Como já descrevi em outros artigos, a artrose do quadril em pacientes jovens é uma doença que pode ir vagarosamente tirando o atleta do esporte e comprometer a qualidade de vida.
No quadril, a prevalência de osteoartrose (OA) aumenta com a idade. Nos jovens, os homens são mais afetados do que as mulheres, enquanto que ao longo da vida, mulheres são os mais afetadas, com severa limitação da atividade diária e qualidade de vida.
Em pessoas jovens, atualmente estuda-se uma doença denominada impacto da femoroacetabular (IFA), na qual a morfologia dos ossos do quadril pode levar a colisão entre a cabeça do fêmur e o osso do quadril, denominado acetábulo. Isso pode lesar secundariamente o lábio cartilaginoso (labrum) e desencadear a osteoartrose.

Impacto da Femoroacetabular
O início da doença é caracterizada pela dor que aparece na virilha ou região lateral após atividades físicas mais intensas. Com repouso e o “corpo frio”, a dor surge como pontadas. Após alguns passos o desconforto melhora. Este estágio geralmente se prolonga por muitos anos e a piora ocorre lentamente.
Na evolução a dor pode aparecer durante as atividades da vida diária e existe real comprometimento da performance esportiva. Movimentos como calçar sapatos, cortar as unhas dos pés, entrar e sair do carro, começam a se tornar um pouco mais difíceis, devido a perda do movimento articular. Com a piora do quadro, as dores noturnas e a rigidez matinal surgem. Nesta fase já mais avançada, começa a perda real da qualidade de vida, quando a pessoa deixa de fazer o que lhe dava prazer.
Inicia-se o tratamento com fisioterapia e, se possível com hidroterapia, procurando fortalecer a musculatura regional e manter o arco de movimento. Exercícios de impacto devem ser evitados. A perda de peso também tem papel importante no tratamento, visto que o quadril suporta muito do peso corpóreo.
O Tratamento
O tratamento definitivo é a artroplastia total do quadril, cirurgia na qual toda a articulação é substituída pela prótese, composta de liga de titânio-cromo-cobalto. Apesar do design das próteses ter evoluído muito nos últimos anos e de permitir o retorno ao esporte em alguns casos, acredita-se que, quanto maior o impacto, maior a chance da evolução para a soltura. Por isso, quanto mais a protelação for possível, melhor. E, por este motivo, técnicas alternativas que possam aliviar a dor e manter o indivíduo ativo tem sido descritas e estudadas.
Em 1934, os pesquisadores Karl Meyer e John Palmer isolaram o ácido hialurônico (HA) em seres humanos, identificando-o como um produto da matriz extracelular de muitos tecidos maduros, incluindo o líquido sinovial. No início da década de 1960, criou-se a ideia de que a suplementação com ácido hialurônico poderia melhorar as propriedades dos fluídos sinoviais e tratar a dor articular. Pouco tempo depois, foram publicados os primeiros estudos sobre modelos animais e tentativas de tratar o uso de ácido hialurônico. Em 1997, o ácido hialurônico recebeu a aprovação da Food and Drug Administration (FDA) nos EUA para ser realizado em seres humanos.
No início dos anos 2000, o produto começou a ser utilizado em maior escala em portadores de artrose, principalmente no joelho, sendo a molécula inicialmente de alto peso molecular.
Nos últimos 15 anos, estudos mostraram que molécula de médio e baixo peso traziam os chamados efeitos “condroprotetores” por melhorar o ambiente fisiológico de uma articulação osteoartrítica, restaurando a viscoelasticidade reduzindo a fricção e melhorando a mobilidade.

Por este motivo, começou a ser utilizada em outras articulações do corpo, dentre elas no quadril, acreditando-se que a injeção direta de ácido hialurônico no espaço articular permitiria atingir uma alta concentração com baixas doses, aumentando a permanência na articulação, com melhor resposta terapêutica.
Isso trouxe grande controvérsia ao meio cientifico, levantando-se a questão: “Essa amenização de sintomas e retorno ao esporte não poderia levar a uma destruição ainda maior do quadril”?
Para responder essa pergunta, alguns estudos de suma importância foram publicados nos últimos 3 anos em revistas científicas de renome como a American Journal of Sports Medicine, uma delas me chamou muito a atenção por tratar-se de uma revisão sistemática, um estudo secundário, que tem por objetivo reunir estudos semelhantes, publicados ou não, avaliando-os criticamente em sua metodologia e reunindo-os numa análise estatística, a reanálise, quando isto é possível.
Os resultados sugerem que o alívio da dor obtido a partir de uma injeção de quadril intra-articular suporta um diagnóstico de IFA e que tem melhores resultados nos casos iniciais, com casos de alívio terapêutico alcançado em até 12 meses, e que a resposta negativa a curto prazo seria um indicativo da real necessidade de uma prótese total de quadril.
Lembrando que a infiltração do quadril deve sempre ser guiado por ultrassom não só para reduzir o risco de uma lesão a artéria, nervo e veia femorais, mas também para que o ortopedista se certifique de que o produto foi realmente infundido dentro da articulação. Infiltrações realizadas “às cegas” podem causar extravasamento extra-articular e causar muita dor e desconforto que podem perdurar por semanas.
Referências Bibliográficas
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Olá Dr.!
Primeiramente, parabéns pelos ótimos artigos informacionais, tenho certeza que tens ajudado muitas pessoas com eles.
Sobre mim, fui diagnosticado com osseoartrose no quadril esquerdo à um ano (29 anos na época), exatamente os mesmos sintomas que mencionaste no artigo, infelizmente tive que consultar com 3 médicos diferentes para descobrir a lesão, a recomendação médica foi parar de fazer qualquer atividade física que cause impacto. Antes disso, aos 20 anos, sofri lesão dos ligamentos, cartilagem e menisco do joelho direito, foram dois anos em tratamento e cirurgias para voltar aos gramados, até descobrir a lesão no quadril estava muito feliz, fazendo o esporte que gosto.
Estive lendo seus artigos e a respeito da infiltração no quadril, gostaria de mais informações e também sugestões de locais onde posso tratar dessa lesão, sei que e uma lesão que ainda não existe um tratamento ideal, mas por hora, estou suportando a dor e ainda continuo jogar futebol e não gostaria de deixar de fazer isso por pelo menos mais 10 anos… Qual é a sugestão que o Sr. pode dar?
Obrigado.
Olá Dr.
Solicito por gentileza, se possível, o valor da infiltração nos dois joelhos. Já tenho indicação médica, mas não tenho confiança em realizar o procedimento, ainda.
Boa tarde doutor sou Wanderson tem 38 anos só médico ortopedista falou que eu tenho uma tendinite no quadriu já tomei vários remédios e não dá certo. E também estou na academia pra fortalecer mais não adianta
Na duvida, consulte uma 2.a opiniao