VITAMINAS FUNDAMENTAIS PARA QUEM TEM ARTROSE

A suplementação de vitaminas pode ser a chave para aliviar a dor da artrose!

Quando o organismo não tem os nutrientes certos, a cartilagem não se protege, o osso sofre mais impacto e o músculo não responde ao fortalecimento. Neste artigo, você vai entender quais vitaminas são fundamentais para quem tem artrose, por que elas fazem tanta diferença no joelho e como utilizá-las de forma segura e baseada na ciência.

Aqui você descobrirá a importância da vitamina D para a produção de cartilagem e ganho de massa muscular; como a vitamina C atua na fabricação de colágeno, fundamental para a saúde das articulações; o poder antioxidante da vitamina E na proteção da cartilagem, a relevância da vitamina K na formação óssea e prevenção de “bico de papagaio”.

Você entenderá também os quatro pilares para o sucesso no tratamento da artrose e descobrirá por que a avaliação metabólica e a suplementação correta podem fazer toda a diferença.

POR QUE ALGUMAS PESSOAS COM ARTROSE NÃO MELHORAM?

Na prática clínica, é muito comum encontrar pacientes que seguem corretamente o tratamento para artrose, fisioterapia, infiltrações, atividade física e cuidados com o estilo de vida, mas evoluem pouco. Em muitos desses casos, o problema não está na articulação em si, mas no terreno biológico do paciente.

Deficiências vitamínicas podem:

  1. Aumentar a inflamação articular
  2. Prejudicar a regeneração da cartilagem
  3. Dificultar o ganho de massa muscular
  4. Reduzir a resposta ao exercício físico

Às vezes, corrigir uma carência vitamínica destrava todo o tratamento.

OS QUATRO PILARES DO TRATAMENTO MODERNO DA ARTROSE

O sucesso no tratamento da artrose depende de uma abordagem integrada. Na ortopedia moderna, trabalhamos com quatro pilares principais:

1. Avaliação clínica completa

O diagnóstico da artrose não deve ser feito apenas por exames de imagem. A avaliação física, o alinhamento do joelho, a força muscular e a função são fundamentais e são avaliados no exame físico do paciente. É preciso que o médico toque no paciente, avalie os seus movimentos.

2. Avaliação metabólica e laboratorial

Exames de sangue ajudam a identificar deficiências de vitaminas e minerais que podem estar interferindo no tratamento.

3. Reabilitação e fortalecimento

A fisioterapia e o fortalecimento muscular são indispensáveis para proteger a articulação.

4. Prescrição de atividade física

Todo paciente com artrose, independentemente do grau, deve receber prescrição de exercício físico. Sem isso, a chance de recidiva é alta.

VITAMINA D: A BASE DA CARTILAGEM, DO OSSO E DO MÚSCULO

Apesar do nome, a vitamina D é um hormônio. Ela regula o metabolismo do cálcio e do fósforo entre intestino, sangue e ossos — e tem papel direto na artrose.

Por que a vitamina D é tão importante?

  1. Estimula a produção de cartilagem, especialmente do colágeno tipo II
  2. Fortalece o osso subcondral, reduzindo o edema ósseo, uma grande fonte de dor
  3. Participa do ganho de massa muscular, essencial para estabilizar o joelho

Durante o exercício, ocorre microlesão das fibras musculares. No período de descanso (recovery), o corpo reconstrói essas fibras e a vitamina D é fundamental nesse processo. Sem níveis adequados, o fortalecimento não acontece.

Um estudo clássico (2007), que deixarei nas referências caso você tenha interesse em lê-lo, acompanhou idosos com deficiência de vitamina D e mostrou que aqueles que receberam reposição adequada apresentaram:

  1. Menos dor
  2. Mais massa muscular
  3. Menor progressão da artrose

VITAMINA C: ESSENCIAL PARA A FORMAÇÃO DO COLÁGENO DA CARTILAGEM

A vitamina C vai muito além da imunidade. Ela é indispensável para que os condrócitos — células da cartilagem — consigam produzir colágeno de qualidade.

A cartilagem contém mais de 10 tipos de colágeno, sendo o tipo II o mais importante. Sem vitamina C suficiente, esse colágeno não se forma corretamente.

Estudos da Universidade de Boston demonstraram que dietas ricas em vitamina C estão associadas a:

  1. Menor dor articular
  2. Menor perda de cartilagem
  3. Melhor evolução clínica da artrose

Em muitos casos, ajustes alimentares já são suficientes, sem necessidade de suplementação exagerada.

Leia também: Tratamento da artrose: quais as estratégias conservadoras e cirúrgicas?

