Pubalgia

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Pubalgia

A pubalgia, também conhecida como pubeíte ou osteíte pubica, é em uma condição dolorosa da sínfise púbica ou na origem adutora que se agrava gradativamente com o esforço físico e melhora com realização de repouso e exercícios fisioterápicos.

 

Infelizmente, sua ocorrência nos esportes tem aumentado, especialmente em adolescentes e adultos jovens praticantes de esportes nos quais se faz necessária a realização de chutes repetitivos e mudanças abruptas de direção, como, rúgbi, hóquei, tênis e, em especial no futebol, acometendo com maior frequência os jogadores de meio de campo por conta do toque de bola aos atacantes, mecanismo composto de adução e rotação externa do quadril.

A pubalgia pode ter ser do tipo aguda (pubalgia traumática) ou crônica (pubalgia crônica), causa por repetições. O mecanismo de lesão engloba movimentos de hiperextensão repetitiva do tronco em associação com hiperabdução da coxa, com tração do periósteo na inserção do músculo reto abdominal ou na origem do músculo adutor longo da pelve (figura 1). Acredita-se que o excesso de tração muscular com vetores multidirecionais leve a degeneração da sínfise púbica.

Pubalgia

Figura 1. Anatomia normal da sínfise púbica.

O esquema mostra as relações e os pontos de fixação dos músculos-o músculo reto abdominal e adutor longo  e do ligamento inguinal até a sínfise púbica. Setas amarelas indicam as direções dos principais vetores de força no qual osso púbico é comumente submetidos durante as atividades esportivas.

 

 

 

Pubalgia

Figura 2

O diagnóstico da publagia é realizado através de uma avaliação dos sintomas, juntamente com uma avaliação biomecânica. No exame clínico, observa-se a presença de uma exacerbação de sensibilidade no tubérculo púbico anterior. A dor também pode ser mimetizada pela flexão do quadril, rotação interna e contração da musculatura abdominal. O importante no diagnóstico é estabelecer uma relação entre o histórico e o exame físico.

Pelos exames de imagem, a radiografia simples pode mostrar a degeneração da sínfise púbica e a ressonância magnética, mostra edema ósseo característico da lesão (figura2).

 

Deve-se realizar o diagnóstico diferencial de outras patologias, como a síndrome do músculo piriforme, tendinose do iliopsoas, osteíte púbica, dentre outras.

 

Nota-se que a lesão ocorre:

  • – 12% dos casos bilateralmente;
  • – Em 40% dos casos, inicia-se na região são os adutores;
  • – Apenas em 6% dos casos, ocorre na área perineal;
  • – Em 70% dos casos, ha um aumento gradual da dor;
  • – Apenas em 30% dos casos, tem início traumatico e doloroso.

 

O tratamento conservador da pubalgia traumática, caso não haja perda de mobilidade, pode ser o repouso, associado ao uso de antiinflamatório, gelo, bandagens funcionais e acupuntura. Visa, basicamente o fortalecimento, alongamento e reequilíbrio dos grupos musculares envolvidos na lesão. Deve ser sempre instituído para o atleta amador.

Assim como em outras lesões, o bom senso deve prevalecer no tratamento da pubalgia. Em atletas profissionais ou adolescentes que pretendem se profissionalizar nos esportes, o afastamento prolongado ao esporte pode comprometer o rendimento e, consequentemente, a carreira. Por este motivo, havendo falha no tratamento conservador, deve-se optar pelo tratamento cirúrgico.

 

Pubalgia

 

A cirurgia para a pubalgia envolve, basicamente a tenotomia (liberação tendinea) dos tendões adutores e do reto abdominal em sua inserção comum na púbis, com o paciente posicionado em mesa de tração, seguida da curetagem (“raspagem”) e perfuração do tubérculo púbico a fim de se estimular a migração de células-tronco para a revitalização da área da lesão. Tudo isso através da incisão clássica de Pfannenstiel e, preferencialmente, auxiliada por um medico urologista a fim de se evitar a lesão da uretra, bexiga e demais estruturas do aparelho genito-urinario.

No período pos-operatorio, a reabilitação deve ser iniciada o mais rápido possível, inicialmente focando o tratamento do hematoma que pode descer a bolsa escrotal e mantendo o alongamento cirúrgico dos adutores que, se nao mantido, pode recidivar rapidamente e, posteriormente, focado no fortalecimento, propriocepção e treino de pliometria direcionado ao esporte sob a supervisão de equipe multidisciplinar.

 

Importante: O conteúdo deste artigo é meramente informative e nao substitui uma consulta médica.Diagnósticos de lesões e opções de tratamento variam de pessoa para pessoa e dependem de fatores como sexo, idade, ocupação, etc, e portanto não devem ser generalizados. Consulte sempre seu médico. As informações deste site não devem ser utilizadas para auto-diagnóstico ou auto-tratamento.

 

Pubalgia

Médico e fisiologista do Esporte pela UNIFESP/SBME | Médico ortopedista especialista em joelho pela SBOT/SBCJ | Mestre em ortopedia e traumatologia pela Santa casa de São Paulo

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15 Comentários

  1. Andrei Segatto disse:

    Muito boas as colocações, quanto aos pontos referentes a lesão de pubalgia, as vezes nos deparamos com algumas informações que talvez não condizem corretamente e posteriormente acabamos por ter uma demorar na recuperação. Obrigado.

