Dr. Adriano Leonardi

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A lesão muscular posterior da coxa

Lesões dos músculos isquiotibiais  ocorrem com freqüência em atletas. São especialmente comuns em atletas que participam de esportes que exigem corrida, futebol e basquete.

Anatomia

Os músculos isquiotibiais ou músculos posteriores da coxa dividem-se em:

– Semitendíneo
– Semimembranoso
– Bíceps femoral

Eles começam na parte inferior da pélvis em um lugar chamado a tuberosidade isquiática e atravessam a articulação do joelho e terminam na parte inferior da perna. Possuem a função de ajudar a estender a perna para trás e dobrar o joelho.

 

Por que a lesão ocorre?

A principal causa é a sobrecarga muscular. Durante o chute a uma bola ou durante um “Sprint” na corrida, o grupo muscular anterior da coxa, chamado de quadríceps se contrai vigorosamente objetivando força, esticando o joelho e o grupo posterior da coxa, os isquiotibiais estica-se contra a resistência, objetivando modular o movimento. A isso chamamos de ” contração excêntrica “. Neste momento, por nao resistir a força do quadríceps (agonistas), os isquiotibais (antagonistas) se rompem.

 

Fatores de Risco

Falta de alongamento muscular: Os atletas devem seguir um programa durante todo o ano de exercícios de alongamento diários, principalmente atletas velocistas, atletas de quadras e campo.

Desequilíbrio muscular : Quando um grupo de músculos é muito mais forte do que o seu grupo de músculos opostos , o desequilíbrio pode levar a uma lesao . Isso acontece com frequência com os músculos isquiotibiais .

Mau condicionamento: Se os seus músculos são fracos, eles são menos capazes de lidar com o estresse do exercício e são mais propensos a ser ferido .

Fadiga muscular: A fadiga reduz a capacidade de absorção de energia dos músculos , tornando-os mais suscetíveis a lesões.

 

O que se sente?

Basicamente, ocorre dor súbita na região posterior da coxa com incapacitação quase que imediata do atleta.  É muito comum o espectador ver a equipe de primeiros-socorros removendo o jogador de futebol do campo.

 

Outros sintomas podem incluir:

  • Inchaço durante as primeiras horas após a lesão
  • Hematomas ou descoloração da parte de trás de sua perna
  • Fraqueza que pode persistir por semanas.

 

Diagnóstico

Frente a uma suspeita de lesão muscular, o médico do esporte, ao examinar o atleta busca pelo local da dor e interrupção (gap) muscular.

Exames de imagem incluem o usg a e ressonância magnética. O exame ajuda a graduar o grau da lesão.

A Ressonância magnética mostra a formação de hematoma que aparece na área branca indicada pela seta.

 

Tratamento

A maioria maioria das lesões dos isquiotibiais curam muito bem com tratamento simples, não cirúrgico, que inclui

repouso, gelo , compressão e elevação .

Fisioterapia: Deve ser iniciada o mais breve possível. O ultrassom pulsado visa reduzir o tempo de reabsorção de hematoma. Exercícios específicos podem restaurar a amplitude de movimento e força.

 

Tratamento Cirúrgico

A cirurgia é mais freqüentemente realizado para as lesões por avulsão do tendão , onde o tendão tem puxado completamente longe do osso, principalmente originadas na pelve ( avulsão do tendão proximal ).

 

Tratamento com Plasma Rico em Plaquetas

As plaquetas ajudam o processo de reparo do corpo , pois contêm fatores de crescimento , como o fator de crescimento derivado de plaquetas (PDGF). Após a ativação , esses fatores são liberados e acredita-se auxiliarem na migraçåo de celulas-tronco para a formaçao de tecido muscular.

O PRP é preparado coletando-se o sangue do paciente, realizando-se centrifugaçao e extraindo-se os fatores de crescimento das plaquetas. Em lesoes musculares agudas (que acabaram de acontecer), o hematoma é drenado e, a seguir, o PRP é infundido sob auxilio de ultrassom realizado por um radiologista experiente.

Espera-se, portanto que o PRP atue na lesao muscular acelerando seu tempo de cicatrizaçåo e que haja maior recrutamento de celulas tronco para que mais musculo ( e menos cicatriz) seja formado.

Os estudos sao encorajadores e o PRP se torna uma arma no tratamento de lesoes musculares. Por enquanto, o PRP ainda é considerado uma terapia experimental.

Imagem da lesão muscular pelo ultrassom. A seta indica a área negra que representa o hematoma da ruptura

 

Após a aspiração do hematoma, o PRP é infundido na lesão.

 

Na foto, a seta azul mostra a agulha e a seta vermelga o preenchimento da lesão apos a infusão do PRP.

