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Pernas Tortas e Artrose: Tem Como Reverter?

Você sabia que pernas tortas estão diretamente relacionadas ao desenvolvimento da artrose no joelho?

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Pois bem, pernas tortas podem, sim, causar artrose no joelho, especialmente quando não são diagnosticadas e tratadas adequadamente. Esse é um dos fatores mais negligenciados na ortopedia e, infelizmente, um dos principais motivos que levam pacientes, muitas vezes jovens, à prótese total de joelho de forma precoce.

O mais grave é que, em muitos casos, essa evolução poderia ter sido freada ou até revertida se o problema tivesse sido identificado e tratado corretamente desde o início.

Se você, ou alguém próximo, tem pernas arqueadas, cambotas ou em formato de “X”, este conteúdo te ajudará a entender o que está acontecendo dentro do seu joelho, por que a artrose aparece e quais são as opções reais para preservar a articulação.

O QUE SIGNIFICA TER PERNAS TORTAS?

O alinhamento das pernas determina como o peso do corpo é distribuído dentro do joelho. Pequenas alterações nesse eixo, ao longo dos anos, podem gerar grandes consequências.

Na ortopedia, usamos três classificações principais:

  1. Geno varo: quando as pernas são arqueadas para fora. É o famoso formato “cambota” ou “perna de Garrincha”.
  2. Geno valgo: quando os joelhos se aproximam e os tornozelos se afastam, formando o formato em “X”.
  3. Eixo neutro: alinhamento adequado, com distribuição equilibrada da carga.

Essas alterações podem estar presentes desde a infância ou se acentuar com o tempo, especialmente com o ganho de peso, a perda muscular e o envelhecimento.

As imagens abaixo ilustram essas alterações. Observe que à esquerda o paciente possui um geno varo no qual a linha amarela representa o eixo mecânico, mostra onde passa a linha de peso. Nas figuras do meio e da direita, mostra como corrigimos esse alinhamento colocando esse material chamado de placa de puddu.

POR QUE PERNAS TORTAS LEVAM À ARTROSE DO JOELHO?

O joelho funciona como uma dobradiça biomecânica. Ele foi projetado para receber carga de forma relativamente equilibrada entre os compartimentos interno e externo.

Quando existe um desalinhamento:

  1. O peso passa mais concentrado em um lado
  2. O menisco desse lado é sobrecarregado
  3. A cartilagem sofre desgaste acelerado

Com o tempo, isso gera um ciclo de desgaste, a chamada degeneração progressiva.

O PAPEL DO MENISCO NA ARTROSE

O menisco é uma estrutura fundamental do joelho, pois ele atua como:

  1. Amortecedor
  2. Estabilizador
  3. Distribuidor de carga

Quando há sobrecarga crônica, o menisco começa a:

  1. Perder elasticidade
  2. Sofrer micro degenerações internas
  3. Extruir, ou seja, “sair do lugar”

Esse processo é muitas vezes descrito no exame como “lesão meniscal”, mas na maioria dos casos não se trata de um rasgo traumático, e sim de envelhecimento do menisco.

O QUE ACONTECE QUANDO O MENISCO DEIXA DE FUNCIONAR?

Quando o menisco não cumpre mais sua função:

  1. A pressão entre os ossos aumenta
  2. A cartilagem começa a morrer progressivamente (condrólise)
  3. O osso sofre microfraturas e afundamento
  4. Surge instabilidade e falseio do joelho

Esse é o caminho clássico para a artrose avançada.

QUEM TEM MAIOR RISCO DE DESENVOLVER ESSE PROBLEMA?

Alguns fatores aumentam significativamente o risco, como:

  1. Pernas tortas desde a infância
  2. Obesidade, que multiplica a carga sobre o joelho
  3. Mulheres após a menopausa, possivelmente por fatores hormonais e genéticos
  4. Fraqueza muscular, principalmente do quadril e da coxa
  5. Sedentarismo ou retorno inadequado à atividade física

No entanto, devemos tomar cuidado, pois nem toda pessoa com a perna torta terá artrose, mas o risco é maior.

ENTENDENDO O LAUDO DA RESSONÂNCIA MAGNÉTICA

É comum o paciente receber um laudo com termos como:

  1. Extrusão do menisco
  2. Clivagem horizontal
  3. Degeneração meniscal

Esses achados indicam que o menisco está sofrendo, mas não significam automaticamente cirurgia. O erro está em tratar o laudo e não o paciente como um todo.

