Técnica de sutura pode “salvar” o menisco lesionado

Técnica de sutura pode “salvar” o menisco lesionado

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Conforme dito em outro artigo, o menisco é uma estrutura fibro-cartilaginosa e tem basicamente a função de amortecer forças aplicadas ao joelho em todo o arco de movimento. Chama a atenção o que chamamos de “anatomia vascular do menisco”: estudos demonstraram que sua periferia é bem irrigada; por isso chamada de “zona vermelha” e sua região central não, recebendo nutrientes por embebição; por isso chamada de “zona branca”.

O menisco lesionado causa sintomas característicos como dor bem localizada com períodos de alívio e agravo a determinados movimentos como agachar e cruzar as pernas, inchaço, e bloqueio (travamento).

As lesões podem ser descritas como sendo completas ou incompletas, estáveis ou instável e de vários padrões.

+ As 10 principais causas de inchaço nos joelhos

O tratamento de um menisco lesionado dependerá de sua localização, tamanho, tempo de ocorrência, idade e ligação ao esporte do paciente.

Classicamente, o menisco lesionado é tratado por artroscopia com a retirada do fragmento lesionado, popularmente conhecida como “limpeza meniscal”.

Na grande maioria dos casos, este procedimento é suficiente para aliviar a dor e queixas de travamento e faz com que atletas profissionais retornem ao esporte em 10 a 15 dias pos-operatórios. No entanto, as pesquisas realizadas nos últimos 20 anos mostram que a grande maioria dos pacientes submetidos a este procedimento apresentam algum grau de artrose do joelho, embora a maioria não sinta nada.

O consenso mundial hoje é que deve-se ao máximo preservar o menisco em pacientes jovens com lesões extensas e nos casos em que há desvio de eixo (pernas tortas), pois estes casos podem evoluir mais rápido para degeneração (desgaste) e se tornarem de difícil tratamento.

Frente a isso, visando preserva-se ao máximo o menisco, técnicas de sutura (costura) vem sendo desenvolvidas.

 

As indicações para a sutura de menisco incluem:

  • Lesões longitudinais periféricas < 3 cm;
  • Lesões da transição vermelho-branca em area de 3-5 mm da periferia;
  • Lesão traumática aguda em pacientes jovens.

 

Contra-indicações:

  • A instabilidade ligamentar é uma contra-indicação relativa para suturar o menisco, ou seja, em pacientes que possuem lesão ao ligamento cruzado anterior, o reparo isolado do menisco não deve ser feito, mas sim junto a cirurgia de reconstrução do ligamento;
  • Lesões degenerativas (do envelhecimento);
  • Lesões na zona branca avascular.

 

Existem diversas técnicas cirúrgicas e vários dispositivos para o reparo meniscal por artroscopia. A melhor delas é sempre a que o cirurgião esta acostumado.

  • Técnica de reparo medial;
  • Técnica de reparo laterais;
  • Desbridamento meniscal;
  • Técnica de fora para dentro;
  • Técnica de dentro para fora;
  • Técnica “all inside”.

 

menisco lesionado

Durante a sutura meniscal, o cirurgião pode ainda fazer uso do coágulo de fibrina ou de plasma rico em plaquetas (PRP- ainda em estudo) a fim de se criar estímulo biológico maior para que a cicatrização da lesão ocorra.

 

Como é o período pós-operatório?

Costuma ser uma pouco mais “chatinho” quando comparado `a meniscectomia (limpeza meniscal) pelo fato de se manter o par de muletas pelo período de 6 semanas.

menisco lesionado

Aspecto pré e pós operatório de uma sutura de menisco.

 

Neste período, o fisioterapeuta realiza a eletro-estimulação do músculo quadríceps, mantém o arco de movimento e analgesia. Apos as 6 semanas, dá-se sequência ao ganho de força e agilidade, direcionados ao esporte e o retorno `as atividades físicas da-se de 4 a 6 meses.

+ A lesão meniscal em corredores de rua

Infelizmente, nos casos em que a cicatrização nao ocorre, uma nova artroscopia é necessária para se retirar o fragmento lesionado, seguido da reabilitação tradicional e retorno ao esporte.

 

Referências bibliográficas

1. Fairbank, T.J. Knee Joint changes after Meniscectomy. J Bone Joint Surg 30B:4 664-671 1948

2. Fauno, P. and Nielsen, M.D. Arthroscopic Partial Meniscectomy: A Long-term Follow-up. Arthroscopy 8:3 345-349 1992

3. Arnoczky, S.P. and Warren, R.F. Microvasculature of the Human Meniscus. Am J Sports Med. 10:2 90-95 1982

4. Henning, C.H.m Lynch, M,A, et al. Arthroscopic Meniscal Repair Using an Exogenous Fibrin Clot. Clin. Orthop 252:65-72 March 1990

5. Dilworth Cannon, W. and Vittori, J.M. The Incidence of Healing in Arthroscopic Meniscal Repairs in Anterior Cruciate Ligament-Reconstructed Knees versus Stable Knees. Am J Sports Med. 20:2 177-181 1992

6. Tenuta, J.J. and Arciero, R.A. Arthroscopic Evaluation of Meniscal Repairs – Factors that effect healing. Am J Sports Med. 22:6 797-802 1994

 

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Dr. Adriano Leonardi
dr@adrianoleonardi.com.br

Dr. Adriano Leonardi possui 20 anos de experiência em Ortopedia. É Médico Ortopedista Especialista em Joelho; Mestre em Ortopedia e Traumatologia; Médico e Fisiologista do Esporte; Membro da Diretoria da Sociedade Paulista de Medicina Desportiva; Colunista e Consultor dos Sites 'Eu Atleta' e 'Globo Esporte'. Agende sua Consulta: (11) 2507-9021 ou 2507-9024

1 Comentário
  • Luis Carlos
    Postado as 08:17h, 02 dezembro Responder

    Bom dia ,gostei das informaçoes obtidas, agora tenho que procurar tratamento.
    Obrigado.

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