 

Prevenção

A avaliação isocinética é, sem dúvida, a principal ferramenta na prevenção da lesão dos isquiotibais, pois orientam o grupo muscular a ser trabalhado. Em clubes de futebol sao mandatórias.

Além dela, boa nutrição e boa hidratação, um bom aquecimento antes do esporte e o treinamento para o mesmo sob supervisão de profissionais da educação física experientes também sao muito importantes.

 

Referências bibliográficas
1. Aagaard P, Simonsen EB, Magnusson SP et al. A new concept for isokinetic hamstring: quadriceps muscle strength ratio. Am J Sports Med 1998;26:231-237.
2. Agre JC. Hamstring injuries. Proposed aetiological factors, prevention, and treatment. Sports Med 1985;2:21-33.
3. Askling C, Karlsson J, Thorstensswon A. Hamstring injury occurrence in elite soccer players after preseason strength training with eccentric load. Scand J Med Sci Sports 2003;13(4):244-50.
4. Beaulieu JE. Developing a stretching program. Physician Sports Med 1981;9(11):59-65.
5. Best TM, Garrett WE Jr. In: DeLee and Drez. Orthopedic sports medicine. Basic science of soft tissue (muscle and tendon).Philadelphia: W. B. Saunders; 1994. p. 1-45.
6. Bennell K, Wajswelner H, Lew P et al. Isokinetic strength testing does not predict hamstring injury in Australian Rule footballers. Br J Sports Med 1998;32:309-314.
7. Buckwalter J. Current concepts review pharmacological treatment for soft tissue injuries. J Bone Joint Surg 1995;77-A:1902-1914.
8. Carlsson BM, Faunkner JA. The regeneration of skeletal muscle fibers following injury: a review. Med Sci Sports Exerc 1983;15(3):187-196.
9. Chan YS, Li Y, Foster W, Horaguchi T, Somogyi G, Fu FH et al. Antifibrotic effects of suranin in injured skeletal muscle after laceration. J Appl Physiol 2003;95:771

 

dr-adriano-leonardi-especialista-do-joelhoDR. ADRIANO LEONARDI

Médico ortopedista especialista em traumatologia do esporte e cirurgia do joelho. Médico e fisiologista do esporte. Presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Ambientes Remotos e Esportes de Aventura. + Conheça o Profissional

16 comentários

  1. Vagner - 28 de julho de 2014 18:20

    Dr.adriano quando ocorre avulsao do tendão dos musc.isquiotibiais e se opta em não fazer a cirurgia, e possível jogar futebol como lazer?

    Responder
    • Dr. Adriano Leonardi - 28 de julho de 2014 20:46

      Sim. é possivel.
      Para isso recomenda-se a realizaçao de um exame isocinetico para avaliar o equilibrio muscular. Havendo equilibrio muscular e apos exame fisico realizado por um medico do esporte, o paciente pode sim ir retornando gradativamente ao esporte.

      Responder
  2. alexsandro mariano - 24 de fevereiro de 2015 05:43

    Dr fui disputar uma corrida e no momento após o inicio senti uma enorme dor na parte de trás da coxa esquerda e no momento da desaceleração a mesma dor na coxa direita. Dor muito forte q me deixou horas no gramado onde estava. nao fui a medico e estou colocando gelo a noite. Hoje fazem 9 dias e quando faço algo que mexa com essa parte da coxa nooosssaa que dor que dá. O q eu faço. Ainda é tempo de ir no medico?

    Responder
  3. Lilian Sue Ellen de Oliveira - 26 de março de 2015 18:59

    boa tarde Dr Adriano sou estudante do 1 semestre de Fisioterapia e estou fazendo uma pequisa sobre estiramento muscular . Parabéns esta bem explicado vai ajudar na minha pesquisa

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  4. Anildo - 20 de junho de 2015 23:40

    sou atleta da categoria dos 100 metros rasos,eu estava treinando tiros e senti uma dor na parte de traz da perna direita,fiz três semanas de tratamento com gelo.No início da semana quatro já não sentia dor,treinava no limite,eu já me sentia pronto para competir,mas no final dessa semana(4),numa seçao de treinos a dor voltou ligeiramente acima de onde sentia a dor antes…O Sr.Dr. pode me esclarecer isso?

