10 fatos e mitos sobre a Condromalacia Patelar

A palavra provem da aglutinação dos radicais chondros, cartilagem e malacea, amolecimento, traduzindo portanto um “amolecimento da cartilagem” da patela. A lesão é, portanto um amolecimento desta cartilagem, que pode evoluir para sua total destruição.

Sabe-se que a cartilagem articular lesada tem potencial de cicatrização muito limitado. Isso se deve às propriedades histológicas do tecido cartilaginoso que, ao contrário da maioria dos tecidos do corpo, possui pouquíssimas células (hipocelularidade), não possui vasos sanguíneos (avascularidade), é aneural, ou seja, não possui terminações nervosas e é riquíssimo em água. Consequentemente, uma vez lesada, a reação inflamatória é muito pequena e a possibilidade de reparo, quase nula.

Todos os dias, Blogs e sites que abordam o assunto recebem milhares de dúvidas e comentários. Na grande maioria das vezes, sao pessoas que, frustradas em um tratamento sem sucesso, buscam tirar duvidas com a experiencia e outras pessoas.

Seguem abaixo as principais  que tenho recebido meu site na última década:

 

 

 

  1. Quem tem condromalacia não pode praticar esportes.

 

MITO!

A doença está ligada distúrbios biomecânicos e após melhoria de sintomas, é imprescindível o fortalecimento seguido de prática regular de esportes de baixo impacto, prevenindo sua recidiva.

 

  1. Mulheres tem mais chance de desenvolver a doença que os homens

 

FATO!!

Mulheres possuem fatores anatômicos neuromusculares e hormonais que predispõem a doença. Saiba mais aqui.

 

  1. Pratico muito esporte. O impacto vai sobrecarregar minha cartilagem e levará a condromalacia.

 

MITO!

 

A crença de que o esporte degrada mais as articulações caiu por terra há cinco anos atrás. Estudos recentes provaram que atividade física libera enzimas anti-inflamatórias (conhecidas como interleucinas IGF-1,TGF-BETA, IL4,IL10) no joelho que protegem a sua degeneração. Isso explica a taxa de desgaste de joelho ser infinitamente maior em pessoas sedentárias.

 

  1. Fiz uma Ressonância do joelho e, no laudo consta que tenho condromalacia. Este exame é suficiente para meu diagnóstico?

 

 

 

 

 

MITO!

Desequilíbrios musculares e distúrbios biomecânicos estão intimamente ligados à origem da doença. Na ressonância, é muito comum imagens de degeneração da cartilagem, mas muitas vezes trata-se do envelhecimento fisiológico da cartilagem e a dor do paciente está em outro ponto do joelho.

Por isso, o diagnóstico de condromalacia tem que ser dado pro médico que esteja familiarizado com o gesto esportivo do que o paciente pratica. Após análise biomecanica, observando -se força excêntrica e sincronismo muscular, o médico deve observar as imagens de perda de cartilagem da patela e confronta-las com o ponto de dor do paciente. Infelizmente, hoje muitos pacientes tem diagnostico de condromalacia, quando na verdade, a lesão trata-se de uma tendinite patelar, hoffite ou plica sinovial inflamada.

 

  1. Quem tem condomalacia pode evoluir para artrose

 

FATO!!!

 

Uma vez lesada a cartilagem, a liberação de enzimas inflamatorias pode erodir o joelho como um todo.

Motivo pelo qual, medidas condro-protetoras como a viscossuplementação são necessárias, ao menos na fase inicial, para prevenir a progressão da doença.

 

  1. A musculação é contra-indicada para quem tem a condromalacia.

MITO!!!

 

Particularmente , trato a doença em 3 fases:

 

Regenerativa, onde o fisioterapeuta age tirando a dor e realizando a ativação inicial da musculatura da coxa e quadril.

 

-Preventiva, onde o trabalho inicial do fisioterapeuta é continuado em academia, tendo muito cuidado com a angulação de proteção de cada máquina e ao padrão de contração muscular. Nesta fase, é comum haver erro de e execução e exige comunicacao entre médico-fisioterapeuta e educador fisico.

Por este motivo, peço sempre a visita do personal trainer ao meu consultório ou encaminho para um professional que tenha sido treinado pela minha equipe.

– Retorno ao esporte, onde a equipe de profissionais prescrevem a periodizaçao do treino e retorno GRADUAL ao esporte.

 

  1. Tenho condromalacia e nunca mais vou poder voltar a correr.

 

MITO!

 

Como descrito no tópico acima, as 3 fases nao podem ser negligenciadas. Para a corrida de rua, esporte de endurance muito popular nos dias de hoje, tomo alguns cuidados adicionias com meus pacientes, que incluem a realizaçãoo de teste isocinetico para avaliação de equlibrio muscular, teste de baro-podometria , buscando possíveis pisadas patológicas como supinadores e pronadores extremos. Fatores fisiológicos individuais como níveis sanguíneos de GH, testosterona e vitamina D sao de suma importância na prevenção de lesões de over-use.

 

  1. Estou muito pesado(a). Isso pode agravar ainda mais minha doença.

 

 

 

 

 

 

FATO!

Para se ter uma ideia, a cada passo a pessoa dá, duas a quatro vezes seu peso corporal é transmitida através da articulação do joelho. Assim, quanto mais você pesa, mais forte é o impacto em seu joelho.

Estudos mostram que, ao se perder 10 kg de peso, reduz-se em ate 20% da dor para joelhos com condromalacia.

 

  1. Meu ortopedista me receitou Glicosamina e Condroitina. Segundo ele, isso vai ajudar na prevenção do agravo da doença.

 

MITO!

Particularmente, considero mito por nao haver estudos de nível de evidencia suficiente que comprovem isso. Talvez por isso a American Academy of Orthopaedic Surgeons (AAOS) nos Estados Unidos tenha publicado um relatório em 2017 considerando o tratamento como ineficiente.

Particularmente, prefiro que meus pacientes realizem exercícios de baixo impacto como a natacao, deep-running e bicicleta por liberarem enzimas antiinflamatorias no joelho que utilizarem este produto que, aqui no Brasil, tem preço proibitivo.

Para o efeito condro-protetor, prefiro o uso do Acido Hialuronico por haver nevel de evidencia maior em seu efeito de modificação da evolução da doença.

 

  1. Se minha doença nao melhorar, pode ser que eu precise de tratamento cirúrgico.

 

FATO!

 

Apesar de ter indicação muito limitada, alguns pacientes, principalmente mulheres na 4.a década de vida com degeneração avançada da faceta patelar lateral da patela associada a hiperpressão lateral podem se beneficiar com o tratamento cirúrgico.

 

Quer saber mais?

 

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