Se você iniciou o tratamento para artrose e recebeu o diagnóstico de artrose grau 1, que corresponde ao estágio inicial da doença, mas está treinando de forma inadequada, permanece parado por medo da progressão da doença ou vem utilizando diversos suplementos e procedimentos sem impacto real na articulação, a boa notícia é que esse cenário pode ser revertido. Quando a atividade física é corretamente prescrita, é possível mudar completamente o rumo da doença.
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A ciência demonstra que, nesse estágio inicial, existe a possibilidade de frear a progressão da artrose e transformá-la em uma condição compatível com o envelhecimento fisiológico, sem perda funcional significativa.
Aqui te explicarei como deve ser conduzida a prescrição de atividade física para artrose grau 1 e como isso pode ajudar a frear a artrose.

Características da artrose grau 1
No primeiro estágio da artrose, o paciente começa a apresentar os sinais iniciais da doença. A rigidez matinal costuma ser leve, a dor é ocasional e a vida diária permanece praticamente normal, embora algumas limitações já estejam presentes. É comum o indivíduo sentir dor após atividades recreativas, como brincar com os filhos ou praticar esportes aos fins de semana, seguida de dor persistente e inchaço articular no dia seguinte.
O sinal mais característico da artrose grau 1, especialmente no joelho, é o inchaço recorrente da articulação após esforço. Com o tempo, podem surgir alterações biomecânicas, como dificuldade para estender completamente o joelho, discreta alteração do eixo do membro e início de perda de massa muscular.
Em outras articulações, os sintomas variam. No quadril, surgem dificuldades para agachar ou amarrar os calçados. Na coluna lombar, há limitação para permanecer sentado por longos períodos, estalos articulares e dificuldade para dormir em determinadas posições. Esses sinais caracterizam o estágio inicial da doença — justamente o momento em que o tratamento apresenta melhores resultados.
Avaliação médica e abordagem metabólica
É fundamental compreender que a artrose não é apenas uma doença articular, mas também uma condição metabólica. A partir do momento em que a doença se instala, o organismo passa a funcionar de forma diferente. Podem ocorrer elevação da glicemia, aumento da gordura abdominal, alterações no colesterol e deficiências vitamínicas associadas a má alimentação ou sono inadequado.
Por isso, a avaliação médica deve incluir exames laboratoriais para análise de vitaminas, marcadores metabólicos e, quando indicado, avaliação hormonal tanto em homens quanto em mulheres. Em pacientes sedentários há muito tempo, exames cardiovasculares também podem ser necessários antes do início da atividade física.
Em alguns casos, o controle inicial da dor pode envolver infiltrações articulares, como ácido hialurônico, hidrogel ou plasma rico em plaquetas. Paralelamente, o paciente deve ser encaminhado para fisioterapia, com foco em ativação muscular, frequentemente associada à eletroestimulação. Somente após essa fase inicia-se a prescrição estruturada de atividade física.
Princípios da atividade física na artrose grau 1
A prescrição de exercícios deve seguir três pilares fundamentais:
- Individualização do treinamento
- Progressão gradual
- Controle de impacto
Cada paciente deve ser avaliado considerando peso corporal, condicionamento físico, histórico de sedentarismo e limitações articulares. Inicialmente, o foco é melhorar o metabolismo, reduzir peso quando necessário e ativar a musculatura por meio da fisioterapia, para então avançar para o treinamento físico estruturado.
Essa prescrição deve ser feita em conjunto com profissionais capacitados e sempre embasada em evidências científicas.

Exercícios de força
Os exercícios de força realizados em academia devem priorizar a musculatura do core lombar, responsável pela estabilidade da pelve e pela coordenação do movimento. Quando essa musculatura funciona adequadamente, o movimento se torna mais eficiente e a sobrecarga articular diminui. Em muitos casos, apenas essa abordagem já resulta em melhora significativa dos sintomas.

Outros grupos musculares essenciais incluem o quadríceps e os músculos posteriores da coxa. Entre os exercícios mais indicados estão:
- Agachamento controlado entre 0° e 60°
- Leg press controlado entre 0° e 60°
- Cadeira extensora entre 90° e 70°
- Ponte para ativação de glúteos


A frequência recomendada é de duas a três vezes por semana. O objetivo é transformar a musculatura em um sistema de amortecimento, reduzindo a pressão sobre articulações como quadril, joelho e tornozelo.
Exercícios aeróbicos
Os exercícios aeróbicos são aqueles que aumentam a frequência respiratória e cardíaca. As opções mais seguras incluem bicicleta, natação, elíptico, remo e caminhada em esteira com inclinação. Esses exercícios têm impacto direto no controle de doenças metabólicas, como diabetes tipo 2 e hipertensão arterial.
Além disso, estudos demonstram que o exercício aeróbico reduz o ambiente inflamatório do organismo ao diminuir a liberação de citocinas inflamatórias, favorecendo um estado anti-inflamatório sistêmico e, consequentemente, melhora dos sintomas articulares.
De forma geral, recomenda-se trabalhar entre 60% e 70% da frequência cardíaca máxima, de duas a três vezes por semana, totalizando cerca de 150 a 200 minutos semanais de atividade aeróbica de intensidade moderada.

Mobilidade e flexibilidade
Os exercícios de mobilidade articular são frequentemente negligenciados, mas têm papel fundamental no tratamento da artrose. Uma articulação rígida sobrecarrega as adjacentes. Ao melhorar a mobilidade do tornozelo, por exemplo, é comum observar melhora da dor no joelho. O mesmo ocorre entre quadril, joelho e coluna.
A flexibilidade deve ser trabalhada com cautela. O excesso de alongamento pode predispor a lesões musculares e reduzir a performance. Uma abordagem equilibrada inclui a associação da musculação e do exercício aeróbico com modalidades como o pilates ou a incorporação de seus princípios ao treinamento.

O que evitar na artrose grau 1
Deve-se evitar impacto excessivo e repetitivo. A corrida pode ser realizada, desde que bem planejada e combinada com atividades de menor impacto, como bicicleta e natação. O erro mais comum é o aumento abrupto do volume de treino, o que gera sobrecarga articular mesmo em pessoas sem artrose.
O que jamais deve ser feito é permanecer sedentário ou permitir ganho de peso. O sedentarismo é um dos principais fatores associados à progressão da artrose. Caso algum profissional tenha contraindicado atividade física em um paciente com artrose grau 1, o diagnóstico deve ser revisto e a prescrição adequada reconsiderada.
Progressão do treinamento
Nos primeiros meses, é comum ocorrer uma fase de adaptação do organismo, com eventual leve piora dos sintomas. Por isso, o acompanhamento fisioterapêutico contínuo é importante, com recursos analgésicos quando necessário. Após esse período, inicia-se a progressão gradual da carga, e em cerca de três meses o corpo atinge adaptação fisiológica ao treinamento.
Essa progressão deve ser conduzida por profissionais experientes e capacitados, preferencialmente com formação específica em artrose.
Considerações finais
Existem ferramentas que auxiliam na prescrição do treinamento, como diagramas de avaliação que cruzam sinais e sintomas para sugerir condutas iniciais. Ainda assim, o treinamento nunca deve ser feito de forma isolada ou sem orientação profissional.
Na dúvida, a avaliação médica é sempre essencial. Para quem deseja entender melhor seu diagnóstico, é recomendável conhecer os diferentes graus da artrose para tomar decisões mais conscientes sobre o tratamento.E se você quiser saber um pouco mais sobre o assunto, assista ao vídeo “Exercícios para Artrose Grau I, o que fazer e o que evitar?”:








