esportes. Agora estou fazendo exames para uma provável cirurgia.
    Obrigado e parabéns pela materia. Devia ter pesquisado logo no inicio do problema.
    Abrs

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  6. Jean Fraga - 15 de janeiro de 2016 11:43

    Olá Dr. tudo bem?
    tenho exatamente está doença, Tendinite Patela. me incomoda muito quando jogo futebol e efetuo minhas corridas. já fiz o processo de fisioterapia com choques na área com dor, gelo, alongamentos, fortalecimento e a dor continua. estou na fase 3 mencionada no artigo acima. estou pensando seriamente em fazer a cirurgia. gostaria de saber qual a sua opinião. o que se deve fazer?

    fico no aguardo do seu retorno.

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    • admin - 17 de janeiro de 2016 18:16

      Ola, Jean!

      Entendo a ansiedade que a lesão pode estar te causando, mas fica difícil eu emitir uma opinião sem ver teus exames e te examinar minuciosamente.

      Se puder passar comigo, será um prazer poder te ajudar. O endereço e telefones do consultório sao:

      Rua Bento de Andrade,103
      Ibirapuera SP/SP
      Tels. (11) 2507 9021/2507 9024

      Att

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