VITAMINA E: PROTEÇÃO ANTIOXIDANTE DA ARTICULAÇÃO

A vitamina E é um potente antioxidante natural. Para facilitar a compreensão, imagine que a articulação sofre um processo semelhante à oxidação de um metal, pequenas ferrugens invisíveis que aceleram o desgaste da cartilagem.

Alimentação inflamatória, consumo excessivo de álcool, embutidos e sedentarismo aumentam esse estresse oxidativo. A vitamina E ajuda a neutralizar esses radicais livres.

Estudos clínicos mostraram que pacientes suplementados com vitamina E tiveram menor degradação da cartilagem em comparação ao grupo placebo.

Aqui neste vídeo deixo a indicação de alguns alimentos altamente inflamatórios que devem ser evitados: “Alimentos proibidos para quem tem artrose – podcast joelho no ar #5”: https://www.youtube.com/watch?v=vb3sranxnL8.

VITAMINA K: SAÚDE ÓSSEA E PROGRESSÃO DA ARTROSE

A vitamina K era conhecida apenas por sua atuação na coagulação sanguínea, mas hoje sabemos que ela é essencial para a formação óssea.

Na artrose, a perda da cartilagem sobrecarrega o osso abaixo dela, levando ao edema ósseo, responsável por muita dor. A deficiência de vitamina K piora esse processo.

Um estudo publicado em 2009, que eu também deixarei nas referências para que você tenha acesso, mostrou que pacientes suplementados com vitamina K apresentaram:

  1. Menor formação de osteófitos (bico de papagaio)
  2. Progressão mais lenta da artrose

PRECISO SUPLEMENTAR TODAS ESSAS VITAMINAS?

Nem sempre. Cerca de 90% das carências vitamínicas estão ligadas à alimentação inadequada. Por isso:

  1. Não se automedique
  2. Evite “protocolos milagrosos” da internet
  3. Consulte um médico, nutricionista ou nutrólogo

Quando a suplementação injetável é indicada?

  1. Idosos
  2. Pessoas com doenças gastrointestinais
  3. Dificuldade de absorção intestinal

Nesses casos, vitaminas injetáveis podem ser seguras e eficazes quando bem indicadas.

E, lembrando que o excesso de vitaminas também intoxica e pode causar efeitos graves. Por isso, sempre procure ajuda de um profissional antes de iniciar uma suplementação.

VITAMINAS NÃO SUBSTITUEM O TRATAMENTO DA ARTROSE

É fundamental deixar claro que vitaminas não tratam artrose sozinhas. Elas fazem parte de um conjunto que inclui:

  1. Alimentação adequada
  2. Controle de peso
  3. Fortalecimento muscular
  4. Fisioterapia
  5. Atividade física orientada
  6. Controle da dor

As vitaminas potencializam o tratamento, mas não substituem essas etapas.

O QUE REALMENTE MUDA O JOGO NO TRATAMENTO DA ARTROSE

A artrose não é apenas um problema do joelho. Ela envolve metabolismo, músculo, osso, inflamação e estilo de vida. Quando o corpo recebe os nutrientes certos, ele passa a responder melhor a todos os outros tratamentos.

Às vezes, o que falta não é um procedimento novo, mas sim corrigir o básico.

E, caso você queira saber um pouco mais sobre a influência das vitaminas na artrose, assista ao vídeo “Artrose: 4 Vitaminas Essenciais!”: https://www.youtube.com/watch?v=2MEcpLxGuuw.

REFERÊNCIAS

1. MCALINDON, T. E. et al. Relation of dietary intake and serum levels of vitamin D to progression of osteoarthritis of the knee among participants in the Framingham Study. Annals of Internal Medicine, v. 125, n. 5, p. 353-359, 1 set. 1996. DOI: 10.7326/0003-4819-125-5-199609010-00001. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/8702085/. Acesso em: 31 dez. 2025.

2. MCALINDON, T. E. et al. Do antioxidant micronutrients protect against the development and progression of knee osteoarthritis? Arthritis and Rheumatism, v. 39, n. 4, p. 648-656, abr. 1996. DOI: 10.1002/art.1780390417. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/8630116/. Acesso em: 31 dez. 2025.3. OKA, H. et al. Association of low dietary vitamin K intake with radiographic knee osteoarthritis in the Japanese elderly population: dietary survey in a population-based cohort of the ROAD study. Journal of Orthopaedic Science, v. 14, n. 6, p. 687-692, nov. 2009. DOI: 10.1007/s00776-009-1395-y. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19997813/. Acesso em: 31 dez. 2025.

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