Diagnóstico da Condropatia

Como é o Diagnóstico da Condropatia?

O diagnóstico da condropatia deve ser centrado no conhecimento profundo da evolução da lesão e do processo de morte da cartilagem. Quando o paciente é atleta ou desportista, é fundamental que o médico tenha conhecimentos básicos de medicina esportiva, conhecendo o gesto esportivo.

 

Diagnóstico da CondropatiaA história detalhada dos sintomas da condropatia como o início da dor, localização, inchaços, estalidos, rangidos, perda de força, relação com o uso de escadas e incapacidade para a prática esportiva é fundamental.

 

Ao examinar o paciente, é necessário analisar a mobilidade da articulação, que chamamos de amplitude de movimento articular e realizar alguns testes irritativos de dor.

 

Procuramos também por inchaços, creptação (rangidos) e, quando suspeitamos que a condropatia possa estar ligada a algum tipo de reumatismo, procuramos por outros sinais como manchas na pele, por exemplo.

 

Na condropatia patelar ou condromalácia, doença extremamente comum, como está ligada ao mau funcionamento do membro, que chamamos de distúrbios biomecânicos, aplicamos alguns testes para se avaliar como o paciente freia. Nestes testes, além de se detectar qualquer distúrbio, também é possível avaliar a qualidade da contração do músculo anterior da coxa (quadríceps). Dizemos então se a excentricidade do paciente é boa ou não. Na execução destes testes também notamos se o paciente possui hiperfrouxidão ligamentar, se possui pé plano ou outras anomalias do alinhamento dos membros inferiores.

Exames para Diagnóstico da Condropatia

Radiografias

Diagnóstico da Condropatia - Condropatia dos Dedos

Radiografia mostrando condropatia das pequenas articulações dos dedos.

 

As radiografias são fundamentais em seu diagnóstico. Através delas, podemos ver:

 

  • Diminuição do espaço articular;
  • Osteófitos, ou bicos de papagaio;
  • Alterações contorno ósseo articular;
  • Esclerose (osso mais duro) e cistos ósseos;
  • Calcificação periarticular;
  • Edema (inchaço) de partes moles.

 

Tomografia Computadorizada (TC)

Essencial para articulações como articulações interfacetárias da coluna e para os ombros.

 

Ultrassonografia

Solicitamos para várias finalidades em pacientes com condropatia, inclusive no diagnóstico de derrames articulares em locais de difícil acesso, como de coxofemorais (quadris).

 

Ressonância Magnética

Diagnóstico da Condropatia - Lesão Labral do Quadril

Ressonancia magnética mostrando condropatia do quadril, ja com lesão do labrum.

 

A ressonância permite avaliar concomitantemente todas as estruturas articulares, sendo fundamental quando pegamos a doença nos estágios iniciais, que chamamos de condropatia incipiente, como na condropatia patelar. Pela ressonância magnética, vemos qual a profundidade em que a cartilagem foi acometida, se a membrana que envolve a articulação (sinovial) está inflamada (sinovite), se existe água no joelho (derrame articular) e se há edema ósseo.

 

Análise do Liquido Sinovial

Neste caso, drenamos o líquido sinovial da articulação, procedimento que chamamos de punção articular e enviamos o líquido para analise de laboratório.

 

Diagnóstico da Condropatia

A ressonância auxilia no diganostico da condropatia patelar ou condromalacia. Na figura (A), imagem de condropatia patelar grau II em um homem de 46 anos de idade. (B) imagem de condropatia patelar grau III em uma mulher de 51 anos de idade, onde se observa irregularidade de contorno e afinamento da cartilagem (setas). (C) Imagem de condropatia patelar grau IV em uma mulher de 63 anos. Há extensa perda condral de espessura total da cartilagem. Há também edema ósseo (setas).

Classificação da Condropatia

Didaticamente, dividimos a condropatia segundo sua causa, articulação acometida e o grau de sua evolução:

 

Quanto à sua causa

 

Traumática aguda

Diagnóstico da CondropatiaOcorre quando, por exemplo, a cartilagem do joelho é abruptamente lesada após um entorse do joelho ou após uma luxação da patela (quando a patela sai do lugar), arrancando um fragmento condral (de cartilagem) ou osteocondral (de cartilagem e osso).

 

Quando ocorre, chamamos de condropatia traumática aguda ou lesão da cartilagem.

 

Micro-trauma de repetição

Ocorre por impactos repetitivos à articulação, como na corrida por exemplo, principalmente quando realizado sem preparo prévio e com aumentos súbitos do volume e intensidade. De longe, é a principal causa da condropatia patelar ou condromalácia.

 

Outras causas: quando ligadas a reumatismos, instabilidades ou envelhecimento acelerado da articulação.

 

Articulação acometida

 

Condropatia patelar ou condromalácia

É a forma mais prevalente da doença e está intimamente ligada ao que chamamos de distúrbios biomecânicos, ou mau funcionamento do membro. Causa a dor conhecida como “do cinema”, com dificuldade diária de subir e descer escadas e usar salto alto. Suas variações incluem a condropatia femuropatelar (doença que acomete tanto a patela, quanto seu trilho (tróclea), também conhecida por “Lesão em espelho”, e a condropatia da tróclea femoral, quando a lesão acomete apenas a tróclea, estando a cartilagem da patela sadia.

 

Condropatia do quadril (coxo-femoral)

Diagnóstico da CondropatiaDor na virilha, geralmente irradiada para as costas, formando o sinal de um “C”, com muita dificuldade em se agachar.

 

Condropatia do tornozelo (tíbio-tarsica)

Dor e rigidez no tornozelo, geralmente após muitos episódios de entorses.

 

Condropatia do ombro (glenoumeral)

Dor, rigidez e rangido semelhante a uma catraca de bicicleta.

 

Condropatia dos dedos

Dor e rigidez matinal, impossibilitando movimentos finos da mão, como escrever.

 

Graus da condropatia

Como a cartilagem articular possui quatro camadas, cada grau nada mais é que o aprofundamento da lesão, chegando até o osso subjacente, chamado subcondral. A fase final, onde a degeneração já atingiu todas as camadas da cartilagem, chamamos de artrose.

 

Condropatia grau 1

Também chamado de incipiente ou inicial. Refere-se ao amolecimento da camada mais externa da cartilagem . Acomete indivíduos dos 20 aos 30 anos.

 

Condropatia Incipiente

 

Condropatia grau 2

Aqui, a segunda camada da cartilagem foi acometida tanto pelo amolecimento quanto por pequenas erosões.

 

Condropatia - Grau 2

 

Condropatia grau 3

Mostra que a lesão chegou à terceira camada da cartilagem, já com erosões e fissuras mais profundas, podendo haver edema do osso logo abaixo (subcondral).

 

Condropatia - Grau 3

 

Condropatia grau 4

Seria o grau mais grave, indicando exposição do osso com uma porção significativa da cartilagem deteriorada. A exposição óssea leva à fricção osso-a-osso, gerando reação inflamatória intensa, com dor e inchaço frequentes.

 

Condropatia - Grau 4

Condropatia grau 5

Também conhecida por artrose onde a cartilagem foi atingida em quase toda a sua totalidade e as alterações típicas do desgaste articular estão presentes como os cistos, bicos de papagaio, deformidades e incapacidade de mobilizar completamente a articulação.

 

Condropatia - Grau 5

 

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