Sua condromalácia patelar não melhora? Parece que ela piora com o passar do tempo? A condromalácia patelar, é uma doença muito prevalente na população. Os estudos mostram que ela é a principal causa de dor no joelho ou aquela dor anterior do joelho. É uma doença frequente de 2 a 3 vezes mais e mulheres e nesse texto explicarei por quê.

O que causa a condromalácea patelar ?
Existem os fatores intrínsecos, ou seja, ligados à pessoa e os fatores extrínsecos: a forma de como a pessoa pratica o esporte.
● O principal fator intrínseco inclui os chamados fatores biomecânicos, onde a má qualidade de movimento da articulação, principalmente a falta de sincronismo entre o quadril, joelho e tornozelo fazem com que superfícies cartilaginosas sofram hiperpressão em um ponto só e, em determinado momento, sofram a falha.
● Fatores anatômicos, como por exemplo o joelho do tipo x ou a rotação externa aumentada dos quadris, rotação externa aumentada da tíbia, excesso de peso, alimentação inadequada, uma alimentação mais inflamatória.
● Prática esportiva inadequada: quando você sai do zero e aumenta de maneira abrupta, o volume de treinamento, principalmente você que treina sem orientação.
Sintomas da Condromalácia patelar
Antes de falar sobre os motivos da não melhora, é importante saber reconhecer os sinais certos: dor na frente do joelho (principalmente ao descer escadas), crepitação, sensação de bloqueio e inchaço são os mais comuns. Boa parte dos casos que não evoluem começa justamente aqui — o paciente ou o profissional confundem os sintomas com os de outra lesão, e o tratamento é direcionado para o problema errado.
Por que sua condromalácia patelar não melhora?
1) É possível que a sua dor não seja por causa da Condromalácia patelar
Existem diversas outras causas de dor no joelho que vão desde a Tendinite, Sinovite (aumento da reação inflamatória na articulação), dor de menisco, dor muscular, dor no quadril irradiando para o joelho. Ou seja, existem inúmeras outras e dentre elas, a doença cartilaginosa também é uma opção. É muito importante que o médico saiba examinar, e saiba se a dor do paciente tem origem cartilaginosa ou não, confronte os exames de imagem e faça um exame físico bem detalhado, até fazer o diagnóstico correto. Chegar ao diagnóstico correto, é pelo menos, 50% do caminho para ter sucesso no tratamento.
2) Fatores anatômicos não identificados
O joelho do tipo X ou joelho Valgo, que é a criança que começa a bater um joelho no outro ao se locomover, e é possível que ao alcançar a idade adulta esse joelho continue com os mesmos fatores. A pessoa com joelho valgo faz com que o movimento da patela não ocorra de forma simétrica, como chamamos de “fazer o movimento no trilho”, no eixo de movimento correto. Existe um aumento do ângulo Q em que um ponto só da cartilagem será mais exposto a pancada da movimentação errada e fora do eixo. Em algum momento esse local pode degenerar com o desgaste crônico e dará início à artrose.
Através da Tomografia Computadorizada do joelho é possível avaliar se há alguma alteração anatômica do joelho e principalmente a lateralização da patela. Existe a ponta de um osso no joelho, chamado de Tuberosidade Tibial Anterior que também quando muito lateralizado, fora do lugar, existe um aumento do ângulo Q e aumento da pressão na cartilagem levando a uma Condromalácia. Se esses fatores não forem identificados, o tratamento pode falhar.
3) Não identificação de fatores biomecânicos
Se a pessoa possui Condromalácia, é importante não só fazer o diagnóstico da doença, mas saber o porquê do desenvolvimento dessa condição. É possível que a Condromalácia aconteça devido aos movimentos banais não serem realizados de maneira correta, como por exemplo subir as escadas ou realizar atividades domésticas e é possível que haja um distúrbio biomecânico associado. O dessincronizado entre o quadril e o joelho é uma possibilidade. É importante saber aplicar alguns testes funcionais no consultório para identificar de onde está vindo o problema e possamos resolver. Se não tratarmos a doença sem identificarmos a causa do problema, a fonte da condição irá permanecer e o tratamento não será efetivo.
4) Tratamento ineficiente
É possível que o controle da dor não seja feito de maneira correta. A infiltração com hidrogel ou ácido hialurônico são tratamentos possíveis em graus intermediários, ou seja, nem no começo da doença, nem em graus avançados. A infiltração, bem como o controle da dor por radiofrequência ou medicamentoso é importante, mas a qualidade da fisioterapia também é bastante necessária. Se a qualidade da reabilitação não foi bem-feita, é necessário trocar o local da fisioterapia. Só voltamos o paciente para o esporte após a melhora de pelo menos 80-90% da dor. A ativação e melhoria da contração muscular também serão avaliadas para retorno às atividades.
