Exercícios para condromalacia: os 10 principais erros

Exercícios para condromalacia: os 10 principais erros

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Exercícios para condromalacia: os 10 principais erros

Como ja dito em outros artigos, a condromalacia é uma condropatia comum na população, principalmente entre mulheres e está intimamente ligada a distúrbios biomecânicos do aparelho locomotor, principalmente ao chamado “valgo dinâmico”.

Seu tratamento envolve o alívio de sintomas, a modificação da evolução da doença cartilaginosa e o fortalecimento muscular.

Fortalecer a musculatura, tanto na condromalacia, quanto em condropatias avançadas como a artrose envolve um bom planejamento, controle absoluto da doença cartilaginosa, treinamento de equipe, bom senso e respeito à individualidade de cada paciente.

Apesar do avanço tecnológico e da difusão em massa de informações pela internet, ainda existe muito erro quando se prescreve exercícios para a condromalacia. Infelizmente, ainda é comum um paciente receber uma receita no consultório médico dizendo “paciente com condromalacia. Favor fortalecer”. Ou então, com a prescrição dos exercícios. Estatisticamente, esta atitude leva a erros e frustração do paciente que perambula entre consultórios médicos com uma pilha de exames de imagem embaixo do braço e pouca esperança no coração.

A pedra angular da prescrição de exercícios para a condromalacia envolve conceitos atuais de hipertrofia muscular como a fadiga concêntrica máxima com o mínimo de agressão articular.

Frente a isso, seguem os 5 principais erros ainda cometidos na prescrição de exercícios para a condromalácia:

1. Iniciar o fortalecimento sem o diagnóstico correto para a condromalacia.

Infelizmente, é MUITO comum erros diagnósticos da condromalacia. Lembrando que a descrição de uma condropatia em exames de imagem, como a ressonância, pode estar ligado ao envelhecimento da cartilagem do individuo e não estar necessariamente ligado ao sintoma de dor. O exame físico é soberano!!

2. Não respeitar o algoritmo de reabilitação e retorno ao esporte.

A sequencia lógica de uma reabilitação envolve o diagnóstico da doença cartilaginosa, controle de sintomas muitas vezes com recursos como a viscossuplementação, fisioterapia visando a ativação muscular e correção de fatores biomecânicos individuais, controle de peso e transição ao esporte, onde a prescrição dos exercícios envolve o medico, o fisioterapeuta e o profissional de educação física.

Exercícios para condromalacia: os 10 principais erros

3. Tentar executar os exercícios sozinho(a)

Qualquer treinamento, de qualquer modalidade sem a supervisão de um profissional da educação física qualificado está ligado a recidiva de sintomas. Por isso, é muito importante que o treinador esteja ciente que tenha plena comunicação com equipe para que erros não ocorram.

Exercícios para condromalacia: os 10 principais erros

4. Não respeitar fatores individuais

A prescrição de exercícios para condromalacia envolve fatores individuais como gênero, idade, treinamentos prévios, memória muscular, biotipo, grau da condropatia (dor, limitação de movimento, inibição muscular, presença ou não de inchaço) e, finalmente, o esporte em que se deseja retornar. Para o mesmo grau de condropatia, não se pode prescrever o mesmo treino para uma pessoa que sempre treinou e deseja retornar para a corrida de rua e tem o peso controlado, por exemplo e outra que nunca treinou e deseja apenas realizar exercícios para ganho de qualidade de vida.

Exercícios para condromalacia: os 10 principais erros

5. Não haver comunicação entre os profissionais da saúde

Muito importante que o canal de comunicação esteja sempre estabelecido de maneira horizontal entre os profissionais da saúde para que, se o paciente voltar a ter qualquer sintoma que haja muito bom senso na conduta. Muitas vezes, voltar para fisioterapia por 15 dias para, depois voltar para academia, é a melhor solução.

6. Pensar que aumentar o peso está ligado a mais resultados

O conceito antigo de que quanto mais peso se consegue levantar, mais forte é a pessoa, tornou-se ultrapassado. Hoje em dia, o conceito de fadiga concêntrica máxima tem se tornado um aliado no ganho de força em portadores de condropatias. Técnicas de treinamento que envolvem pouco peso e muitas repetições como a bi ou tri-séries, rest pause, GVT, relação concentricidade/ excentricidade, dentre outros, tem sido aliado ao sucesso no seu tratamento recidiva de sintomas.

7. Pensar que só a musculação é suficiente

Outras atividades com impacto sobre a função muscular como o pilates, ioga e treinamento aeróbio com com baixo impacto articular também devem estar na periodização dos exercícios.

Exercícios para condromalacia: os 10 principais erros

8. Iniciar o fortalecimento com dor e/ou inchaço no joelho

Tanta dor quanto o inchaço é responsável pela inibição da ação muscular. Treinar com esses sintomas, geralmente leva a maus resultados e a recidiva da doença. Em outras palavras: treinar com o joelho inchado ou doendo pode, na verdade, levar a atrofia e não fortalecimento muscular.