    Responder
    • Dr. Adriano Leonardi - 22 de junho de 2015 14:36

      Anildo, se vc é atleta federado, deve procurar um serviço de medicina esportiva para fazer logo o diagnostico e tratamento, pois existe a possibilidade de ser uma lesão muscular e a mesma se agravar com o passar do tempo.
      abs

      Responder
  5. Leonardo - 17 de dezembro de 2015 03:08

    Deu estiramento na minha coxa faz 2 meses, eu To tomando anti-flamatorio desde que eu machuquei e a dor ainda não passou 100%, isso demora assim mesmo ? Não fui no medico ainda…

    Responder
    • admin - 17 de dezembro de 2015 12:12

      Bom dia, Leonardo.
      Agradeço muito o contato pelo site.
      Entendo a ansiedade que a lesão pode estar te causando, mas fica difícil eu emitir uma opinião sem ver teus exames e te examinar minuciosamente.
      A chave do sucesso do tratamento começa por um diagnóstico acurado.
      Para passar em consulta comigo, o endereço e telefones do consultório sao:

      Rua Bento de Andrade,103
      Ibirapuera SP/SP
      Tels. (11) 2507 9021/2507 9024

      Att

      Dr Adriano Leonardi

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  6. Angela Celeste da Silva - 14 de janeiro de 2016 12:50

    A mais ou menos 2 anos sinto uma dor na parte interna da coxa, ela fica por alguns dias e depois some.
    Depois de uns meses ela volta, tomo analgesicos, que as vezes ajuda. No começo fui ao médico
    fiz varios exames, ultrassonografia, Raio X da coxa mas nada foi encontrado.

    Responder
    • admin - 17 de janeiro de 2016 18:18

      Oi, Angela.
      Boa tarde.

      Entendo a ansiedade que a lesão pode estar te causando, mas fica difícil eu emitir uma opinião sem ver teus exames e te examinar minuciosamente.

      Se puder passar comigo, será um prazer poder te ajudar. O endereço e telefones do consultório sao:

      Rua Bento de Andrade,103
      Ibirapuera SP/SP
      Tels. (11) 2507 9021/2507 9024

      Responder
  7. Rosendo - 21 de fevereiro de 2016 20:27

    Olá Dr. Adriano, boa tarde…

    Sou corredor amador, corro de 5 a 6 vezes por semana(, sem fazer trabalho de musculação). Apenas corro, variando entre treinos leves, intervalados, de rítmo, ladeiras, longões, etc…. Corro há vários anos e nunca sofri nenhuma lesão, porém, recentemente, fazendo um serviço particular em casa, carreguei grande quantidade de peso e agachei muito para colocar o peso no chão(carreguei vários pranchões de madeira), após esse esforço comecei a sentir fortes dores na parte posterior da coxa, no entanto, sigo treinando, inclusive com treinos de tiro, os que mais forçam a musculatura. No momento da corrida não sinto dores, mais quanto estou frio, sinto que as dores estão cada vez maiores. A dor é do lado direito e, desse lado, estou com um encurtamento na musculatura, sempre fiz aquele alongamento que segura na ponta dos dedos dos pés sem dificuldade, no momento, consigo do lado esquerdo, porém, do lado direito, mal passo do joelho. encontrei seu site buscando explicações para as minhas dores. Acho que vou dar uma maneirada nos treinos fortes e procurar um especialista. Obrigado!

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  8. Lucas Matheus - 25 de julho de 2016 15:01

    Dr, quando um atleta sofre uma lesão qualquer em uma partida de futebol quais são os procedimentos médicos após a partida e os exames feitos no CT para descobrir e tratar de sua lesão?

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    • Dr. Adriano Leonardi - 25 de julho de 2016 22:45

      Depende do caso.
      Se o clube pode pagar uma RM, este é o exame de escolha.
      Se nao puder e o clube tiver um bom radiologista de referencia, um ultrassom pode ser realizado.

      Responder
  9. beatriz alampi cazarim - 2 de agosto de 2016 22:28

    Olá Dr. Adriano. Tenho um caso a discutir se possível…
    Meu namorado sofreu uma lesão distal do bíceps femoral cabeça longa com uma excursão de 12 cm.
    Devido aos sintomas leves que ele apresentava, ninguém desconfiou que tivesse lesão completa, mas ao chegar os resultados da ressonância, deu essa lesão total…
    Ele foi no médico e ele disse que não é cirúrgico…
    Sou fisioterapeuta, não entendo muito de cirurgias, especialmente pra esse caso que é particularmente raro na literatura, mas eu tinha quase certeza de que ele fosse indicar cirurgia, principalmente devido aos 12 cm e também porque ele é atleta e pretende voltar a jogar (ele joga handball e volei).
    Você conseguiria opinar sobre este caso? E se a cirurgia realmente não for indicada, você poderia me explicar por quê?
    Agradeço desde já! Abraços 🙂

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    • Dr. Adriano Leonardi - 3 de agosto de 2016 18:42

      Oi, Beatriz.
      Eu precisaria avaliar a lesão por exame fisico+ imagem.
      dependendo do tempo e estagio da lesão é possível sim tratamento cirúrgico associado a terapias biológicas.

      Responder

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