Qual o Tratamento Correto para a Artrose?

E se eu te dissesse que o tratamento mais correto para a artrose de joelho não é infiltração, nem cirurgia — e que muita gente está atrasando a própria melhora por acreditar nisso?

A artrose não piora porque você se mexe, ela piora porque o joelho perde força, movimento e controle. Entender isso muda completamente a forma de tratar a dor e pode evitar anos de limitação desnecessária. A experiência clínica e as evidências científicas mostram que o recurso mais eficaz é a atividade física bem orientada e progressiva.

A artrose vai além do desgaste da cartilagem: envolve inflamação, perda de força, alterações do movimento e medo de se mexer, criando um ciclo de dor. Por isso, tratamentos isolados até ajudam, mas não sustentam resultados a longo prazo.

Aqui, eu mostrarei quais são os 4 Pilares Espartanos que eu desenvolvi para o tratamento da artrose de forma simples, clara e eficaz.

ENTÃO POR QUE TANTO SE FALA EM PROCEDIMENTOS “MODERNOS”?

Porque eles existem e estão aí para nos ajudar, mas não são a base do tratamento. São ferramentas adicionais.

A ortopedia atual combina estratégias e, por isso, sempre digo que o tratamento para a artrose não é a monoterapia. O que eu quero dizer com isso é que não existe uma solução única para o tratamento da artrose que sirva para todo mundo. O que funciona para alguém de 35 anos, ativo, com uma lesão localizada, é completamente diferente do que funciona para alguém sedentário, acima do peso e com artrose mais avançada.

E é dentro desse cenário que entram as tecnologias mais novas. Elas ajudam, aliviam, complementam. Mas nenhuma entrega, sozinha, o que o músculo forte e o movimento oferecem.

POR QUE A ATIVIDADE FÍSICA É O PILAR PRINCIPAL DO TRATAMENTO MODERNO?

Se você perguntar para qualquer especialista atualizado sobre o que realmente funciona para a artrose, a resposta será sempre parecida: movimento — especialmente aeróbico e fortalecimento.

E isso não é discurso motivacional. É ciência. Hoje já sabemos que a atividade física:

  1. reduz substâncias inflamatórias dentro da articulação,
  2. melhora a lubrificação natural,
  3. aumenta a força muscular que protege o osso,
  4. diminui a dor,
  5. melhora o humor,
  6. ajuda no sono,
  7. e reduz a necessidade de remédios para dor.

É muito mais do que “fazer exercício”, é usar o próprio corpo como ferramenta terapêutica. Mas para isso funcionar, existe um protocolo, ou seja, uma ordem — e essa ordem é o que quase ninguém segue.

EFEITO ANTIINFLAMATÓRIO DO EXERCÍCIO

O que muitos não sabem é que a artrose não avança apenas pelo desgaste mecânico; ela é impulsionada pela sinovite artrítica, uma inflamação da membrana sinovial que libera substâncias que corroem a cartilagem e mantêm a dor ativa.

Ao se movimentar corretamente, o corpo ativa mecanismos antiinflamatórios naturais.

A atividade física reduz citocinas inflamatórias, como a interleucina-6 e a TNF alfa, melhora o metabolismo intra-articular e facilita a circulação do líquido sinovial. Com isso, diminui a sinovite artrítica, o processo que acelera a degradação da cartilagem e está por trás da dor crônica.

POR QUE MUITA GENTE TENTA FAZER ACADEMIA E PIORA?

Você deve estar me perguntando o porque toda vez que tenta se movimentar um pouco mais sente dor no joelho. E a resposta é simples: muitas vezes os pacientes pulam etapas importantes do tratamento da artrose, fazem atividade física sem antes terem passado por um processo de reabilitação e para um corpo que não está muito bem preparado isso pode levar ao aumento de dor.

A maioria das pessoas pulam etapas essenciais. Pense comigo, se a articulação está dolorida, inflamada, com movimentos alterados e a musculatura está “desligada” (que é o que chamamos tecnicamente de inibição artrogênica do quadríceps), como colocar peso logo de cara?

A musculação funciona muito, mas apenas quando o corpo está preparado. É por isso que antes de pensar em leg press, agachamento ou cadeira extensora, vem a etapa de reabilitação.

Leia também: Quando a artrose precisa de cirurgia?

A REABILITAÇÃO: O PASSO QUE NINGUÉM VALORIZA, MAS MUDA TUDO

Ao contrário do que muitos pensam, a fisioterapia não é “choquinho e bolinha” apenas. Uma reabilitação moderna faz três coisas fundamentais:

  1. Reduz a dor para que o cérebro pare de amplificá-la: quem tem dor crônica passa por um processo chamado cronificação, em que o cérebro “aprende a sentir dor”. Com técnicas de analgesia e mobilidade, isso começa a ser revertido.
  2. Recupera a mobilidade e o movimento natural da articulação: rigidez, travas, compensações… tudo isso melhora nessa fase.
  3. Religa os músculos que estavam inativos: muita gente acha que tem “fraqueza”, mas na verdade é desativação neuromuscular. O músculo está lá, só não está recebendo o comando.