Exercícios para condromalacia: os 10 principais erros

9. Não periodizar corretamente o treinamento

Todo o treinamento, de qualquer modalidade envolve a sobrecarga física seguida de recuperação. O resultado disso é o que chamamos em medicina esportiva de super compensação. Uma boa prescrição dos exercícios de fortalecimento para a condromalacia leva ao alívio de sintomas, mais força, disposição e ganho de qualidade de vida. Entretanto, é muito comum que o intervalo entre o treino e o descanso não sejam respeitados, muitas vezes na ansiedade de se ganhar músculo mais rápido, levando ao overtrainning, com recidiva de sintomas. Por incrível que pareça, um bom treinamento de pernas uma única vez por semana, pode estar atrelado a melhores resultados do que de duas a três vezes por semana. Metodologia é tudo!

Exercícios para condromalacia: os 10 principais erros

10. Seguir “receitas de bolo”de redes sociais

Com o crescimento das redes sociais, é muito comum ver alguns blogueiros divulgando seu treinamento com corpos esculturais. Infelizmente, muita gente acaba querendo copiar o treino, desrespeitando fatores individuais e ignorando a presença de um profissional de educação física qualificado. Isso, invariavelmente, leva a maus resultados com agravo da lesão pré-existente ou o início de outras lesões mais graves. O treinamento tem que ser sempre individualizado!!

 

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Dr. Adriano Leonardi
dr@adrianoleonardi.com.br

Dr. Adriano Leonardi possui 20 anos de experiência em Ortopedia. É Médico Ortopedista Especialista em Joelho; Mestre em Ortopedia e Traumatologia; Médico e Fisiologista do Esporte; Membro da Diretoria da Sociedade Paulista de Medicina Desportiva; Colunista e Consultor dos Sites 'Eu Atleta' e 'Globo Esporte'. Agende sua Consulta: (11) 2507-9021 ou 2507-9024

6 Comentários
  • paulo froes
    Postado as 18:37h, 30 janeiro Responder

    Dr Adriano o Sr postou os 10 erros no fortalecimento da condromalacia, mas desculpa a observação o Sr não falou em nenhum momento a principal técnica ou metodologia do fortalecimento, até porque é uma metodologia muito especifa! Desculpe mas falar que Pilates,ou várias metodologias de fortalecimento não fazem sentido, O fortalecimento correto, realmente não resolve o problema da condromalacia,apenas faz um ajuste na biomécanica múscular o que permite a volta a prática esportiva sem dor!! Achei sua abordagem muito generalista e muito pouco especifa.

    • Dr. Adriano Leonardi
      Postado as 13:22h, 31 janeiro Responder

      Vamos lá:
      Em primeiro lugar, muito obrigado por sua participação.
      Todos os posts do meu site são para o publico LEIGO. Existem muitos perigos de armadilhas em se passar muita informação específica para esse público, principalmente na possibilidade da tentativa de auto execução de tratamento, principalmente em um país como nosso, no qual pouquíssima gente consegue atendimento de qualidade.
      Minha ideia neste post era de citar conceitos básicos como a individualidade e a necessidade de um profissional de educação física envolvida no processo de fortalecimento.
      Discordo plenamente com relação a sua visão dos exercícios p/ a condromalacia , pois diversos estudos têm demonstrado que com uma boa ativação muscular e com a correção de fatores Bio-mecânicos, existe maior secreção entra articular de interleucinas que protegem a articulação da degeneração. Isso também é anotado nos estudos epidemiológicos da qual eu faço parte.
      Enfim, existe grande embasamento científico em todos os posts e, Como meu objetivo é de elucidar o público LEIGO, não minha aprofundo.
      Se o senhor for da área da saúde, está convidado a participar dos nossos encontros científicos para aí sim discutir pessoalmente e de maneira profunda a literatura. Forte abraço

  • Telma Franco de Souza
    Postado as 01:08h, 03 março Responder

    Olá Doutor Adriano!
    Tenho 41 anos, sou professora de educação infantil, estou muito acima do meu peso e tenho lesões de menisco e condropatia nós dois joelhos. Eu estou simplesmente desesperada de dor e sinto que vou parar de andar a qquer momento. Isto está afetando a minha vida e a minha cabeça, nunca vivi um momento tão crítico. Já tentei de tudo e não tenho mais vontade de ir a médico nenhum. Como sou obesa a única palavra que eles tem para mim é bariátrica. Compreendo toda a gravidade que a obesidade implica, mas ainda assim estou na tentativa de perder peso sem a cirurgia, porém estou extremamente limitada. O transplante de cartilagem me parece uma luz, mas minha pergunta é: ele é real, para pessoas normais como eu? Ou é algo muito inacessível ainda? Onde eu poderia procurar? Muito obrigada .

  • roberto paes
    Postado as 08:01h, 09 março Responder

    pedalar fortalece os joelhos

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