Dr. Adriano Leonardi

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Terapia por ondas de choque: uma excelente alternativa no tratamento de lesões esportivas

Grande parte das lesões ocasionadas nos esportes são geradas por micro traumas de repetição e enquadram-se na categoria denominada “lesões por overuse”.

terapia por ondas de choque

Quando o indivíduo treina, existe sempre um certo grau de destruição tecidual que, logo em seguida, durante o período  de repouso (ou regenerativo) é compensado por produção de matriz extra celular. Em outras palavras, durante o repouso, o organismo refaz os tecidos de maneira que se tornem mais fortes: tendões, músculos e ossos preparando-o cada vez mais para o esporte que que que o atleta pratica.

Para que este ciclo de destruição/reconstrução seja convertido em ganho de performance, deve haver equilíbrio, que é chamado em medicina esportiva de super-compensação. Porém, quando existe desequilíbrio e a destruição é maior, pode-se desenvolver lesões.

Quando se fala em avaliação médica pré-participativa para o esporte, o consenso mundial é de que o atleta deve realizar uma avaliação funcional e fisiológica seguida de um preparo físico direcionado ao esporte que deseja praticar e, durante sua prática esportiva, o aumento da frequência e do volume devem ser sempre graduais.

 

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Uma vez originada uma lesão por overuse, sabe-se alguns tecidos do aparelho locomotor possuem certa dificuldade de cicatrização gerando lesões muitas vezes avasculares (com pouca circulação) e portanto com pouca resposta ao uso de antiinflamatórios e recursos da fisioterapia como a aplicação local de laser, ultrassom e correntes eletricas (TENS). Os exemplos clássicos são a tendinite patelar, epicondilites do cotovelo e a fasceite.

Historicamente, existiu sempre um esforço muito grande da ciência em cicatrizar estas lesões para acelerar o retorno do individuo ao esporte, levando procedimentos invasivos como a tradicional infiltração com corticóides, e a procedimentos cirúrgicos, alguns com excelentes resultados e outros discutidos pela literatura.

A partir da década de 90, o avanço tecnológico representado pelo tratamento por ondas de choque como a “quebra”de calculos renais chegou à ortopedia. A ideia é estimular o processo de cura biológica em tendões, tecidos circunvizinhos e ossos.

Apesar dos resultados extremamente favoráveis para a cura das lesões, até o momento, existe controvérsia quanto ao mecanismo exato de seu funcionamento . Há duas teorias básicas que explicam seu efeito benéfico no sistema musculoesquelético. Uma baseia-se em micro lesões que as ondas provocam no tecido-alvo (tendões, periósteo, osso esponjoso), sem danificar os tecidos adjacentes. Estas micro lesões serão estímulo inicial para o processo de reparação.

 

Uma segunda teoria baseia-se na produção de óxido nítrico na área atingida pelas ondas de choque. Este óxido nítrico produzido desencadeia uma reação enzimática que estimula o crescimento vascular na área atingida.

Na ultima década, sua utilização em medicina esportiva se popularizou por beneficiar os atletas que não querem ou possuem contra- indicação a procedimentos invasivos e que não melhoraram pela reabilitação tradicional.

 

No Brasil, procedimento possui registro na ANVISA e tem indicação para:

 

  1. Fasceíte Plantar com ou sem Esporão
  2. Pseudoartrose (Fraturas Não Consolidadas) ou retardo da consolidação
  3. Calcificações periarticulares dos ombros (Tendinite Calcárea)
  4. Epicondilite lateral e epicondilite medial umeral (Cotovelo de Tenista e Golfista)
bursite

Aplicação no ombro

epicondilite

Aplicação no cotovelo

esporao

Aplicação para esporão de clacaneo

esporao de calcaneo

Aplicação para tendão de aquiles

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As contra-indicações incluem:

– Anormalidades na coagulação sanguínea (coagulopatias).

– Gravidez;

– Infecção aguda de tecido mole ou osso;

– Arritmias cardíacas ou uso de marca-passo;

– Epiliepsia.

 

Os estudos publicados na ultima década apontam um índice de eficácia de 70 a 85% dos casos, incluindo alguns atletas que tiveram indicação prévia de tratamento cirúrgico.

 

Como é realizada?

Em média, são necessárias de 3 a 5 três sessões com intervalo de uma semana entre elas de duração media de 15 a 20 minutos. O aparelho é direcionado ao foco da lesão e os disparos são aplicados. Em alguns casos, pode-se sentir um certo desconforto, sendo este apenas momentâneo.

A terapia de ondas de choque, alem de auxiliar na cura destas lesoes por overuse cronicas trouxe à comunidade cientifica melhor conhecimento dos mecanismos biológicos do reparo tecidual e, sem duvida sera sempre alvo de pesquisas, junto a outras terapias como as celulas-tronco e o transplante de tecidos como cartilagem e tendões.

 

dr-adriano-leonardi-especialista-do-joelhoDR. ADRIANO LEONARDI

Médico ortopedista especialista em traumatologia do esporte e cirurgia do joelho. Médico e fisiologista do esporte. Presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Ambientes Remotos e Esportes de Aventura. + Conheça o Profissional

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