Condromalácia Patelar

Condromalácia Patelar

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Condromalácia Patelar. O joelho é uma articulação que trabalha próximo a seus limites fisiológicos. Qualquer sobrecarga mecânica, tanto por um treino esportivo, quanto pelo trabalho ou atividades do dia a dia podem desencadear quadro de dor e inchaço, às vezes de difícil controle.

Para entender por que o joelho dói, é necessário ter em mente o conceito do “aparelho extensor”, (figura 1) que se compõe da patela, da massa muscular anterior da coxa, um forte músculo chamado quadríceps e dos tendões quadricipital e patelar. Como o próprio nome diz, a função deste conjunto e a de estender o joelho, movimento necessário para, por exemplo, chutar uma bola.

condromalácia patelar

Aparelho extensor composto pelo músculo quadríceps, patela e tendões quadricipital e patelar

 

Nas atividades da vida diária e nos esportes, a principal função do aparelho extensor, por incrível que pareça não é a estender o joelho, mas sim de desacelerá-lo, absorvendo energia cinética. Isso e feito por um mecanismo denominado contração excêntrica, na qual o músculo contraído alonga-se contra resistência (figura 2).

condromalácia patelar

Contração excêntrica do joelho

Mas, afinal, por que ocorre a condromalácia patelar?

Tendo-se em mente o conceito de aparelho extensor e que sua principal função é a de absorver energia cinética gerada pela reação do corpo ao solo, entende-se que, se todas estas estruturas funcionam bem e estão integras, tudo vai bem. Porem, havendo predisposição individual, fraqueza e desequilíbrio muscular, somado a sobrecarga mecânica do esporte ou excesso de escadas ou salto alto, a energia que seria dissipada pela massa músculo-tendínea passa para a articulação, desencadeando lesão.

Quando atinge o tendão patelar, por exemplo, temos a tendinite patelar, mas quando atinge a cartilagem de contato entre a patela e o fêmur (figura 3), poderemos ter a condromalácia patelar.

condromalácia patelar

A palavra provém da aglutinação dos radicais chondros, cartilagem e malacea, amolecimento, traduzindo portanto um “amolecimento da cartilagem” da patela. A lesão é, portanto um amolecimento desta cartilagem, que pode evoluir para sua total destruição.

Sabe-se, desde a época de Hipócrates que a cartilagem articular lesada de potencial de cicatrização muito limitado. Isso se deve às propriedades histológicas do tecido cartilaginoso que, ao contrário da maioria dos tecidos do corpo, possui pouquíssimas células (hipocelularidade), não possui vasos sanguíneos (avascularidade), é aneural, ou seja, não possui terminações nervosas e é riquíssimo em água. Consequentemente, uma vez lesada, a reação inflamatória é muito pequena e a possibilidade de reparo, quase nula.

 

Tenho condromalácia patelar e é por isso que sinto dor. Certo?

Errado! Trabalhos científicos recentes tem demonstrado que muitas pessoas cujos joelhos apresentam imagem de condromalácia patelar, às vezes já em estágios avançados presentes na ressonância magnética não tem necessariamente dor. Em outras palavras, a condromalácia patelar pode, muitas vezes ser apenas um achado de exame e a dor, decorrente de inflamação de outros tecidos. Por este motivo, preferimos abordar o assunto como sobrecarga femuropatelar.

 

Quem esta sujeito a Condromalácia Patelar?

Em tese, qualquer pessoa pode vir a desenvolver condromalácia patelar, mas estudos recentes têm demonstrado que algumas características individuais do aparelho locomotor de cada pessoas pode predispor ao desenvolvimento da lesão. Isso incluiria pisada muito pronada ou supinada, joelhos em “x” ou arqueados, angulação e rotação anormais entre os ossos do quadril, diferença de comprimento dos membros e, principalmente enfraquecimento e encurtamento de grupos musculares, gerando desequilíbrio entre músculos agonistas e antagonistas.

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Algumas profissões e atividades esportivas estão mais sujeitas à lesão. Dirigir muito, muito tempo sentado com joelhos flexionados, excesso de escadas são fatores relacionados. As mulheres parecem estar especialmente em risco de desenvolve-la. O salto alto, que mantém o joelho em constante desaceleração e um fator importante, mas estudos têm também indicado um funcionamento diferente do joelho masculino.

 

Tratamento para condromalácia patelar

Assim como para qualquer atividade física, acredito que o indivíduo deve primeiro conhecer seu aparelho locomotor, em seguida melhorar o condicionamento físico e, a seguir iniciar-se no esporte.

Frente a um quadro de sobrecarga femuropatelar com ou sem o amolecimento cartilaginoso, sou, particularmente partidário da reabilitação fisioterápica, seguida pelo trabalho de fortalecimento e reequilíbrio muscular. Havendo alivio das dores, “devolvemos” aos poucos o paciente de volta ao esporte. Isso, obviamente, sob contato continuo e harmonioso entre o treinador e profissionais da saúde. Finalmente, em raros casos refratários, realizamos o tratamento cirúrgico através da artroscopia do joelho .