O mais importante em uma consulta médica é examinar o paciente em pé de frente para ele, pois isso permite perceber o formato das pernas e se há ou não desvio de eixo mecânico. Por isso, o diagnóstico não deve ser feito por imagens, mas sim examinando o paciente.

TRATAMENTOS ANTES DA PRÓTESE: O QUE PODE SER FEITO?

TRATAMENTO CONSERVADOR BEM INDICADO

Quando a artrose é identificada no início, é possível frear sua progressão.

As principais opções incluem:

  1. Ácido hialurônico: melhora a lubrificação e reduz inflamação
  2. Hidrogel bioativo: versão mais moderna, com maior tempo de ação
  3. Plasma rico em plaquetas (PRP): ainda experimental no Brasil

Mas aqui é importante dizer que nenhuma infiltração funciona sozinha. Ela ajudará e muito, reduzindo o processo inflamatório e a dor, mas é apenas parte do tratamento. Ela deve vir associada a:

  1. Fisioterapia estruturada
  2. Fortalecimento muscular
  3. Retorno progressivo à atividade física

Na prática clínica, esse conjunto gera melhora significativa em 80% a 90% dos pacientes.

Leia também: Menisco rompido: o que acontece se não operar?

TRATAMENTO BIOLÓGICO COM ASPIRADO DE MEDULA ÓSSEA

Para pacientes mais jovens, com doença mais avançada, existe a opção do aspirado de medula óssea.

O procedimento consiste em:

  1. Coletar células da medula óssea da bacia
  2. Aplicar na área de fragilidade do osso
  3. Estimular regeneração local

É um tratamento experimental, mas com bons resultados descritos na literatura internacional.

OSTEOTOMIA: A CIRURGIA QUE PRESERVA O JOELHO

A osteotomia do joelho é uma cirurgia pouco conhecida pelo público, mas extremamente eficaz quando bem indicada.

Ela tem como objetivo:

  1. Corrigir o eixo da perna
  2. Redistribuir o peso do corpo
  3. Diminuir a sobrecarga no local doente

É indicada principalmente para pacientes entre 45 e 65 anos, com artrose avançada, mas ainda com boa reserva articular.

Em muitos casos, adiar a prótese por 10, 15 ou até 20 anos.

O MAIOR ERRO: OPERAR APENAS O MENISCO

A chamada “limpezinha” do menisco não é indicada nesse cenário. A literatura mostra que:

  1. Não resolve o problema
  2. Pode acelerar a artrose
  3. Aumenta risco de fraturas por insuficiência
  4. Pode levar à piora da dor e da função

Por isso, sempre busque mais de uma opinião.

COMO IDENTIFICAR SE SEU JOELHO ESTÁ PIORANDO?

Alguns sinais merecem atenção imediata como:

  1. Dor frequente
  2. Inchaço recorrente
  3. Dificuldade para subir escadas
  4. Limitação para agachar
  5. Sensação de instabilidade
  6. Perna ficando mais torta com o tempo

Se isso estiver acontecendo, procure um especialista em joelho.

PRÓTESE DE JOELHO NÃO É APENAS PARA IDOSOS

Hoje, infelizmente, vemos pacientes com 40, 50 e 60 anos sendo submetidos à prótese precocemente. E em muitos desses casos, era possível preservar o joelho.

MAS ENTÃO, É POSSÍVEL REVERTER A ARTROSE NESSES CASOS?

Pernas tortas alteram a forma como o peso passa pelo joelho e, com o tempo, podem acelerar o desgaste da cartilagem. Esse processo costuma ser progressivo, mas não é um caminho sem volta desde o início.

Em fases iniciais, é possível frear a evolução da artrose, aliviar sintomas e proteger a articulação. Em casos mais avançados, mesmo sem regenerar a cartilagem perdida, é possível mudar o curso da doença, redistribuindo a carga e devolvendo estabilidade ao joelho, com a osteotomia, que corrige o desalinhamento, o que muitas vezes evita ou adia a prótese.

Ou seja, a artrose nem sempre pode ser revertida, mas o destino do joelho pode, sim, ser modificado, desde que o diagnóstico seja feito no momento certo e o tratamento seja adequado.Caso você queira saber um pouco mais sobre o assunto, neste vídeo eu explico com mais detalhes sobre “Pernas Tortas e Artrose: Tem como reverter?”: https://www.youtube.com/watch?v=FJEInfHKs9w&t=2s.

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