  2. Roberto Carlos Rojo disse:

    Boa Noite Dr. Adriano

    Meu filho Brian é Atleta de Futebol 17 anos, jogou no Palmeiras e Guarani
    Teve uma lesão no tornozelo que demorou muito pra ser descobrir o problema.
    Enfim levei ele nas Clínicas (Medicina Esportiva d USP) e no diagnóstico encontraram um problema de postura no quadril e movimento dos braços desbalancendo a carga muscular, ocasionando lesões.
    Por fim ficou bom do tornozelo, mas em seguida veio a pubalgia.
    já tem faz quase um ano e ele ainda não melhorou…sempre sente dores quando retorno aos treinos

    Pensando assim, gostaria de saber quanto ficaria uma cirurgia de Pubeíte e quais os procedimentos

    Grato
    Roberto Carlos (11) 9 95246631 whatsapp

  3. Diefferson disse:

    Oi muito bom!!
    Qual nome dado a cirurgia do pubis?

  4. Lindinei nunes disse:

    Boa Tarde
    Gostaria de marcar uma consulta, como faço para agendar isso ?

  5. Regina L. Ramires disse:

    Bom dia! Dr Adriano Leonardi

    Fui diagnosticada com Sinais de Osteite pubica no exame de Ressonância magnética. Fiz Rx no qual revelou desidratação discal parcial em em L5-S1. Sinto dores fortes na virilha esquerda e sinto os músculos das coxas rígidos. Dormência, calor mto incômodo para subir poucos degraus de escadas. Essa dor na virilha sentia mas achava q era devido a exaustão de pedalar, fazer musculação. Nso imaginei que fizse chegar ao estágio doloroso em q me encontro. Recorri ao médico qdo a dir fivoy maus intensa no ato de dormir. Assim que obtive os resultados em 19.01.2018. Fiquei arrasada. Entrei em depressão . Tenho 62 anos sempre pratiquei d corridas [c a idade diminui o ritmo] mas era o esporte q mais gostava. Hoje me sinto incapaz de tudo. Ando numa tristexa profunda por estar praticamente debilitada. Fiz 6 sessões de fisioterapia… ainda tho mais14 sessões. O q me fez recorrer ao site… é uma sensação de desespero… buscando uma palavras de esperança.

    • Dr. Adriano Leonardi disse:

      Boa tarde, Regina

      Agradeço muito o seu contato.

      Entendo a ansiedade que a lesão possa estar te causando, mas fica difícil eu te orientar sem te examinar e ver seus exames.
      Se puder passar em consulta comigo, será um prazer pode te ajudar.
      O endereço e telefones do consultório sao:

      Rua Bento de Andrade,103
      Ibirapuera SP/SP
      Tels. (11) 2507 9021/2507 9024

      Cordialmente,

      Dr Adriano Leonardi

  6. ramon dellatorre disse:

    ola boa tarde.. sinto uma dor na regiao do pubis ja faz um tempo.. pratico tenis faz 2 anos.. antes conseguia suportar essa dor agora, ja nao consigo mais praticar o esporte.. sinto a dor na virilha e na regiao do coxxis tmb.. ate para espirrar sinto muita dor na virilha.. são sintomas de pubalgia? abraço obrigado

  7. Tiago nery disse:

    Olá boa noite
    Olha a 6 meses atrás tive uma lesao que foi constatada por um exame de imagem abaulamento da articulação pubiana sou jogador amador ,
    Nesse prazo o médico suspendeu minhas atividades e foquei no tratamento e nas fisioterapia ,estou voltando as poucos ,mas as dores quando estou jogando não sinto mais chutes de longàs distância passes enfim, não sinto mais na hora que estou jogando.mas tem um problema no outro dia fica dolorido no local ..aí depois de 3 dias some essa dor ..se eu jogar de novo fica dolorido ….gostaria de saber o que tenho que fazer ?
    muitos fala que é fortalecimento tenho que fazer para que a dor passe ..ou se vou viver com, essa dor pra sempre depois que eu jogar mais vezes
    Cirurgia e melhor remédio.?
    o que devo fazer
    Espero sua resposta e muito obrigado

    • Dr. Adriano Leonardi disse:

      Oi, Tiago!
      Diagnóstico dessa doença tem que ser feito com muita, mas muita cautela.
      Quando recebo pacientes no consultório, mesmo que tem uma imagem compatível com pubalgia, sempre investigo causas urológicas e a possibilidade de hérnia inguinal.
      Sempre muito importante avaliar se existe ou não o chamado impacto Femuro-acetabular.
      Se realmente o paciente tiver a Pubalgia, O tratamento tem que ser muito bem realizado e a transição para retorno ao esporte tem que ser muito bem feita. Alguns casos mesmo com um bom tratamento acabam sendo cirúrgicos
      Caso contrário o paciente não consegue voltar ao esporte .
      consulte sempre um médico especialista.
      Se quiser minha avaliação, será um prazer!

  8. Salete disse:

    Bom dia, tenho 56 anos e não pratico esporte nenhum, sou dona de casa.
    Estou sentindo muita dor na virilha, dói até quando tusso ou espirro. Pode ser pubalgia?

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