 

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Dr. Adriano Leonardi
dr@adrianoleonardi.com.br

Dr. Adriano Leonardi possui 20 anos de experiência em Ortopedia. É Médico Ortopedista Especialista em Joelho; Mestre em Ortopedia e Traumatologia; Médico e Fisiologista do Esporte; Membro da Diretoria da Sociedade Paulista de Medicina Desportiva; Colunista e Consultor dos Sites 'Eu Atleta' e 'Globo Esporte'. Agende sua Consulta: (11) 2507-9021 ou 2507-9024

10 Comentários
  • Rose Rocco
    Postado as 02:59h, 05 junho Responder

    Dr. Adriano, li e adorei era tudo q precisava saber no momento. Obrigada bjs.

  • Júlio César
    Postado as 13:39h, 26 outubro Responder

    Primeiramente parabéns pelo trabalho que desenvolve no site. Dr. Adriano, gostaria de saber sobre a utilização do método PRP no tratamento da condromalácia patelar. Desde já obrigado.

    • Dr. Adriano Leonardi
      Postado as 16:29h, 27 outubro Responder

      Oi, Julio!
      O PRP tem tido excelentes resultados no tratamento d condromalacia patelar por 2 formas:
      1. Infiltraçao, com efeito analgesico imediato, dando a possibilidade do paciente progredir no fortalecimento muscular, excencial no tratamento da doença.
      2. Durante cirurgias por potencialiar a migraçao de celulas tronco e melhorar o volume cartilaginoso.

  • atelania fátima lima de aquino
    Postado as 21:36h, 22 abril Responder

    olá, tenho 44 anos, sou professora de educação física , subindo escada , tive uma torção no joelho esquerdo ,depois de muitos dias fiz uma Ressonância magnética ,na qual o resultado fiquei assustada: Degeneração intrassubstancial do corno posterior do menisco medial ? Condropatia patelar avaçada ? Edema focal do coxim adiposo subrapatelar, provavelmente relacionada a hipersolicitação do mecanismo extensor. e agora? o que vai acontecer ? o Senhor pode me ajudar? vou demorar a dar o resultado ,estou preocupada ,pq ainda sinto dor e inchado. obrigada!

    • Dr. Adriano Leonardi
      Postado as 20:12h, 28 abril Responder

      Sim.
      A dor da condromalacia leva `a chamada inibiçao artrogenica do quadriceps que, com o passar do tempo, leva a atrofia.

  • Viviane Puga
    Postado as 12:02h, 23 maio Responder

    Adorei o artigo, mesmo tendo orientacao medica, esse nome “condromalacia” me assustou, e o q li foi muito esclarecedor e tranquilizador tb. Há cerca de 2anos qdo comecei a sentir dor nos joelhos, na lateral interna dos mesmos, no raio-x disseram q tinha desvio em ambas patelas, são inclinadas pra dentro, por isso a dor na lateral interna; há pouco tempo fiz ressonancia, e fui diagnosticada com condropatia patelar inicial, não sou atleta, mas, ja identifiquei algumas rotinas q podem ter contribuido p/isso, e vou mudar alguns habitos (subir escada principalmente, e tentar manter perna mais esticada no trabalho, já q fico sentada c/ joelhos dobrados em 90º praticamente dia todo), e medico me orientou tb a fazer fortalecimento muscular c/pernas esticadas, e tomar medicamento p/manter sempre a lubrificacao da regiao (comecei com artrolive, hj tomo glicolive, diariamente)… eu q nunca fui adepta de atividade fisica, exceto yoga, comecarei a me cuidar, pra evitar danos maiores.

  • Fábio
    Postado as 22:02h, 08 fevereiro Responder

    Olá Dr. Adriano Leonardi, gostaria de saber, em se tratando de exercícios resistidos na cadeira extensora, quais angulações seriam mais seguras para a realização de um fortalecimento muscular após o cliente não referir mais dor, sem ocasionar a hiperpressão patelar contra a parte distal do fêrmur?
    Gostei do artigo, fico no aguardo!
    Abraço.

    • Dr. Adriano Leonardi
      Postado as 13:29h, 09 fevereiro Responder

      Bom dia, Fabio.
      para a cadeia extensora (cadeia cinética aberta- CCA), orienta-se que a angulação de proteção seja de 90 a 70 graus para não se gerar vetor de cizalhamento na articulaçåo. Importante se verificar tb se o seu aluno não tem lesão na procela femoral, pois `as vezes, mesmo nesta angulação, pode-se agravar a lesão

  • marcelo barbosa câmara
    Postado as 12:14h, 16 agosto Responder

    Caro Doutor Adriano,

    Tenho condropatia patelar tipo 1 no joelho direito. Praticava capoeira e jiu jitsu e sentia um desconforto no joelho. Após ressonância, fiz infiltração com acido hiarulonico e estou terminando 20 seções de fisioterapia. Entretanto, parei de praticar meus esportes e me dediquei somente a fisioterapia e ao tratamento. De lá para cá só tenho piorado. Posso ter perdido força muscular e disso adveio a piora? O que o senhor aconselharia? Obrigado

    • Dr. Adriano Leonardi
      Postado as 15:27h, 17 agosto Responder

      oi, Marcelo.
      Vc precisa de nova avaliação medica para poder rever seu diagnostico.
      Se quiser/[uder [assar comigo, será um prazer!
      Abs

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