Quando essa trilha é bem feita, a musculação deixa de ser um risco e vira uma virada de chave.

O EXERCÍCIO AERÓBICO, O FORTALECIMENTO E O INÍCIO DA MELHORA REAL

Depois da reabilitação, entra a parte realmente poderosa: atividade física programada. E aqui vale explicar por que esse pilar é tão forte.

1. EXERCÍCIO AERÓBICO (PRINCIPALMENTE CICLISMO)

A bicicleta se transformou na melhor amiga de quem tem artrose por vários motivos:

  1. é um exercício de baixíssimo impacto,
  2. diminui a rigidez articular logo nas primeiras semanas,
  3. ajuda a desinflamar a articulação,
  4. melhora o fluxo de nutrientes no líquido sinovial,
  5. aumenta a resistência física,
  6. e prepara o corpo para o fortalecimento.

O ciclismo também é muito útil para quem tem medo de caminhar porque sente que o joelho “falha”. Na bike, a articulação trabalha de forma suave, coordenada e estável e, por isso, é a maneira perfeita de começar.

É sempre importante dizer aqui que o terreno precisa ser plano e sem acidentes, ou seja, sem muitos buracos e pedras. Por isso, o ideal no primeiro momento é dar preferência por bicicletas ergométricas, aquelas utilizadas nas academias.

2. CAMINHADA MODERADA E TREINO AERÓBICO VARIADO

Nem todo mundo vai começar pedalando, e tudo bem. Caminhada com ritmo leve a moderado, hidroginástica ou remo também são excelentes opções.

A chave é acumular pelo menos 120 minutos por semana de atividade aeróbica, porque:

  1. reduz a ansiedade ligada à dor;
  2. melhora a percepção de movimento;
  3. diminui a inflamação sistêmica;
  4. aumenta a liberação de endorfinas (“analgésicos naturais” que aliviam a dor) e miocinas (que funcionam como um “Wi-Fi anti-inflamatório” enviado pelos músculos para desinflamar a articulação): essas duas substâncias melhoram o ambiente do joelho por dentro, deixando tudo menos irritado e mais estável;
  5. ajuda no controle de peso.

Só isso já diminui a dor significativamente.

3. A MUSCULAÇÃO — O TRATAMENTO MAIS PODEROSO DE TODOS

Depois de reabilitado, o paciente entra no que realmente sustenta o tratamento: treino de força. Fortalecer é o que mantém a articulação viva, estável e protegida. Músculos fortes funcionam como amortecedores, pois eles absorvem impacto, estabilizam o movimento e impedem que a cartilagem sofra sobrecarga.

O que melhora quando o músculo fortalece?

  1. subir escadas dói menos,
  2. andar longas distâncias fica possível de novo,
  3. o joelho não “falha”,
  4. a articulação não incha tanto,
  5. e o paciente recupera a confiança no próprio corpo.

E aqui não estamos falando de virar atleta, mas sim de fortalecer o suficiente para que o movimento volte a ser natural.

OS 4 PILARES ESPARTANOS: O TRATAMENTO MODERNO EXPLICADO DE FORMA SIMPLES

Para organizar tudo isso de maneira prática, clara e acessível, eu desenvolvi uma técnica simples que aplico para todos os meus pacientes, que são 4 Pilares Espartanos. Esses pilares dividem o tratamento em uma linha lógica:

Pilar 1 — Avaliação Ortopédica

É onde tudo começa. O médico examina, identifica o grau da artrose, avalia o movimento e define o que está realmente causando dor. Aqui a radiografia, a ressonância, o ultrassom são utilizados, mas tudo isso é usado com bom senso, não como sentença. O que eu sempre digo é que o diagnóstico da artrose deve ser feito pelas mãos do médico e isso significa examinar o paciente.

Pilar 2 — Avaliação Metabólica

Aqui está o ponto ignorado pela maior parte dos tratamentos.

Antes de mais nada, é preciso avaliar se o organismo do paciente está funcionando de maneira adequada, se os níveis de hormônios, proteínas e vitaminas estão bons, se as doenças de base desse paciente, como pressão alta e diabetes estão controladas, caso ele tenha. Caso contrário, quando tudo está desregulado, tem o que chamamos de síndrome metabólica.

A síndrome metabólica é a combinação de aumento da gordura abdominal, açúcar alto no sangue, colesterol alterado e pressão elevada e funciona como um “incendiário silencioso” dentro do corpo. Esse conjunto de alterações aumenta a produção de substâncias inflamatórias que circulam pela corrente sanguínea e acabam chegando também às articulações, alimentando a inflamação da artrose e acelerando o desgaste da cartilagem.

