Dr. Adriano Leonardi

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Será que o alongamento realmente previne lesões?

Em minha infância e adolescência nos anos 80, meus professores e treinadores pregavam fervorosamente que o alongamento muscular pré-participativo ao basquete, futebol e ao treino de corrida deveria ser praticado quase como um ritual religioso.

O tempo passa, a ciência avança e a pergunta fica:

 

O alongamento muscular previne lesões?

Estudos realizados nos últimos 20 anos comparando quem alonga ou não antes da prática esportiva, mostraram que os alongamentos estão ligados a benefícios como redução das tensões musculares, relaxamento do corpo e maior consciência corporal, além de prepararem o corpo para atividades físicas, ativarem a circulação e deixarem os movimentos mais soltos e leves, porém nao existe evidência científica de que estariam ligados à prevenção de lesões como os estiramentos musculares ou dores articulares.

A ciência aponta que o aquecimento pré-participativo seria fundamental para aumentar a temperatura do corpo e consequentemente o metabolismo das células. Pesquisas demonstram aumento de 13% na liberação de oxigênio do sangue para os músculos a cada grau acrescido à temperatura corporal. Portanto, para quem vai correr por exemplo, o aquecimento seria indispensável.

Idealmente, ele deve ser realizado com movimentos suaves dos membros e depois com um trote de corrida, sem intensidade, de 3 a 5 minutos. Na musculação, o aquecimento deve ser no próprio aparelho, porém com cargas mais leves.

 

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Mas, além do aquecimento, o alongar não seria benéfico?

Em um estudo recente realizado na Universidade de Nevada, em Las Vegas, os atletas estudados demonstraram uma capacidade menor de geração de força muscular das extremidades inferiores após o alongamento estático do que aqueles que não fizeram nenhum tipo de alongamento. Outros estudos encontraram que o alongamento muscular diminui em até 30 por cento a força muscular. Estes estudos sugerem que o alongamento estático geraria uma resposta neuromuscular inibitória. O músculo alongado tornar-se-ia menos reativo e fica enfraquecido por até 30 minutos após o alongamento, o que ninguém deseja antes de começar um treino.

Além disso, o estudo apontou que o alongamento pode ser prejudicial para o treino de força, especialmente se eles realizam o alongamento logo antes ou entre as séries do treinamento. O alongamento reduziria a resistência à ruptura das fibras musculares e está em contradição com a necessidade de uma forte contração do músculo para vencer a resistência e, assim, atingir o objetivo de fortalecimento.

Com estes conceitos em mente, a idéia do alongamento dinâmico, que aumenta a potência, flexibilidade e amplitude de movimento dos músculos vem crescendo no mundo do esporte. Os músculos aquecidos com movimento não receberiam a mesma resposta inibitória exercida pelo aquecimento estático, em vez disso recebem uma mensagem ativadora vinda do cérebro.

 

Mas estes alongamentos dinâmicos poderiam prevenir lesões?

Um estudo Americano publicado ano passado constatou que as lesões de joelho foram reduzidas quase pela metade entre jogadoras de futebol que seguiram um programa de aquecimento que incluiu exercícios de alongamento dinâmico. O estudo conclui que o alogamento dinâmico junto a um aquecimento de qualidade promoveriam intensidade suficiente para aumentar a temperatura corporal sem causar fadiga ou diminuição nos níveis de glicogênio (nosso estoque de açúcar armazenado nos músculos e no fígado) e que devem ser específicos para cada modalidade esportiva.

 

Referências bibliográficas

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US Department of Health and Human Services. Alternative Warm-up program reduces risk of ACL injuries for female college soccer players.2015

 

dr-adriano-leonardi-especialista-do-joelhoDR. ADRIANO LEONARDI

Médico ortopedista especialista em traumatologia do esporte e cirurgia do joelho. Médico e fisiologista do esporte. Presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Ambientes Remotos e Esportes de Aventura. + Conheça o Profissional

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