Exercícios para quem tem artrose

Exercícios para quem tem artrose

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Segundo a organização mundial da saúde (OMS), a artrose (desgaste da cartilagem) é a doença mais prevalente na população mundial, acometendo 70 a 80% das pessoas acima de 60 anos. Seus sintomas incluem dor progressiva, rigidez articular, dificuldade de locomoção, deformidades, perda do arco de movimento do joelho, ou seja, incapacidade de dobra-lo ou estica-lo de maneira completa; inchaço (água no joelho), falseio e fraqueza muscular progressiva.

Existe um consenso hoje em dia na Medicina do Esporte, de que todas as pessoas que possuem artrose devem manter-se ativas por 2 principais motivos:

  1. A artrose causa incapacitação progressiva levando à inatividade que, por sua vez, agrava doenças clínicas como o diabetes, doenças do coração, ansiedade, depressão e aumenta a incidência de cânceres.
  2. Atividade física moderada está ligada ao aumento da secreção de enzimas anti-inflamatórias que protegem a articulação da progressão do desgaste articular.

O melhor conhecimento de técnicas e das respostas fisiológicas de cada tipo de treinamento tem facilitado o que antes era extremamente proibido pelos ortopedistas: os exercícios para quem tem artrose.

Hoje, nosso conceito passa a ser o oposto: a prescrição de exercícios é fundamental no rol do tratamento da artrose e devem seguir 10 princípios fundamentais:

Exercícios para quem tem artrose

1. Individualidade

Como descrito acima, a doença tem um espectro enorme de sinais e sintomas que podem variar muito de pessoa a pessoa. Alguns podem ter mais dor, outros, mas rigidez e outros mais inchaço articular.

Além disso, existe uma ampla variação de força e habilidade de executar o movimento.

Portanto, os exercícios para a artrose devem ser prescritos de maneira individual por toda a equipe de profissionais de saúde.

2. Contração excêntrica

O conceito da contração excêntrica consiste em manter o músculo ativo, resistindo ao movimento. É o tipo de contração que temos no músculo anterior da coxa (quadríceps) quando descemos escadas. Este tipo de contração é fundamental na proteção da articulação ao movimento.

Dizemos que, quanto melhor a excentricidade, menos impacto na articulação e, portanto, menos agressão.

3. Isometria

O conceito da contração isométrica é o de manter a articulação estática, sem movimento e contra a resistência. Isso é fundamental para a musculatura do quadril e lombar que compõem o CORE. A contração isométrica destes músculos e da musculatura do joelho, são fundamentais na estabilização do joelho.

4. Fadiga concêntrica máxima

É fazer com que determinado grupo muscular seja treinado até sua fadiga máxima. Em pessoas que têm artrose, o método deve ser empregado com alguns cuidados para que não haja agressão articular descrita nos próximos itens.

5. Carga baixa

O conceito de quanto maior a carga, melhor a resposta muscular, tem cada vez mais caído por terra. Aumentar a carga do exercício aumenta a reação articular e isso pode levar a crises de reagudização de sintomas como dor e inchaço no joelho, principalmente no dia seguinte ao treino.

6. Alto número de repetições

Um número elevado de repetições é uma das principais estratégias para que a fadiga concêntrica máxima seja alcançada.

7. Bi ou tri séries

Realizar exercícios sem descanso entre as séries até que a exaustão seja atingida é uma estratégia inteligente e também pode levar à fadiga concêntrica máxima. Exemplo: treino em cadeira extensora seguida de avanços alternados.

8. Métodos adicionais como o GVT, Ponto zero, rest pause e dropset

Alternar o treino e utilizar destas técnicas não só ajudam o individuo que se trata de artrose a se adaptar ao treino, mas também aumentam a resposta fisiológica e levam à fadiga concêntrica máxima.

9. Treino aeróbico

Além do treino de força e equilíbrio, o treino aeróbico deve também entrar na periodização de treino. Aqui, todo o cuidado com a irritação da articulação deve ser tomado. Em geral, treino na bicicleta com altura e angulação adequadas do banco costumam ser os mais indicados. Alternativas são a caminhada, o transpotting, remo estacionário e exercícios na água, como a natação e a hidroginástica.

10. Planejamento nutricional

Quando se almeja aumento da força, o planejamento nutricional é de suma importância, especialmente quando se trata de pessoas acima dos 60 anos, pois necessitam de uma dieta mais rica em proteínas do que os mais jovens.

Cuidado!

Mesmo com todo cuidado na prescrição de exercícios para a artrose, em algum momento, os sintomas podem recidivar como dor e inchaço repentinos e o médico deverá ser sempre consultado.

Conclusão

A prescrição de exercícios para a artrose é uma tendência mundial. Junto a recursos como a infiltração no joelho com ácido hialuronôico e determinadas medicações pode evitar ou postergar tratamentos definitivos como a prótese total de joelho.

Em todos os indivíduos, a reavaliação medica deverá ser sempre realizada anualmente, verificando-se tanto a progressão da artrose, quanto os ganhos fisiológicos da prática esportiva.

 

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Dr. Adriano Leonardi
dr@adrianoleonardi.com.br

Dr. Adriano Leonardi possui 20 anos de experiência em Ortopedia. É Médico Ortopedista Especialista em Joelho; Mestre em Ortopedia e Traumatologia; Médico e Fisiologista do Esporte; Membro da Diretoria da Sociedade Paulista de Medicina Desportiva; Colunista e Consultor dos Sites 'Eu Atleta' e 'Globo Esporte'. Agende sua Consulta: (11) 2507-9021 ou 2507-9024

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