5) Exercícios não foram prescritos
Existe um protocolo a ser seguido, um planejamento para ser feito posteriormente. Não devemos liberar o paciente sem um caminho de exercício a ser feito. As pessoas que tratam de Condromalácia patelar têm a chamada Cinesiofobia, que é o medo de fazer o movimento.
É importante o profissional de Ed. Física que entenda de Condromalácia patelar e saiba prescrever atividade física sem agressão articular para que o paciente aprenda a treinar, goste do esporte e veja qual o melhor esporte para ele. De toda forma e em qualquer esporte, é necessário um tratamento paralelo para completa reabilitação.
Veja mais sobre isso, neste vídeo abaixo:
6) Não fazer a tarefa de casa
O paciente não fez a fisioterapia adequada, não conseguiu perder peso, não seguiu o protocolo adequadamente, logo, o tratamento não funcionou.
7) Tratamento baseado exclusivamente em nutracêutico para Condromalácia patelar
Infelizmente, não foram poucas vezes que nos deparamos com pacientes em tratamento para Condromalácia patelar em que o único tratamento prescrito foi um nutracêutico como a Glicosamina, Condroitina, Colágeno e Diacereína. Sabemos que esses tratamentos são bastante controversos e não existe nenhuma evidência científica de que a pessoa melhore apenas tomando essas medicações. As pessoas que melhoraram, os estudos existentes não conseguem comprovar se existia a questão do efeito placebo. É muito importante, se caso prescrito nutracêuticos, a entrada com “medicamentos” que realmente possuam comprovação de benefício, como a atividade física regular e dentro do limite fisiológico do paciente.
8) Tentativa de fortalecimento pulando a reabilitação
Na maioria das vezes o indivíduo sabe da importância da academia na reabilitação e fortalecimento, mas existe a Inibição Artrogênica do Quadríceps que é: quando sentimos dor, o cérebro começa a desligar aquela musculatura em volta do joelho chamada de quadríceps. O movimento tende a ficar mais complicado e às vezes é feito através do tremor. É um efeito catabólico ao invés de anabólico ao fazer o movimento pois não está sendo feito de forma adequada e passando por cima da reabilitação, sem o controle da dor. Não é possível apenas ir para a academia para resolver a lesão sem antes passar por uma linha que possui consulta médica diagnóstica, reabilitação, treinamento e então, o fortalecimento.
9) Tratamento baseado principalmente com ácido hialurônico para a Condromalácia patelar
O ácido hialurônico é um grande aliado no tratamento das doenças cartilaginosas, especialmente em grau 2, grau 3 que são graus intermediários. Esse tratamento altera as conformações químicas da doença cartilaginosa e apesar de não regenerar a cartilagem, há um alívio da dor e abre uma janela terapêutica para a entrada do profissional de fisioterapia para conseguir fortalecer e ativar a musculatura. É bastante comum que o paciente seja conduzido ao tratamento com infiltração de ácido hialurônico com recomendação para voltar em 6 meses e não é prescrito um treinamento ou uma boa qualidade de reabilitação e ele vira um “refém da agulha”. O principal risco dessa atitude é uma Sinovite, uma reação inflamatória após a infiltração, logo, a dor piora. O risco mais temido é a infecção durante a aplicação do Ácido Hialurônico e pode haver danos irreversíveis.
10) Tudo o que é cirúrgico, é cirúrgico!
Se existe indicação de um tratamento cirúrgico para a condromalácia, principalmente nos graus mais avançados como o 3, 4 ou ligados a defeitos anatômicos, devem ser tratados cirurgicamente. Outras tentativas de tratamentos podem não dar certo, mesmo que haja uma melhora por poucos dias e depois retorno da dor. É muito importante explicar ao paciente todo o quadro, onde está o defeito, para que o tratamento seja efetivo. No roll cirúrgico existem diversas técnicas diferentes para alívio e tratamento da dor de forma mais efetiva, como a Limpeza Articular, Membrana de Colágeno, Osteotomias, alterações no osso da Tuberosidade Anterior, entre outras que são escolhidas para cada caso e para cada alteração anatômica existente.
Condromalácia patelar: por que fisioterapia e treinamento são fundamentais no tratamento?
A condromalácia patelar é frequentemente associada à dor na parte da frente do joelho, especialmente durante atividades como subir escadas, agachar, correr ou permanecer sentado por muito tempo.
Embora o termo “condromalácia” descreva uma alteração na cartilagem da patela, a intensidade da dor nem sempre está diretamente relacionada ao grau de desgaste observado nos exames de imagem. Existem pacientes com alterações importantes na ressonância e poucos sintomas, assim como pessoas com muita dor e alterações discretas.