Quando o organismo entra nesse estado metabólico desregulado, a articulação passa a viver em um “banho químico” mais agressivo: o inchaço aumenta, a dor fica mais intensa e a capacidade natural de reparar os tecidos diminui. É por isso que o Pilar 2, voltado para a avaliação e correção metabólica, é indispensável. Ajustar glicemia, colesterol, vitamina D, hormônios e gordura corporal cria um ambiente interno mais estável, ou seja, é quase como preparar o solo antes de plantar.

Se esses fatores não estão equilibrados, o corpo simplesmente não responde ao treino, por mais esforço que a pessoa faça. É como tentar erguer uma casa sobre um terreno que afunda. Essa etapa coloca o organismo em condições de ganhar força, perder gordura, reduzir inflamação e tolerar melhor os exercícios. Sem isso, o último pilar — o fortalecimento — não se sustenta.

Pilar 3 — Reabilitação e Fisioterapia

A reabilitação é a etapa que “arruma o caminho” antes da musculação. É aqui que a dor diminui, o movimento volta e a musculatura começa a ser reativada. Ninguém deveria ir direto para a academia sem passar por essa fase, porque treinar com dor ou inflamação só piora a articulação e aumenta o medo de se movimentar.

O primeiro passo é modular a dor. Se ela está alta, o corpo desliga o músculo e o fortalecimento não funciona. Para isso, podem ser usados recursos como laser, acupuntura, ultrassom e técnicas manuais. Em casos mais difíceis, entram tratamentos que ajudam a abrir caminho para o movimento, como PRP (plasma rico em plaquetas), ácido hialurônico, hidrogel e bloqueios de dor, que reduzem a inflamação e permitem que o paciente recupere o controle da articulação.

Com a dor mais estável, começa a reativação muscular, que é quando o fisioterapeuta “religa” os músculos que estavam enfraquecidos ou travados. Isso ajuda o paciente a perder o medo de treinar e recuperar a firmeza ao caminhar, subir escadas e agachar.

A reabilitação funciona como a fundação de uma casa: se essa base não estiver sólida, o fortalecimento do último pilar não funciona. É ela que transforma um corpo dolorido e inseguro em um corpo capaz de treinar, fortalecer e progredir sem piorar a artrose.

Pilar 4 — Atividade Física Programada

O quarto pilar é o que realmente transforma o tratamento da artrose, pois é o coração do tratamento moderno. Aqui o paciente deixa de apenas “tratar a dor” e passa a tratar a causa: fraqueza muscular, inflamação e perda de mobilidade

Alguns exercícios são muito importantes, tais como o ciclismo, caminhada de baixo impacto, musculação, treino de equilíbrio (propriocepção), fortalecimento de core, glúteos e quadríceps e exercícios funcionais leves — sempre de forma progressiva e personalizada.

A força do exercício está nas miocinas, substâncias liberadas pelo músculo durante treinos aeróbicos e de força. Elas agem como um anti-inflamatório natural que melhora o ambiente da articulação e freia a progressão da artrose. Para que tudo funcione sem sobrecarregar o corpo, o treino segue uma periodização, alternando dias de aeróbico, fortalecimento e recuperação.

Quando esse pilar se encaixa aos outros três, o corpo volta a funcionar como um sistema: a dor diminui, o movimento retorna e a qualidade de vida melhora de forma contínua e sustentável.

POR QUE ISSO É CONSIDERADO MODERNO?

Porque o tratamento contemporâneo deixou de depender apenas de remédios e procedimentos. Hoje, os melhores resultados vêm de:

  1. integrar ortopedia, fisioterapia, medicina esportiva e treino,
  2. tratar o paciente como um todo,
  3. reorganizar o estilo de vida,
  4. fortalecer, equilibrar e movimentar o corpo,
  5. preparar a articulação para o longo prazo.

A MODERNIDADE DA ARTROSE ESTÁ NO MOVIMENTO, NÃO NO MILAGRE

A artrose não precisa ser uma sentença de limitação. Quando o tratamento segue um caminho estruturado — começando pela avaliação correta, passando por uma reabilitação bem orientada e chegando na atividade física programada — o corpo responde. A dor diminui, o inchaço reduz, a confiança retorna e a pessoa volta a se movimentar sem medo.

Os 4 Pilares Espartanos organizam esse processo de forma clara e acessível, unindo ciência, segurança e lógica clínica. Não se trata de moda, promessa milagrosa ou procedimentos caros: é o uso inteligente do que a medicina e o exercício conseguem oferecer de melhor.

E caso você queira saber um pouco mais sobre o assunto, neste vídeo eu explico sobre “Exercícios para Artrose: 4 Pilares Espartanos”: https://www.youtube.com/watch?v=_mlyoUmGd7M.

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