Por isso, o tratamento não deve ser orientado apenas pela imagem.
Na maioria dos casos, a primeira abordagem é conservadora e tem como base a fisioterapia associada a um programa progressivo de exercícios.
O objetivo do treinamento não é simplesmente “fortalecer o joelho”, mas melhorar a capacidade de todo o membro inferior de absorver e controlar as cargas. Isso envolve o fortalecimento do quadríceps, dos glúteos e da musculatura do quadril, além da melhora do controle durante movimentos como agachamentos, saltos, corrida e descida de escadas.
Outro ponto essencial é o controle de carga. Muitos pacientes não precisam interromper completamente suas atividades, mas ajustar temporariamente o volume, a intensidade e a frequência dos exercícios para reduzir a irritação do joelho.
A fisioterapia também ajuda a identificar fatores que podem estar contribuindo para os sintomas, como perda de força, excesso de carga, alterações de movimento, dificuldade de recuperação ou retorno muito rápido ao esporte.
Recursos como gelo, taping, palmilhas, medicamentos ou terapia manual podem ser utilizados em situações específicas, mas funcionam principalmente como ferramentas auxiliares. Eles não substituem o exercício terapêutico e a progressão adequada do treinamento.
Como cirurgião de joelho, é importante destacar que a presença de uma alteração na cartilagem não significa automaticamente necessidade de cirurgia.
A cirurgia pode ser considerada em casos selecionados, especialmente quando existem alterações estruturais específicas, instabilidade patelar, desalinhamentos importantes, lesões associadas ou persistência dos sintomas após um tratamento conservador bem conduzido.
Antes disso, porém, é fundamental que o paciente tenha realizado uma reabilitação adequada, individualizada e com tempo suficiente para produzir adaptações.
Na prática, o melhor tratamento é aquele que combina diagnóstico preciso, controle de carga, fisioterapia e fortalecimento progressivo. O objetivo não é apenas reduzir a dor, mas devolver segurança, função e capacidade para que o paciente volte às atividades que fazem parte da sua rotina.
Perguntas frequentes sobre condromalácia patelar
Condromalácia patelar e síndrome da dor patelofemoral são a mesma coisa?
Não exatamente. A condromalácia patelar descreve uma alteração na cartilagem localizada atrás da patela. Já a síndrome da dor patelofemoral é um diagnóstico clínico relacionado à dor na parte da frente ou ao redor do joelho. Uma pessoa pode apresentar condromalácia na ressonância sem sentir dor, assim como pode ter dor patelofemoral importante sem uma lesão avançada da cartilagem.
Qual é o melhor tratamento para condromalácia patelar?
Na maioria dos casos, o tratamento é conservador e combina diagnóstico preciso, controle da dor, ajuste das cargas, fisioterapia e fortalecimento progressivo. Os exercícios devem trabalhar não apenas o joelho, mas também o quadríceps, os glúteos e a musculatura do quadril. Infiltrações, medicamentos, palmilhas e terapia manual podem ser utilizados em situações específicas, mas não substituem a reabilitação ativa.
Quem tem condromalácia patelar pode fazer academia?
Sim. A musculação pode fazer parte do tratamento, desde que os exercícios sejam adaptados à fase da reabilitação, à intensidade da dor e à capacidade atual do joelho. A progressão deve ser gradual e, preferencialmente, orientada por profissionais que conheçam o diagnóstico. O problema geralmente não está no exercício isolado, mas no excesso de carga ou na progressão inadequada.
Condromalácia patelar precisa de cirurgia?
Na maioria dos casos, não. A cirurgia costuma ser considerada somente quando existem alterações estruturais específicas, instabilidade da patela, desalinhamentos importantes, lesões associadas ou persistência dos sintomas após um tratamento conservador individualizado e bem conduzido. A presença de uma alteração na ressonância, isoladamente, não determina a necessidade de cirurgia.
Quanto tempo demora o tratamento da condromalácia patelar?
O tempo de recuperação varia conforme a intensidade dos sintomas, o grau de perda de força, a presença de alterações anatômicas, o nível de atividade e a adesão ao tratamento. Alguns pacientes percebem melhora da dor nas primeiras semanas, mas a recuperação da força, da função e da capacidade de retornar ao esporte pode exigir alguns meses de treinamento progressivo.
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Referências:
Neal BS, Lack SD, Bartholomew C, et al.
Best practice guide for patellofemoral pain based on synthesis of a systematic review, the patient voice and expert clinical reasoning.
British Journal of Sports Medicine. 2024;58:1486–1495.
Artigo completo em PDF:
https://bjsm.bmj.com/content/58/24/1486.full.pdf







